Mix Tapes Set 2

Para o pessoal que já passou dos trinta anos de idade e curtiu muito os anos 90, mais um set list para relembrar grandes momentos de diversão. Aumentem o volume, retirem as cadeiras da sala e bora treinar alguns passinhos (rs).

Penelope – Take a chance

Chimo Bayo – Asi me gusta a mi

Cartouche – Touch the sky

Colour – Heat of the night

Technotronic – Move this

2 For Love – Only for love

Culture Beat – Got to get it

Passeio no Jardim Botânico

Primeiramente, a vida tem certos momentos que são inesquecíveis, por este fator ela é especial e deve ser aproveitada ao máximo. Certo dia, pra minha surpresa recebo uma mensagem de uma pessoa muito especial pra mim querendo passear comigo no Jardim Botânico aqui de Curitiba. Como recusar uma proposta destas. Fazia tempo que queria conhecer o Jardim Botânico tão famoso aqui em Curitiba.

Cheguei antes dela e fiquei observando os peixes e as tartarugas desfrutando pequenos insetos que caíam na água, calmos e tranquilos em meio à selva de pedra onde estavam inseridos. Fiquei filosofando comigo, quanta diferença em um mesmo espaço. No jardim, uma serenidade, uma quietude. Logo após a cerca, barulho de carros, ônibus, pessoas apressadas, prédios em construção, metas, stress.

Minha companhia chegou alguns minutos mais tarde, um beijo de boas vindas e fomos passear tranquilamente admirando a beleza da natureza que nos rodeava. Tenho em minha mente todas as cenas que presenciamos. Passamos ver uma exposição de quadros, depois passamos a passarela sobre o lago. Aconteceu uma cena no mínimo engraçada: paramos para ver uma linda espécie de orquídea que estava numa árvore, ela se apoiou no tronco da passarela, 1 minuto depois ouço seu grito e um pulo, ela havia posto a mão em cima de um ‘mandorová’, sorte que não era venenoso.

Seguimos pelo caminho que rodeia o bosque conversando sobre amenidades da vida, lembranças de nossa infância, citando nomes de árvores que conhecíamos, fazendo pequenas carícias e comentários divertidos. Após uns 15 minutos de caminhada, chegamos na famosa estufa de plantas, apreciamos a pequena cascata e as plantas. Depois passeamos pelo bosque desenhado que fica em frente à estufa. Muito legal a cena da professora brincando com seus pequenos alunos uniformizados no gramado, quantos risos, quanta diversão.

Depois degustamos algumas pitangas diretamente da fonte (rs), caminhamos um pouquinho, escolhemos uma bela sombra, deitamos lado a lado e ficamos conversando sobre o futuro tendo como espectadores um casal de quero-queros com seu filhotinho ainda adquirindo plumagem. Alguns turistas iam e vinham com suas máquinas fotográficas, o tempo foi passando, quase adormecemos no gramado (rs).

Bom, como tudo de bom nesta vida tem um tempo tivemos que voltar para a nossa vida cotidiana. Ambos pegamos o ônibus, um para cada lado, ficando em nossa mente os doces momentos vividos em companhia da natureza e um gostinho bom de quero mais.

Periodicamente dedique um tempo para você esquecer que existe trabalho, metas, visite algum parque da sua cidade, aprecie os pássaros, os insetos, as árvores e tente retirar um pouco da tranquilidade que eles exalam para o seu dia a dia. Te garanto, o bem que isto faz não há dinheiro que pague.

Mix tapes

Aproveitando o feriadão e o aniversário do meu estimado pai junto com a minha família, resolvo ver minhas antigas coisas que estavam guardadas num baú velho de madeira que meu avô fez pra mim. Como a vida tem destas curiosidades saudosistas. Dentre livros, velhas apostilas, algumas revistas de conteúdo ‘interessante’, meu caderno de matemática, eis que meus olhos brilham de nostalgia ao vislumbrar  minhas fitas cassete dentro de um caixa velha de sapatos.

