Amizade colorida

Engraçado notar como as pessoas atualmente veem as relações sentimentais como se fossem mercadoria de troca que pressupõe algum valor futuro. Nesta vida não somos donos de ninguém, não podemos controlar os anseios e gostos das pessoas que estão ao nosso redor. Lapidar? Sim, com conversas sadias podemos contribuir para o engrandecimento das pessoas que gostamos.

Porque estou dizendo isto? Simples. De tanto eu escrever e elogiar mi passione, algumas pessoas erroneamente pensam que estou em vias de casar-me, que ela é minha propriedade. Desde que a conheci, no final de fevereiro de 2008 numa situação bem atípica, que sempre primei pela liberdade e amizade para com ela. Relacionamentos amarrados que remetem à propriedade a longo prazo acabam gerando grandes frustrações.

Tanto eu quanto ela temos nossa vida particular, nossos projetos e anseios pessoais que podem ser diferentes. Hoje tenho contato com ela, amanhã ou depois posso não ter, a vida é assim, sobram apenas as belas recordações de momentos vividos. Tá parecendo requiem né? Mas não é, apenas um momento de reflexão. Uma das coisas que eu sempre zelo em minha vida são as minhas amizades.

A amizade sobrevive por toda a vida em nossas lembranças.

Acima de tudo tenha uma cristalina amizade com ela, sei que no fim das contas é isto que fará a diferença. Óbvio que a desejo como mulher, mas pra que estragar algo que está bom. Óbvio que sinto-me bem ao lado dela. Óbvio que ela me forneceu bons conselhos e vice-versa. Posso estar errado, mas creio que amigos podem transar sim, a famosa amizade colorida.

Se no futuro seguirmos caminhos diferentes certamente lembraremos do convívio, carinho e amizade que cultivamos.

 

 

 

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Sangue latino

Alguns encontros que temos na vida suscitam algumas lembranças de nossa adolescência, foi assim no último encontro que tive com mi passione. Durante o divertido e caliente encontro (ela estava espetacular com uma leg vermelha rs), enquanto caminhávamos observando o frio cotidiano de uma metrópole, eis que ela me questiona: – Sabe, acho que não mereço todo o seu carinho, tudo o que você faz por mim!

Ah! Os jogos do amor! Recostei sua cabeça no meu ombro, disse baixinho: – Vem cá com teu macho! Meu anjo, quando eu gosto, não gosto pela metade, me atiro de corpo e alma. Afinal, tenho sangue latino correndo nas veias!

Ela pra me atiçar replica: – É! mas você é tão calminho, teu olhar transparece muita serenidade!

Respondi: – Sim sou calmo mas nem por isso deixa de correr paixão no meu sangue, você sabe disso melhor do que ninguém. Deixa eu te contar uma história!

Para começar vou explicar um pouco da personalidade que herdei dos meus pais. Meu pai, homem trabalhador, metódico, sangue quente. Minha mãe, não sabe dizer não, introspectiva e serena. Ambos, pessoas que primam pela simplicidade. Creio que minha calma foi adquirida porque passei mais tempo com a minha mãe. Dito isto, vamos a recordação da primeira frustração amorosa que tive em minha vida.

Tinha 14 anos, CDF com generosas pitadas de peraltiçes, magricela e ponta esquerda da equipe de futebol da escola, puberdade, testosterona e desejos à mil ( hoje continua do mesmo jeito, ainda bem!).

Morremos em vida quando perdemos nossas paixões e desejos.

Diante do espelho ,como quase todo garoto nesta idade, contemplava os primeiros fios de bigode que começavam a nascer em meu rosto, bigode este que cultivei por longos anos. Não tinha problemas em me expressar, fui até orador de Semana da Pátria, exceto, com as meninas no que tangia aos sentimentos do coração, me borrava de medo (hoje ainda tenho certos medos, mas, em escala muitíssimo menor). Timidez esta talvez devido à minha aparência física, que, digamos assim, não era nenhum ‘don juan’ e nem popular afetivamente com as meninas (hoje por incrível que pareça estou bem melhor, ufa, ainda bem). Minha timidez amorosa foi superada pouco tempo mais tarde, a vida se encarrega destas coisas (rs). Desde pequeno tive meus momentos introspectivos e ‘dores’ causadas por paixões platônicas.

Como nos contos românticos, o feio atrae-se pelo belo. Tinha tudo para dar errado. E na época deu! Anos mais tarde houve um ressarcimento (rs).

A causa de tudo: ela, 15 anos, corpo esbelto, cabelos castanhos longos e encaracolados, moça que adorava ser o centro da atenção de todos, cobiçada por todos os meninos do colégio. Como mencionei no início do texto, me entrego de alma e coração pelo que faço. Fazia algum tempo que nutria uma paixão avassaladora por ela. Sempre fazíamos os trabalhos escolares juntos. Tinha um medo terrível de dar um passo a mais com ela. O tempo foi passando até que num belo dia houve uma festa junina no galpão da escola, foi a gota d’água.

