De uma cena inesquecível

Sexta-feira, 17h00 da tarde, véspera do final de semana dos Dia dos Pais. Mochila com as cores do Brasil nas costas, lá vou eu andando uns bons trinta minutos até chegar no ponto para pegar o ônibus. Dei sorte, consegui achar um lugar para sentar.

30 minutos de viagem que durou um pouco mais devido ao intenso trânsito. Fazia um calor fora do comum para um inverno aqui em Curitiba. Estava eu pensativo com algumas coisas, devaneando com meus botões sobre alguns planos para um futuro próximo. Fazia um final de tarde muito bonito na capital das araucárias.

Desço do ponto, cruzo a rodovia rapidamente, desacelero o passo para ver o lindo pôr do sol que se formava. Viro uma esquina, caminho mais um pouco, percebo ao longe alguém vindo em minha direção correndo. Sim, é ela!!!

Ela vem correndo em minha direção, toda linda, cabelos na altura dos ombros bailando ao vento. Ela apressa a corrida quando se aproxima de mim. Abro os braços, ela como de costume, se joga neles com toda a alegria. Nosso tradicional beijo na bochecha, ela me olha profundamente, me entrega uma pequena sacolinha e me diz:

FELIZ DIA DOS PAIS!!!

Meus olhos embargaram na hora!!! Parei, sentamos num banquinho em frente à sua casa, abri o presentinho que ela me deu e junto dele uma montagem que ela fez pra mim: uma letra L recortada de uma folha de papel sulfite. Dentro desta letra desenhada poucas frases escritas com uma letra infantil em diversas cores. Ao ler este recadinho meus olhos se encheram de lágrimas, minha voz ficou presa na garganta. Eis o conteúdo da mensagem:

Amigo é coisa é pra se guardar debaixo de sete chaves, assim falava a canção.

Luidi, você não é meu pai, mas é como se fosse muito mais. Luidi você sempre me ajudou em tudo.

Obrigada por tudo!!!

Pai não é aquele que gera um novo ser. Pai é aquele que cria, dá carinho, ensina, orienta, ouve com atenção, sempre está junto nos momentos sejam eles felizes ou tristes. Pai, é ter responsabilidade com o futuro de uma criança, é dar Amor incondicional, é sacrificar se preciso for os seus sonhos em prol dos sonhos dos seus filhos.

Para todos os pais, que Deus abençoe todos os dias de seu viver, com muita paz, alegria e prosperidade. Que nunca desanimem frente aos obstáculos da vida visando sempre o bem estar de sua família.

Feliz Dia dos Pais

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Memento vivere

Ah, a vida esta doce caixinha de surpresas. Ação, movimento, alegrias, surpresas.

Ah, a vida esta linha tênue recheada de oscilações atemporais e inconstantes, montanha russa de situações e emoções.

Ah, a vida, mar calmo sem ondas, mar bravio cheio de tormentas, silêncio, turbulência.

Ah, a vida, um segundo apenas pode mudá-la para sempre. Mais uma grata surpresa destinou a este pobre mortal que agora compartilho com vocês.

Dizem que todo homem precisa fazer três coisas antes de partir: plantar uma árvore (já fiz), escrever um livro (meus posts aqui já dariam rascunho para um livro de memórias) e ter um filho (ainda me falta ao menos que eu saiba). Mas existem inúmeras outras coisas que devemos fazer enquanto vivermos, uma delas é um jantar especial (na minha opinião), tipo aquele jantar do clássico A Dama e o Vagabundo. Pois bem, depois de muito planejamento, economizando no almoço do dia a dia (sou expert nisso) e aproveitando das compras coletivas e do parcelamento do cartão de crédito consegui concretizar um sonho meu de infância: levei mi passione para jantar num restaurante famoso aqui em Curitiba: o Duo Cuisine.

Eu sei que para muitos isso possa soar como algo normal, mas para mim nem consigo quantificar a alegria que tive pela concretização deste sonho. Fiz o script bem certinho: agendei com mi passione, óbvio que não contei o nome do restaurante. Eu parecia um adolescente querendo impressionar e surpreender. E consegui ouvindo as palavras dela depois e notando a felicidade em seu semblante. Eu sei que a diferença está nas pequenas coisas diárias que fazemos para quem amamos, mas uma surpresa diferente de vez em quando salpica mais tempero em nossas relações.