Minhas fitas cassete eram muito desejadas pela gurizada da rua, pois eu adorava fazer mix tapes de música dance dos anos 90 (grande época, grandes recordações) e distribuir para a gurizada. Na época eu estudava no período noturno no antigo segundo grau (quanto tempo), juntamente com um grande amigo meu fazíamos de tudo para conseguir comprar as fitas cassete da antiga Doctor Disco aqui de Curitiba (DJ Party Mix), as famosérrimas fitas amarelas e as vermelhas (especiais). A gente passava a tarde toda selecionando e gravando fitas cassete no meu grande rádio ‘double deck recorder’ preto que ganhei do meu pai (o melhor presente ganho até hoje).

Quantas tardes de sábado, quantas noites no intervalo das aulas, a galera se reunia para escutar nossas mix tapes. Eu passava o final de semana todo escutando programas de rádio para ver se uma nova música era lançada. Sabia de cor e salteado todos os horários dos melhores programas de rádio (em especial o inesquecível Ritmo da Noite da Jovem Pan mixado pelo grande DJ Iraí Campos). Dentre outros que me lembro tinha também a rádio Mundi de Ponta Grossa, a Atlântida de Blumenau, a Nova Era de Mafra, a Transamérica, etc.

Depois de passar um tempo vendo minhas fitas cassete e relembrando dos amigos e festas do passado, perguntei para a minha mãe onde estava meu toca-fitas preto, o mesmo onde eu escutava as minhas mix tapes. Para a minha enorme surpresa, ele ainda funciona. Não pensei duas vezes, peguei as fitas cassete, sentei na varanda da frente da minha casa como eu fazia antigamente, levantei o volume e curti os grandes clássicos dance dos anos 90 que tiveram grande importância em minha vida. Para os saudosistas, farei set lists das músicas que eu gravava. Que saudade, curtam o som.

Bandido – I drove all night

G.E.M. – I feel you tonight

Taleesa – I found love

Ice MC – Think about the way

Twenty Four Seven – Slave to the music

Whigfield – Saturday night

DJ Bobo – Somebody dance with me

Co.Ro feat Taleesa – For your love

Double You – Heart of glass

Twenty Four Seven – Take me away

Andrew Sixty – Oh Carol

Aguardem que tem mais, é muita música.

Olha o picolé

É curioso notar como algumas nuances do cotidiano nos remetem à fatos vivenciados à muito tempo em nossa vida.

Dia destes, tarde agradável de sol em pleno inverno curitibano (rs), depois de passar na lotérica fazer uma fézinha, depois passei no supermercado comprar uma caixinha de bolo petit gateau para fazer, algo me recordou de uma bela recordação da minha infância. No caminho do mercado passo por alguns adolescentes que estão andando de skate e conversando em uma esquina. Aquelas duas morenaças entre eles, ave-maria, corpos de mulher, bem, deixa quieto. Chego em casa, rapaz prendado que sou,faço o petit gateau e volto até uma sorveteria comprar sorvete de creme para acompanhar o petit gateau (nham). Vendo a enorme quantidade de sabores do buffet de sorvetes sou transportado no tempo para quase 25 anos atrás.

Meus pais sempre ensinaram eu e meus irmãos a valorizar o trabalho. Na minha descrição ‘quem sou eu’ conto que já trabalhei com diversas coisas em diversos diferentes lugares, e, também já vui vendedor de picolés.

Lembro-me que a minha madrinha de primeira comunhão tinha uns carrinhos de picolé e juntamente com os seus dois filhos vendíamos os picolés para ela em troca de uma pequena comissão que, na maioria das vezes, era utilizada para comprar figurinhas (história para outro post). Carinho abastecido de picolés e ‘moreninhas’ (sorvetes de bauninha ou creme em formato oval com cobertura de uma fina camada de chocolate, uma delícia), saímos em dupla vender os picolés.

