Receitas de bolo

Final de ano batendo na porta, as famílias planejando onde vão passar o Reveillon, os descolados procurando as baladas mais TOPs, inúmeras pessoas fazendo suas ‘to-do list’ para o próximo ano. Isto é bom, porque definimos metas, mas quase 99% desta lista não é concretizada, mas isto é assunto para outro texto.

Desde o advento da semiótica e do marketing que nossas escolhas são direta ou indiretamente influenciadas. Consumimos e compramos bens que talvez não precisássemos, mas somos levados quase que inconscientemente a cada vez mais nos espelhar no que as revistas e a televisão nos vendem. Estamos perdendo nossa identidade como seres humanos. Não estou sendo extremista, apenas sensato, o consumo é a mola propulsora do desenvolvimento.

Os gritantes apelos para as ‘listas da felicidade’ estão estampados em todo lugar. Quem pode saber o que é uma ‘lista da felicidade’ além de nós mesmos? É lista de lugares que você precisa conhecer; listas do que se deve comer (estas então são extremas, tanta coisa que você precisa comer que fico imaginando quem consegue tal façanha); listas de como tornear os músculos para o verão; listas de como enriquecer, etc e tal. Fizeram até listas de quem ‘pegar’ antes de morrer (será que tenho alguma chance com a Scarlet Johansson?). E as revistas femininas então, é lista para todo o centímetro do corpo, desde lista de tipos de cabelos até massagem tântrica no clítoris. Fico pensando comigo: qual ser humano consegue fazer tudo o que as ‘listas da felicidade’ propõem. Você precisa fazer tanta coisa que apenas 24 horas diárias não serão suficientes.

Óbvio notar que precisamos de um mapa para a nossa vida, uma direção para seguirmos, caso contrário talvez remaremos para uma tormenta. Mas vejo quase que diariamente as pessoas mudando seus modos de vida porque viram na novela das oito ou numa revista especializada uma nova técnica que fará ‘milagres’ em sua vida. Acabam perdendo seu jeito de ser que foi construído durante muito tempo.  Precisamos de espelhos e não há nada de mal em seguir alguma lista que vise o nosso aperfeiçoamento como ser humano, mas, nada de extremismos e seguir todas as ‘listas da felicidade’ para um simples mortal creio que seja quase impossível.

Sempre falo que um script totalmente conhecido não proporciona emoção alguma na vida de um ser humano. É igual você estar lendo um romance policial da Agatha Christie e te contarem quem é o assassino.

De vez em quando precisamos fazer a nossa receita de bolo, com os nossos ingredientes, se o bolo vai ficar bom ou não, só o tempo dirá, mas não deixamos nossa subjetividade de lado para seguir ‘mantras’ da sociedade moderna.

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