Estava ansioso, não tenho como negar. Esperei-a para tomarmos um táxi e ir até o restaurante. Quando a vi meus olhos brilharam de alegria. Estava divina na sua simplicidade peculiar. Notei os brincos que lhe dei de presente tempos atrás, o batom rosa discreto delineando seus lábios chamativos, sua camiseta em tons de amarelo ressaltando o belo e convidativo volume dos seus seios, sua calça jeans básica, seu sorriso de Afrodite me conduzindo aos Elíseos. Eita, espera um pouco preciso respirar, senão…

Dentro do táxi, ela com toda a malícia me perguntando: aonde você vai me levar? Desconversei e entrelaçei minha mão com a dela e conversamos divertidamente até chegar ao restaurante. Bom, pra quem conhece o Duo Cuisine não preciso dar detalhes, fiquei maravilhado com o ambiente e com o atendimento prestado.

Chegando no restaurante, fomos atenciosamente conduzidos ao segundo andar e quando vimos o ambiente ficamos enebriados com a beleza da decoração e mi passione murmurou no meu ouvido: luidi, me surpreendeu!!! Sentamos perto da janela, a mesa tinha uma iluminação natural rosa clara proporcionada por uma lindíssima vela decorativa que dava ao ambiente um ar elegante e aconchegante. Desculpem-me pelos superlativos, mas o lugar é show. Entrelaçamos nossas mãos antes do jantar ser servido agradecendo a vida por mais um momento especial que estávamos vivendo.

O jantar foi igual à filme romântico, igualzinho aos meus sonhos. Um bom vinho, uma boa entrada, um ótimo filet mignon, doces e provocativas brincadeiras, uma deliciosa sobremesa e uma esplendorosa companhia. Apenas faltou um detalhe, a cena do macarrão (rs). Degustamos calmamente o jantar, ao final, trouxe-a junto ao meu peito e beijei-a torridamente já sentindo os efeitos do vinho (afinal ela tomou apenas duas taças e eu tomei o restante da garrafa rs).

Em silêncio deixamos o restaurante, e ao som de Def Leppard – Love Bites ela recostou sua cabeça em meu ombro enquanto eu vagarosamente fazia carícias em seu cabelo (cena inesquecível). O depois, bem, fica na imaginação de cada um.

Ah, a vida:

Aproveite-a agora enquanto tens paixão, enquanto teu coração bate, enquanto tem com quem compartilhar tuas duras vitórias.

Amizade colorida

Engraçado notar como as pessoas atualmente veem as relações sentimentais como se fossem mercadoria de troca que pressupõe algum valor futuro. Nesta vida não somos donos de ninguém, não podemos controlar os anseios e gostos das pessoas que estão ao nosso redor. Lapidar? Sim, com conversas sadias podemos contribuir para o engrandecimento das pessoas que gostamos.

Porque estou dizendo isto? Simples. De tanto eu escrever e elogiar mi passione, algumas pessoas erroneamente pensam que estou em vias de casar-me, que ela é minha propriedade. Desde que a conheci, no final de fevereiro de 2008 numa situação bem atípica, que sempre primei pela liberdade e amizade para com ela. Relacionamentos amarrados que remetem à propriedade a longo prazo acabam gerando grandes frustrações.

Tanto eu quanto ela temos nossa vida particular, nossos projetos e anseios pessoais que podem ser diferentes. Hoje tenho contato com ela, amanhã ou depois posso não ter, a vida é assim, sobram apenas as belas recordações de momentos vividos. Tá parecendo requiem né? Mas não é, apenas um momento de reflexão. Uma das coisas que eu sempre zelo em minha vida são as minhas amizades.

A amizade sobrevive por toda a vida em nossas lembranças.

Acima de tudo tenha uma cristalina amizade com ela, sei que no fim das contas é isto que fará a diferença. Óbvio que a desejo como mulher, mas pra que estragar algo que está bom. Óbvio que sinto-me bem ao lado dela. Óbvio que ela me forneceu bons conselhos e vice-versa. Posso estar errado, mas creio que amigos podem transar sim, a famosa amizade colorida.

Se no futuro seguirmos caminhos diferentes certamente lembraremos do convívio, carinho e amizade que cultivamos.

 

 

 

A lei da reciprocidade

Dia destes, tempo chuvoso na capital paranaense, depois de uma ótima conversa com um colega saio em direção ao tubo pegar o ônibus pra casa. Estava eu com uma pasta cheia de documentos, um guarda-chuva cinza e uma sacola com um tênis que havia comprado.