Para chamar à atenção da clientela tínhamos um tipo de apito sonoro (me esqueci do nome) parecido com aqueles instrumentos de sopro que os peruanos utilizam nos concertos da Boca Maldita aqui em Curitiba (rs). Cada um possuía um jeito peculiar de ‘tocar’ o instrumento ‘compondo’ melodias próprias’. Com o passar do tempo já tínhamos nossa rota definida bem como nossos clientes fiéis. Lembro-me que eu sempre vendia cinco picolés de milho verde (rs) para um velhinho que morava perto da escola porque ele me achava parecido com um dos seus netos.

Era uma tarefa divertida, mas não era muito fácil. Tínhamos que empurrar o carrinho por ruas de chão entre as pedras, por ‘intermináveis’ subidas de paralelepípedo, mas sempre dávamos um jeitinho! Colocávamos alguns picolés a mais no carrinho para comermos durante o trajeto, sendo que o que eu mais apreciava era o picolé de nata.

Ficávamos chateados quando chovia no meio do caminho, voltávamos molhados para casa e não vendíamos nada. Outra coisa, a concorrência era super leal (fato raro hoje em dia) entre a gente e os outros vendedores de picolé, cada um tinha sua rota e clientela definida. Olhem, a gente andava, tinha dia que chegávamos a vender dois carrinhos cheios de picolé. Com a comissão em mãos corríamos para a banquinha perto da escola comprar figurinhas.

Voltei pra casa nostálgico e degustei o petit gateau com sorvete de creme.

A primeira comunhão e o trem

Sempre fui uma pessoa que acreditou em Deus, mas, sou avesso à dogmas e ritos religiosos. Na época devia ter uns 12 anos, minha família era católica e minha mãe matriculou-me na aulas de primeira comunhão que acontecia aos sábados numa sala que ficava ao lado da igreja do bairro. Atrás desta igreja tinha uma linha férrea que era a minha salvação, já entenderão o porquê.

As benditas aulas de primeira comunhão aconteciam todo o sábado cedinho, às 8 horas para ser exato. Juntamente com mais dois colegas andávamos meia hora até chegar na igreja. Olhem as ‘aulas’ eram um porre. A ‘aula’ era ministrada por uma beata alemoa que me fazia dormir na cadeira. Nunca entendi o porque devo me confessar com alguém que é um ser humano igualzinho a mim, cheio de defeitos e pecados. Entendo que devo confessar minhas transgressões diretamente ao Criador, sem precisar de intermediário. Também entendo que a fé, sem conotação religiosa, é capaz de proezas incríveis em nossa vida. O extremismo religioso só traz desigualdades e tristezas para as famílias.

No começo da aula era feita a chamada, depois havia um intervalo que salvava o nosso dia. Presença garantida na chamada, juntamente com meus colegas que vinham comigo pegávamos nossas malas, saímos de fininho até a estação ferroviária e ficávamos esperando o trem passar. Era uma aventura (perigosa) pegar o trem em movimento. Tínhamos que correr paralelamente ao trem e subir na escada que tinha nos vagões. Após estarmos em cima do trem era só alegria, sentávamos em cima de um vagão e admirávamos a bela paisagem até o trem chegar em outra estação que ficava no interior da cidade. Descíamos na estação e voltávamos a pé pelos trilhos do trem até chegar perto da rua onde morávamos.

E assim foram as aulas de primeira comunhão, salvas pelo trem, até chegar a missa de Primeira Comunhão. Um dia antes fomos obrigados a nos confessar com o padre, fui irônico com o sacerdote perguntando quantos Pai-Nossos eu devia rezar por ‘gazear’ as aulas da primeira comunhão e ir passear de trem (rs). Na missa, com toda a família reunida, fiquei num cantinho no início, sai pra fora de fininho pra conversar com as meninas atrás da igreja e só voltei na hora da hóstia (que engoli rapidamente). A única coisa que salvou foi o traje das meninas, todas de branco, algumas com tiaras na cabeça, com suas saias rendadas, algumas mostrando parte das coxas (hehe).

