Os craques da bola

Sempre gostei de jogar futebol, mas nunca idolatrei nenhum jogador diga-se de passagem. Perto da minha casa tinha um campinho de terra batida, era o “Maracanã” da piazada da rua. Estudava cedo, chegava em casa meio-dia devorava o almoço, pegava a bola que o meu pai comprou pra gente, saia casa por casa convidando a piazada para uma bela pelada neste campinho.

Lembro até os apelidos da turma: gordo, crédi, marcelo (in memorian), julio, djoninhas, gil, telinho, batatinha, ricardinho, beto (meu mano), ceceu (meu primo). Na época quase ninguém jogava com calçado, era descalço mesmo, da sola do pé ficar grossa. Passava a tarde toda jogando bola, e jogava muito bem, e pensar que eu poderia estar milionário hoje (rs). O gordo sempre queria eu no time dele, tinham uns que viviam chorando falta (claro que não vou contar quem). Até público feminino existia, claro que não era pra me ver, já que minha “beleza” sempre assustou as meninas (rs).

Lembro do dia que adentramos a mata para cortar as madeiras para fazer as traves, facão emprestado do meu pai, cortadeira para fazer os buracos e montamos as traves. Quando não tinha quorum suficiente para montar dois times, jogávamos dois contra dois valendo gol só de dentro da pequena área, ou jogávamos rebatida (haviam várias pontuações, bola pelo meio das pernas 6 pontos, nas traves laterais 5 pontos, na trave superior 10 pontos, no ângulo 15 pontos, escanteio 3 pontos) ou 5 fora (só valia gol com a bola no alto, tipo de cabeça, ou teu companheiro erguendo a bola e você chutando ela de prima, se fizesse 5 gols o goleiro tinha que ficar até 5 bolas pra fora, quem chutasse a quinta pra fora ia pro gol).

E quando alguém fazia um golaço então, pensem na alegria do moleque, pena não termos nenhuma filmadora ou câmera fotográfica para registrar estes momentos, mas o que vale que eles estão registrados em nossa memória.

E quando chovia então, era a maior festa, o jogo nunca parava, ficávamos jogando e chegávamos em casa pingando de molhado e a roupa cheia de lama, minha mãe ficava p da vida com a gente e meu pai nos defendia dizendo deixe os piás aproveitarem a infância.

Um dia deu uma chuva imensa na cidade, noutro dia fomos jogar bola, havia deslizamento de terra ao lado do nosso campinho, cada vez que alguém chutava uma bola pra fora, o jogo ficava parado por uns 10 minutos até recuperar a bola que caia no buraco feito pela chuva. Lembro que alguns ficavam com birra de buscar a bola. Teve até um episódio onde cortei o pé fundo quando fui buscar a bola, tive que tomar uma benzetacil na bunda, que fiquei dois dias sem poder andar.

O pessoal foi crescendo, alguns foram jogar bola em campos de areia, outros em quadras, já com quichute ou chuteira e o nosso campinho foi ficando abandonado. Dia destes passei com meus sobrinhos por lá, nem sombra do nosso campinho, construíram casas no lugar dele.

Sempre que posso, convido o meu vizinho, levo meus sobrinhos, achamos uns terrenos baldios e jogo bola com eles pra recordar meus bons tempos de infância.

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6 pensamentos sobre “Os craques da bola

  1. Rapaz, eu fiquei extremamente curiosa o que seria uma bola no ânulo…. ahaahahahaah

    “haviam várias pontuações, bola pelo meio das pernas 6 pontos, nas traves laterais 5 pontos, na trava superior 10 pontos, no ânulo 15 pontos, escanteio 3 pontos”

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