Caminhei até chegar ao ponto de ônibus que por sinal estava lotado devido a garoa que caía naquela tarde fria. Para quem não conhece as estações tubo possuem rampas para acesso à cadeirantes, mas esta estação estava com problemas nesta rampa. Ao meu lado notei uma mulher com um garoto cadeirante pedindo minha ajuda.

Eu estava com as duas mãos ocupadas. Ao meu lado ouvi uma voz de uma mulher que também estava com as mãos ocupadas mas pediu para eu lhe entregar a minha pasta, o meu guarda-chuva e a minha sacola com o tênis. Ajudei a mulher com o cadeirante, recebi os seus agradecimentos, peguei meus pertences com a mulher e repeti o gesto de agradecimento para ela também.

Como já dizia Newton, para toda a ação existe uma reação. Digo mais, esta reação pode demorar algum tempo, mas vem. Se agirmos de maneira responsável, ajudando as pessoas com simples gestos, a reciprocidade também será na mesma moeda. Cada boa ação que fazemos é como uma corrente que vai enlaçando as pessoas ao redor e que jamais saberemos o seu tamanho e onde chegará. Como gosto de citar:

Um simples gesto compartilhado pode mudar a vida de muitas pessoas.

O doador de sonhos

Quinta feira, véspera de feriadão, saio às 17h00 com a missão de comprar chocolates para os meus sobrinhos. Bom como sou objetivo já estava com a lista definida. Lá fui eu andando pela XV até chegar numa rede de lojas. Pensem na quantidade de pessoas e na confusão que estava, os corredores estavam intransitáveis. Peguei uma cestinha, escolhi os ovos e em 5 minutos já estava na fila de pagamento. Quase que desisto, parecia fila de compra de ingresso para final de campeonato de futebol. 40 minutos até chegar ao caixa.

Interessante a estratégia que as lojas utilizam para fazer com que o cliente compre mais algum produto antes de chegar ao caixa. Colocam uma grande variedade de guloseimas nas prateleiras dos corredores do caixa para tentar fisgar o cliente pelo paladar.

Lá estava eu andando feito tartaruga. Chocolate deixado pra todo lado. As pessoas são indecisas mesmo, pouco antes de chegar no caixa vão deixando produtos em qualquer canto. Um pouco antes de chegar a minha vez de ser atendido olhei um pacote grande de sonho de valsa me convidando a levá-lo. Pensei comigo: e porque não. Pus o pacote na cestinha andei até uma caixa, efetuei o pagamento, sai com uma sacola gigante, fui até uma promotora de uma marca de chocolate retirar meu brinde. En passant: fiz uma continha básica usando regra de três e descobri que os ovos estavam a peso de ouro: em média 120 reais o quilo! Ai meu bolso.

Bem sai em direção a XV com um plano na cabeça. Dizem que existe o vendedor de sonhos, bem naquela tarde fui o doador de sonhos. Lá fui eu em minha missão. Havia muitas famílias passeando pelas ruas naquela tarde o que simplificou a minha missão.

A primeira criança agraciada foi um garotinho moreno. Cheguei perto dele, estendi minha mão com o sonho e disse: quer um sonho para a Páscoa? E assim fui doando sonhos para as crianças. Não me esqueço das duas adolescentes em trajes escolares dizendo em coro: também quero!

Pouco antes de chegar no ponto de ônibus o pacote de sonhos estava vazio. O doador lembrou de cada sorriso por cada sonho doado e refletiu que sua atitude tornaria a Páscoa de muitas famílias mais doce. Adentrei ao ônibus feliz da vida.

No dia seguinte viajei para a casa dos meus pais. Quando recebi um abraço quíntuplo recebi meu pagamento incalculável. E você já doou algum sonho a alguém, seja de chocolate, de alegria, de amizade, de esperança ou de amor?

Um simples gesto

Esta é uma daquelas histórias que todos nalgum momento da vida já passaram ou vão passar algum dia. Ela estava guardadinha em minha memória por mais de dois anos e nesta véspera de feriado de Páscoa resolvi compartilhar e espero que alguma coisa boa eu possa passar com ela.

Meados de 2009, um dia frio na capital paranaense. Estava p da vida com alguns fatos que desencadearam uma sequência enorme de mudanças pessoais e profissionais em minha vida. Tinha que ir no banco encerrar uma conta corrente. Enfrentei uma fila gigantesca. Época difícil, sai apenas com o dinheiro do ônibus e do almoço. Quando enfrento dias difíceis uma válvula de escape que eu tenho é caminhar. Sai do banco e decidi caminhar para esfriar a cuca.