Vejam não estou dizendo que não é importante participar de algum evento religioso (missa, culto, etc), apenas estou citando alguns dogmas que fui obrigado a fazer a contragosto. Cada um de nós tem seu jeito de fazer suas preçes e seus momentos de fé.

Hoje vendo algumas fotos tiradas na época com aquela roupa social (camisa branca, calça social azul e gravatinha borboleta preta) dou risada daquela situação e me recordo do trem.

Os caçadores de borboleta

Este mês terminei de ler o livro O Caçador de Pipas do escritor afegão Khaled Hosseini. Diga-se de passagem um livro extraordinário com uma lição de amizade e perdão singular. Isto me lembrou de algumas passagens da minha infância, também éramos caçadores, mas de borboletas.

Vivi toda a minha infância em pequenas cidades do interior catarinense. Sempre mantive mantenho quando posso o contato com a natureza. Teve épocas de minha infância onde uma de nossas brincadeiras favoritas era a de caçar borboletas para colocar num quadro.

Eu, meu irmão e meu primo tínhamos toda uma técnica para conseguir capturar as borboletas. Primeiramente juntávamos alguns sacos de batata, aqueles com rede amarela, depois pegávamos um cabo de vassoura velho e um arame para fazer o ‘coador’ (não achei palavra melhor e não me lembro qual nome deste artefato) para capturar as borboletas.

Depois desta etapa, os três partiam para a caçada nos campos que margeavam as nossas casas. Inúmeras vezes adentrávamos longe mata a dentro para tentar capturar as borboletas mais bonitas.

As borboletas totalmente verdes eram as mais raras e mais difíceis de capturar. Acho que em todas as nossas caçadas pegamos apenas umas duas ou três.

Tinham também as gigantes borboletas azuis que voavam muito alto e quase nunca conseguíamos pegar. Algumas eram tão fáceis de capturar que nem desejávamos capturá-las (aquelas de cor laranja que ficavam estáticas sobre as flores, senão me engano borboleta monarca.

Depois da captura das borboletas, trazíamos elas para casa, escolhíamos as mais bonitas e colocávamos elas num quadro. Tiveram alguns quadros que até vendemos para os vizinhos.

Hoje, sei que era uma brincadeira de criança, mas errada. Com a consciência da preservação do meio ambiente prefiro observar a beleza das borboletas livres no seu habitat natural. Quando os meus sobrinhos veem uma borboleta e pedem para eu pegar para eles, eu converso com eles sobre a liberdade dos bichinhos, ficamos bem quietos observando as borboletas e eles entendem que:

A verdadeira beleza é aquela que é livre.

O doador de sonhos

Quinta feira, véspera de feriadão, saio às 17h00 com a missão de comprar chocolates para os meus sobrinhos. Bom como sou objetivo já estava com a lista definida. Lá fui eu andando pela XV até chegar numa rede de lojas. Pensem na quantidade de pessoas e na confusão que estava, os corredores estavam intransitáveis. Peguei uma cestinha, escolhi os ovos e em 5 minutos já estava na fila de pagamento. Quase que desisto, parecia fila de compra de ingresso para final de campeonato de futebol. 40 minutos até chegar ao caixa.

Interessante a estratégia que as lojas utilizam para fazer com que o cliente compre mais algum produto antes de chegar ao caixa. Colocam uma grande variedade de guloseimas nas prateleiras dos corredores do caixa para tentar fisgar o cliente pelo paladar.

Lá estava eu andando feito tartaruga. Chocolate deixado pra todo lado. As pessoas são indecisas mesmo, pouco antes de chegar no caixa vão deixando produtos em qualquer canto. Um pouco antes de chegar a minha vez de ser atendido olhei um pacote grande de sonho de valsa me convidando a levá-lo. Pensei comigo: e porque não. Pus o pacote na cestinha andei até uma caixa, efetuei o pagamento, sai com uma sacola gigante, fui até uma promotora de uma marca de chocolate retirar meu brinde. En passant: fiz uma continha básica usando regra de três e descobri que os ovos estavam a peso de ouro: em média 120 reais o quilo! Ai meu bolso.