Lembro-me perfeitamente. Fazia frio, já tinha tomado umas batidas de amendoim (rs) que a gurizada tinha comprado (escondido é claro). A cabeça começou a esquentar, o corpo tomando coragem, pensei comigo: é hoje! Estufei o peito, estava tocando esta melodia (minha memória musical é excelente), comecei a procurá-la pelo galpão. Não devia tê-la procurado, quando a vi meu coração quase parou de tanta dor. Lá estava ela, lindíssima de vestido, aos beijos com um garoto cafajeste-popular que estava na festa. Depois foram apenas flashes, a confusão estabelecida, os socos e pontapés mútuos, aquelas palavras afiadas sendo cravadas em meu peito (você é apenas meu amigo!), o banho gelado para curar o porre que tomei depois (tsctsctsc o primeiro porre foi por causa de uma mulher). Minhas lágrimas misturadas à água que escorria pelo meu rosto, minha voz rouca gritava o nome dela ininterruptamente. Putz, e não foi a única vez que chorei por uma paixão platônica, anos mais tarde, adulto já, me aconteceu nos mesmos moldes (por isso parei de beber em excesso).

No final do ano perdi o contato com ela pois mudamos de colégio, eu continuei estudando no bairro e ela foi estudar no centro da cidade. Muitos anos mais tarde, o tempo, ah o tempo, proveu-me um valoroso ressarcimento.

Matriculei-me num curso de matemática financeira e departamento pessoal, na primeira aula quem eu vejo adentrar a sala de aula! Justamente ela, lindíssima como sempre. Nas primeiras aulas não dei nenhuma atenção para ela, mas, não guardei mágoas, afinal a história ocorrida entre nós foi por causa dos ímpetos da adolescência.

Com o passar do curso notei que ela passou a me ver com outros olhos, talvez pelo meu destaque na sala e pela minha facilidade com os números (Santos números, algumas vezes ajudaram-me na vida). Ela foi se aproximando de mim e num belo dia convidou-me para auxiliá-la em sua casa. A sorte tinha mudado e sorrido pra mim.

Tarde ensolarada, cheguei, fui muito bem recebido com iogurte de morango e começamos a estudar na sala. Fui político só para ver como ela reagia, não demonstrei interesse, mas percebi pelos seus olhares que ela me queria. Aha, pensei, agora é a minha vez.

De repente ela disse pra gente ir estudar em seu quarto que era mais confortável. Detalhe, só estava ela em casa. Quando vi aquela bela cama muitas cenas eróticas se passaram na minha cabeça. Suspirei forte e me contive.

O tempo passando, ela volta e meia mexendo em seus cabelos, tocando propositalmente meus ombros e mãos, quase chegando a hora de irmos para o curso. Então ela resolve ir tomar banho e utiliza de uma técnica que derruba qualquer homem.

Lá estou eu sentado na cama esperando ela tomar banho, quando ouço: viu, você pode me trazer uma toalha que acabei esquecendo? Pensei: seja forte, seja forte! Chegando no box para lhe alcançar a toalha, vendo-a molhada, nuazinha em pêlo, sucumbi a tentação (rs). Foi tórrido e inesquecível.

No decorrer do restante do curso sempre houve estudos à tarde (rs). Certamente que foi um dos melhores curso que eu fiz. O curso terminou, pouco tempo depois entrei na faculdade, ela casou-se e tempos depois teve um filho (não meu rs).

Terminei de contar a história para mi passione, notei que estávamos rindo da situação quando ela me falou: nunca pensei que você fosse capaz disto! Cheguei mais perto dos seus lábios e sussurrei: pra você ver como ainda tenho alguns mistérios, vem cá, deixa eu te aproveitar enquanto eu posso. Colamos nossos lábios fervorosamente.

Hoje, sei que nossa vida é feita por ciclos. Temos alegrias e tristezas nestes ciclos, não somos donos de ninguém e não podemos exigir nada de ninguém. Por isso temos que aproveitar ao máximo os momentos que passamos com quem amamos.

Olha o picolé

É curioso notar como algumas nuances do cotidiano nos remetem à fatos vivenciados à muito tempo em nossa vida.