A agência bancária ficava perto de uma BR, era perto do meio-dia lembro-me perfeitamente. Começei a andar pela marginal desta BR e analisava algumas situações que eu precisava resolver. Sabem, têm coisas que acontecem em nossa vida que somente com o tempo você vai compreender o seu significado.

Em minha direção vinha uma mulher maltrapilha juntamente com duas crianças: uma menina em torno de uns 7 anos de idade e um menino em torno de 4 anos de idade. A mulher chegou perto de mim, vi um olhar tão triste nela que cortou meu coração. Ela com aquele olhar triste implorou-me se eu não poderia comprar um salgado para ela dar as crianças. Veio um nó em minha garganta e uma lágrima quase rolou pelo meu rosto.

Olhei atentamente as duas crianças com seus sorrisos puros a me fitar. A menina estava com uma blusinha de lã azul esfarrapada, cabelinhos loiros encaracolados. O menino com uma blusa marrom, cabelos castanhos bem curto. Ambos com moleton de um colégio. Na hora lembrei da minha sobrinha e do meu sobrinho que na época tinham quase a mesma idade daquelas duas crianças. Disse que pagaria um almoço para eles e pedi que me acompanhassem até um restaurante que tinha perto da BR.

Ajudei-a a servir as duas crianças, servi-me também e sentamos para comer. Meu olhar não conseguia deixar de olhar aquelas duas pobres crianças naquele instante de felicidade que eu estava proporcionando para elas.

Ao final tive a felicidade de viver uma cena que volta e meia vem à tona em minha mente. A mesma emoção que senti naquele dia frio de inverno, estou sentindo agora. Pouco me importa se alguém me ver com os olhos vermelhos, são lágrimas de felicidade.

A menininha chegou perto de mim e disse-me: – tio, você é um anjo? Posso te dar um abraço e um beijo tio? Abaixei-me, os dois me abraçaram e me beijaram. Lágrimas rolaram dos meus olhos. A mulher me disse: – que Deus abençoe todos os teus passos meu filho.

Sai chorando do restaurante. Caminhei uma hora e meia até chegar a casa da minha tia. O bem que este simples gesto me proporcionou não há preço que pague. Naquela mesma semana me ligaram agendando uma entrevista e na semana seguinte já estava novamente trabalhando. Coisas que somente a vida nos ensina.

Que nesta Páscoa a vida possa te surpreender com momentos assim, que os teus simples gestos para amenizar a dificuldade das pessoas que possuem menos que você te tragam paz e felicidade. Aproveite as oportunidades de fazer alguém feliz, pois pra você pode ser apenas um simples gesto, mas para quem recebe é uma prova de amor sem igual.

Muito além dos ovos de chocolate que você vai dar para os seus familiares e amigos (hoje tenho a missão de comprar ovos para os meus cinco sobrinhos rs), a Páscoa é a renovação da esperança de uma vida digna que cada um almeja para o seu semelhante.

Uma abençoada e Feliz Páscoa à todos.

Primeira série

Pois é já estamos em fevereiro. Em poucos dias milhões de estudantes do nosso querido país voltam as aulas. Minha adorável sobrinha que vai adentrar a primeira série do ensino fundamental (na minha época ainda se chamava primário), com todo o seu jeito encantador, pediu-me uma mochila de rodinha das princesas, uma caixa de lápis de cor e um caderno de desenhos. Poxa vida como o tempo passa. Ela sentou-se em meu colo, olhou-me e curiosa que é perguntou-me como era a minha primeira série. Ajeitei-me no sofá e contei pra ela.

1984. Não, não vou falar sobre o famoso livro. Morávamos numa vila do interior catarinense. Lembro-me que minha mãe deu-me um sermão um mês antes de eu ter meu primeiro dia de aula. Aquelas coisas que mãe sempre nos fala, estude meu filho para você ser alguém na vida. Não é que ela estava certa. Lembro-me do meu primeiro dia de aula como se fosse hoje.

Acordei-me as seis da matina com o cantar do galo (hoje não é diferente, bom não tem mais o cantar do galo, apenas sons de carros). O rosto lavado com sabão de pedra (sabonete na época nem sabia do que se tratava), o cabelo penteado, aquele café preto forte com duas fatias de pão, a roupa vestida (uma calça de brim azul e uma camiseta branca), a conga nos pés (na época dos meus pais iam de chinelo de dedo pra escola), a pasta escolar debaixo do braço com um caderninho de 40 folhas, um lápis preto e uma borracha. Minha mãe tinha um zelo ímpar para fazer a encadernação dos meus cadernos. Ela pegava pacotes de arroz, media-os, cortava-os, pedia minha ajuda para pregar o durex e ao término colocava uma etiqueta onde eu escrevia meu nome, a série e a matéria. Fez isto comigo até a quinta série e com todos os outros meus irmãos.