Bem sai em direção a XV com um plano na cabeça. Dizem que existe o vendedor de sonhos, bem naquela tarde fui o doador de sonhos. Lá fui eu em minha missão. Havia muitas famílias passeando pelas ruas naquela tarde o que simplificou a minha missão.

A primeira criança agraciada foi um garotinho moreno. Cheguei perto dele, estendi minha mão com o sonho e disse: quer um sonho para a Páscoa? E assim fui doando sonhos para as crianças. Não me esqueço das duas adolescentes em trajes escolares dizendo em coro: também quero!

Pouco antes de chegar no ponto de ônibus o pacote de sonhos estava vazio. O doador lembrou de cada sorriso por cada sonho doado e refletiu que sua atitude tornaria a Páscoa de muitas famílias mais doce. Adentrei ao ônibus feliz da vida.

No dia seguinte viajei para a casa dos meus pais. Quando recebi um abraço quíntuplo recebi meu pagamento incalculável. E você já doou algum sonho a alguém, seja de chocolate, de alegria, de amizade, de esperança ou de amor?

Sobremesa

Dia destes, após o almoço, fui servir-me de um pouco de sobremesa, vi as travessas cheias de guloseimas que acabam com qualquer regime. Uma sobremesa específica chamou-me à atenção: era uma mousse de chocolate com amoras. Claro que peguei duas taçinhas desta sobremesa (rs). Fechei os olhos e recordei-me de momentos da minha infância.

Lembro-me que perto da nossa casa havia uma pequena mata onde eu, meu irmão e meu primo adorávamos brincar. Nesta mata havia muitos pés de amora silvestre. Pegávamos uma sacola, adentrávamos na mata e procurávamos amoras para colher. As amoras que colhíamos eram de dois tipos: uma maior e mais doce e uma menor e mais azeda. Durante a colheita das amoras era comum machucarmos nossos braços com os espinhos das amoras. É tudo tem seu sacrifício. Teve até uma vez que cai no meio de um urtigueiro, fiquei a tarde toda com uma coceira irritante nas costas.

Chegávamos em casa com a sacola repleta de amoras. Pedíamos umas canecas para a minha mãe. Colocávamos as amoras dentro das canecas, macerávamos elas juntamente com açúcar e comíamos com gosto. Até me deu água na boca de relembrar. Era muito legal ver nossas bocas, ficavam roxas.

Dia destes, brincando com meus sobrinhos de piquenique nesta mesma mata, eis que descubro um pé de amora. Claro que colhi estas amoras e comemos elas com açúcar igual eu fazia quando eu era criança. Ainda bem que posso relembrar e reviver algumas lembranças de minha infância, nossa mente adquire paz. Experimente você também.

O preço de um sorriso

Estava um dia ensolarado, trabalhei até o meio-dia, depois do almoço aproveitei meu banco de horas para ir devolver meu livro e emprestar outro na biblioteca do bondinho. Ônibus lotado, um calor infernal. A parte boa é que a mulherada se solta nas roupas mais sexies. Desço, começo a percorrer a rua XV, adentro num shopping popular e compro uma água de coco para amenizar o calor. A mulherada desfilando com seus shortinhos e tomaras-que-caia embelezando ainda mais aquela tarde de verão.

15 minutos depois, chego no bondinho, devolvo meu livro e empresto outro. Sigo de volta para pegar o ônibus para casa. Gente, muita gente. Vendedores de rua de toda a espécie tentando convencer os pedrestes do benefício dos seus produtos. Eis que vejo um palhaço vendendo cachorrinhos de bexiga. Por coincidência era o mesmo palhaço de quem outrora tinha comprado 3 cachorros. Observei sua arte em confeccionar o cachorrinho de bexiga vermelho. Paguei-o, sai a procura de um alvo. Antes porém adentrei num mercadinho e comprei um pacote de balas.