No primeiro dia minha mãe quis levar-me na escola, fiquei meio sem jeito e decidi ir sozinho. Antes de sair novamente aquele conselho de mãe. Passei a tramela no portão de nossa casa, minha mãe ficou olhando-me com um brilho no olhar. Lá fui eu. Pude observar diversas nuances de uma manhã de verão interiorana. As chaminés das casas espelindo fumaça no ar, os raios de sol atravessando por entre os galhos dos pinheiros, os quero-queros fazendo algazarra no gramado, as vacas sendo ordenhadas no curral, os guapecas latindo nas coxilhas, o som da serra-fita cortando madeira. Caminhava por uma estradinha poeirenta, passava por um pequeno córrego até chegar num mata-burro (pra quem não sabe é um portão feito em forma de V ou L para que as criações não saiam mas que permite a passagem de gente). Passando este mata-burro já avistava a escola. Mais 10 minutos cheguei na escola.

Era uma casa velha feita de madeira. No pátio existiam alguns pés de pêssego que eram disputados pela piazada na hora do recreio. A organização da sala era muito interessante. Havia um velho quadro negro, divido pela professora (dona Júlia) em quatro partes. Calma eu explico. Como não havia outras salas disponíveis a sala era dividida da primeira a quarta série, existiam quatro fileiras de carteiras, uma para cada série. Senão me engano na quarta série tinham apenas uma menina e um garoto, nas outras séries no máximo seis alunos. A professora desdobrava-se para passar matemática e português (as duas únicas matérias que existiam) para as quatro séries.

Desde a primeira série já gostava de resolver continhas (hoje estou enferrujado, nem uma integral polinomial consigo resolver rs). Quando a professora perguntava se alguém queria resolver a continha no quadro, erguia a mão e ia para o quadro resolver. Estava na primeira série mas por diversas vezes resolvia as continhas da segunda, terceira e quarta série. Na matéria de português gostava das estórias contadas pela cartilha que a professora lia.

O recreio então era a maior diversão, uma algazarra e um grande corre-corre de crianças. Por um tempo minha mãe foi a merendeira da escola. Todo o dia ela trazia uma bacia de pão fatiado e um balde de suco. Como era gostoso. As canecas eram compartilhadas pois não havia suficientes para todas as crianças.

Depois que a aula findava, perto do meio-dia, voltava pra casa, almoçava e a tarde fazia as tarefas que a professora tinha passado. E assim foi passando o ano. No final de ano letivo houve um conselho de classe com os pais dos alunos. Fiquei nervoso. Ao final correu tudo bem, minha professora teceu muitos elogios pelo meu desempenho, salvo algumas briguinhas no recreio (rs). Meu pai comprou-me uma conga e uma calça para eu usar no próximo ano de estudo.

Ao terminar de contar esta história para a minha sobrinha, ela olhou-me fixamente e disse: – tio, vou ser tão estudiosa e inteligente igual você foi. Eu, apenas dei-lhe um beijo em sua testa de felicidade.

A educação é o maior legado que os pais podem dar à um filho.

O pagamento

Dois corpos nus repousam após gozarem em perfeita sincronia. Ele, acaricia os cabelos dela com delicadeza. Ela, em silêncio, repousando sua cabeça sobre o seu peito.

Algumas risadas sobre histórias e estórias de suas infâncias preenchem o ambiente com uma harmonia cristalina. Ele, como sempre, motiva ela a continuar buscando as suas metas de vida. Ela escuta-o. Ele vislumbra o brilho em seus olhos. Ela diz: – nossa, não tenho como pagar por tudo que você já fez por mim. Ele responde: – a sua felicidade é o meu pagamento. Ela segura uma lágrima que quis rolar por seu escultural rosto. Ele, fala baixinho ao seu ouvido: – mais alguns beijos pagam algumas parcelas. Ela ri, segura sua nuca e sussura: quantas parcelas você deseja que eu pague? Ele diz: – quantas você quiser. E os lábios colaram-se nervosamente.