Ao longe pude vislumbrar uma mãe com sua pequena filhinha. Loirinha, cabelos longos com tranças e presilhas, uma camiseta branca e uma pequena saia rosa, nos pés uma sandália também rosa. Vi que ela estava alegre e saltitante e falava como um papagaio. Aproximei-me, parei em sua frente, abaixei-me, tirei as mãos das costas e entreguei-lhe o cachorrinho juntamente com o pacote de balas. Ela olhou para mim abriu um magnífico sorriso, olhou para sua mãe e disse: olha mãe um cachorrinho vermelho e muitas balas. Sua mãe disse pra ela: agradeça ou moço. Ela voltou a me agraciar com seu sorriso inocente e disse: brigada moço. Ela saiu tagarelando com sua mãe e eu segui meu rumo alegre e contente.

Se dependesse de mim os palhaços vendedores de cachorrinhos de bexiga sempre terão clientes. O sorriso daquela criança custou apenas 50 centavos, mas a satisfação que me proporcionou não tem preço.

A técnica infalível

Final de semana ataquei de cozinheiro, meu tio e meu avô não reclamaram. Também era a única opção deles (rs). Explico: minha tia foi para Santa Catarina fazer bolachas de melado juntamente com a minha mãe. No domingo à noite ela voltou com dois baldes cheios de bolacha, óbvio que já atacamos algumas. Sabem me deu uma nostalgia ao comer aquelas bolachas, eu conto a história:

Todo o ano na véspera do Natal minha amada mãe faz bolachas de melado e de polvilho. Quando eu e meu grande irmão éramos pequenos minha mãe fazia muitas bolachas com a ajuda de minha avó paterna (in memorian) e fazia uma distribuição entre os vizinhos e parentes.

Eu e meu irmão ficávamos observando o jeito dela fazer as bolachas. A mesa ficava repleta, coisa linda de ver. As bolachas eram feitas com o auxílio de algumas fôrmas com diferentes formatos (estrelas, bichos, árvores de Natal, etc). Depois ajudávamos nossa mãe a assar as bolachas num forno de barro que ela fez com a ajuda de minha avó. Lembro-me que depois de assadas já comíamos algumas ainda quentes e levávamos uma bronca porque podia causar dor de barriga. Quem já fez isto uma vez na vida sabe do gosto que tem: gosto de infância.

Depois de assadas vinha a parte legal. Minha mãe fazia um tipo de cobertura de clara de ovo para as bolachas e enfeitava-as com açúcar granulado colorido. Ficavam lindas de se ver e comer. Ao final ela pegava um jogo de latas azuis com detalhes floridos que ganhou de sua mãe (in memorian), colocava as bolachas dentro e guardava as latas em cima do armário.

Eu e meu irmão inventamos uma técnica para ‘roubar’ as bolachas. Como éramos pequenos não conseguíamos pegar as latas. Puxávamos uma cadeira perto do armário, meu irmão segurava esta cadeira, eu subia nela e com muito esforço conseguia puxar a lata de bolachas pra baixo. Aprendendo a ajúda mutua desde pequeno.

Com a lata em mãos, abríamos ela, despejávamos as bolachas na mesa, pegávamos umas três bolachas para cada um e apenas lambíamos a cobertura com açúcar até a bolacha ficar sem cobertura alguma. Colocávamos novamente estas bolachas no fundo da lata com as que ainda estavam enfeitadas por cima para que nossa mãe não desconfiasse de nada.

Ela só percebia a arte que fazíamos com as bolachas quando as bolachas estavam acabando. Ouvíamos seu sermão, mas podíamos perceber a sua felicidade em nos proporcionar a oportunidade de comer as suas deliciosas bolachas de melado.