Como sempre diz minha sábia mãe: faça as coisas porque elas te deixam feliz, não almeje nada em troca, além da felicidade que os seus atos vão proporcionar para as pessoas que você gosta. É tão bom ouvir que você nalgum momento da vida foi importante para quem você estima, o ego é massageado, a autoestima se renova, você estufa o peito e adquire mais coragem para crescer na sua vida. Ganhei a semana com uma simples e sincera frase.

Sobre a imperfeição

2012 correndo a toda. Férias, verão, sol, calor, praia (não pra mim). As agências de publicidade e propaganda ressaltando a ‘perfeição’ em corpos sarados (vide as propagandas de cerveja). E você aí cultivando uma certa barriga devido a cerveja (propaganda enganosa rs) sonhando nalgum dia ser capa da Men’s/Women’s Health.

É natural para todo o ser humano desejar um belo e saudável corpo, não preciso nem dizer que os benefícios trazidos são permanentes e melhoram substancialmente nossa autoestima. Inconscientemente buscamos a perfeição. Os exageros nesta busca a longo prazo são prejudiciais à nossa vida em inúmeros aspectos.

Somos seres únicos porque justamente temos nossas imperfeições. Você mulher é única porque tem aquela pintinha em seu braço, em seu rosto. Você homem é único porque tem aquela pequena cicatriz de infância em seu joelho daquele tombo de bicicleta que você levou.

Vejam, não estou dizendo para não cuidar de nosso corpo. Estou dizendo que devemos viver naturalmente com nossas imperfeições. Hoje em dia vejo cada vez mais pessoas cirurgicamente robóticas. Você pode sim fazer uma cirurgia para corrigir algo que te incomoda, mas vemos e ouvimos diariamente absurdos em busca da perfeição corpórea que chegam a ser hilariantes. Casos de psiquiatria.

Homem, seja paciente com a gordurinha abdominal extra de sua mulher. Mulher, seja calma para a barriguinha de chopp do seu homem. Lembrem-se de quantas experiências vocês viveram juntos. Cada experiência podendo trazer uma nova imperfeição. Aqueles homens/mulheres muito ‘perfeitos’ são seres de laboratório que ficam incubados vendo a vida passar pelo vidro.

Cuide sim do seu corpo, mas olhe para cada pequena imperfeição e lembre-se que você é único(a).

Páginas em branco

Dizem que todo o começo de um novo ano somos presenteados com mais 365 (366 quando o ano é bissexto) páginas brancas no caderno da vida. A cada dia temos a missão de escrever em cada página nova.  E assim os dias vão passando até chegar a época do final de ano. Aquela correria para comprar presentes, a fila de espera nos aeroportos e rodoviárias, o trânsito caótico em direção as praias.

Ao final do ano, pegamos estas páginas, amareladas pelo tempo, sentamos nalgum lugar tranquilo e comecamos a analisar o que escrevemos nelas. Percebemos que em algumas páginas faltaram linhas para descrever tudo o que fizemos. Noutras, porém, apenas pouquíssimas linhas escritas, sem mudar uma letra por várias e várias páginas. Algumas pessoas percebem que algumas destas páginas estão em branco, apenas a cor mudou devido ao tempo.

Analisando estas páginas, prometemos a nós mesmos que no próximo ano vamos escrever mais coisas diferentes nas próximas 365 páginas que a vida nos dará. Erramos porque apenas avaliamos o que escrevemos nestas páginas ao final de cada ano quando deveríamos semanalmente avaliar o que escrevemos nelas.

Muitos conseguem encontrar as páginas escritas à 5, 10 anos atrás e percebem o que mudou daquelas páginas para as páginas do ano atual. Mudou a escrita, mudou o formato da letra, mudaram-se os personagens, mudou-se o estilo literário. Outros, perderam as páginas antigas.

Ao avaliarmos estas 365 páginas fazemos promessas para as próximas 365 que vamos adquirir. Prometemos escrever mais linhas, prometemos destinar mais páginas ao romance e a comédia e menos páginas ao drama e tragédia. Prometemos ressaltar mais a vida das personagens principais, prometemos construir novas personagens.

Enfim, a vida nos presenteia com 365 páginas em branco, nós somos os escritores de cada nova página em nossa vida. Portanto, apontem bem os lápis, concentrem-se e escrevam belos textos diários em suas páginas.

No mais, agradeço à todos aqueles que destinaram um pouquinho do seu precioso tempo para visitar este cantinho pessoal, e, tiveram paciência para ler os pensares deste que vos escreve sobre as suas histórias de vida e reflexões.

Que Deus cubra suas famílias de paz, saúde, alegria e prosperidade. Vida longa e próspera.

Um Feliz Natal à todos.