Dia destes, tarde agradável de sol em pleno inverno curitibano (rs), depois de passar na lotérica fazer uma fézinha, depois passei no supermercado comprar uma caixinha de bolo petit gateau para fazer, algo me recordou de uma bela recordação da minha infância. No caminho do mercado passo por alguns adolescentes que estão andando de skate e conversando em uma esquina. Aquelas duas morenaças entre eles, ave-maria, corpos de mulher, bem, deixa quieto. Chego em casa, rapaz prendado que sou,faço o petit gateau e volto até uma sorveteria comprar sorvete de creme para acompanhar o petit gateau (nham). Vendo a enorme quantidade de sabores do buffet de sorvetes sou transportado no tempo para quase 25 anos atrás.

Meus pais sempre ensinaram eu e meus irmãos a valorizar o trabalho. Na minha descrição ‘quem sou eu’ conto que já trabalhei com diversas coisas em diversos diferentes lugares, e, também já vui vendedor de picolés.

Lembro-me que a minha madrinha de primeira comunhão tinha uns carrinhos de picolé e juntamente com os seus dois filhos vendíamos os picolés para ela em troca de uma pequena comissão que, na maioria das vezes, era utilizada para comprar figurinhas (história para outro post). Carinho abastecido de picolés e ‘moreninhas’ (sorvetes de bauninha ou creme em formato oval com cobertura de uma fina camada de chocolate, uma delícia), saímos em dupla vender os picolés.

Para chamar à atenção da clientela tínhamos um tipo de apito sonoro (me esqueci do nome) parecido com aqueles instrumentos de sopro que os peruanos utilizam nos concertos da Boca Maldita aqui em Curitiba (rs). Cada um possuía um jeito peculiar de ‘tocar’ o instrumento ‘compondo’ melodias próprias’. Com o passar do tempo já tínhamos nossa rota definida bem como nossos clientes fiéis. Lembro-me que eu sempre vendia cinco picolés de milho verde (rs) para um velhinho que morava perto da escola porque ele me achava parecido com um dos seus netos.

Era uma tarefa divertida, mas não era muito fácil. Tínhamos que empurrar o carrinho por ruas de chão entre as pedras, por ‘intermináveis’ subidas de paralelepípedo, mas sempre dávamos um jeitinho! Colocávamos alguns picolés a mais no carrinho para comermos durante o trajeto, sendo que o que eu mais apreciava era o picolé de nata.

Ficávamos chateados quando chovia no meio do caminho, voltávamos molhados para casa e não vendíamos nada. Outra coisa, a concorrência era super leal (fato raro hoje em dia) entre a gente e os outros vendedores de picolé, cada um tinha sua rota e clientela definida. Olhem, a gente andava, tinha dia que chegávamos a vender dois carrinhos cheios de picolé. Com a comissão em mãos corríamos para a banquinha perto da escola comprar figurinhas.

Voltei pra casa nostálgico e degustei o petit gateau com sorvete de creme.

Testemunhas

Dia dos Namorados. Acordo as seis da matina, faço minha barba cantando baixinho uma melodia. Um perfume básico, visto minha camiseta cor ameixa (rs) e vou para o centro de Curitiba. Uma mensagem contendo apenas alguns caracteres: café com leite + misto quente + surpresa? Te espero na praça!!!

As ruas ainda vazias, adentro em duas lojas, adquiro as surpresas, caminho um pouco, chego na praça, sento num banquinho e fico a observar os pombos fazendo coreografias nas árvores.

Eis que meus olhos alegram-se vislumbrando seus lindos cabelos loiros vindo em minha direção. Mirei-a de cima até embaixo observando cada detalhe do seu lindo e jovial corpo ornado com uma calça de couro preta que quase mata o véio. Aquele abraço apertado de boas vindas, aquele beijinho na bochecha e aquele sorriso apaixonante.

Adentramos uma lanchonete, nos servimos e fui retirando as testemunhas da sacola. Um ursinho de pelúcia com roupa rosa escrito I Love You em sua barriga, um sapinho divertido e uma caixinha de chocolates em formato de coração. Vi que as moças da lanchonete suspiraram. Ela me olhou, juntou suas mãos com as minhas e me presenteou com seu hipnotizante sorriso. Mas ainda faltava mais uma testemunha.

Após o café saímos pela rua XV caminhando alegremente. Eu feliz igual moleque que ganha bola nova de presente. Voltei cantando a mesma melodia quando estava fazendo a barba. Eis que ela começa a me acompanhar na cantoria. Um pouco a frente, ‘roubo’ uma flor amarela do canteiro e entrego para ela. Ela timidamente me falou: você me enchendo de presente e eu não te dou nada. Respondi prontamente:

Meu maior presente é ter a honra de tua companhia.

Fui agraciado com mais um sorriso e um beijo de quero mais. Não é preciso grandes gestos cinematográficos para demonstrar amor. O amor está contido em pequenos gestos de carinho que fazemos diariamente, seja uma mensagem bonita ou uma flor roubada do canteiro. Outra coisa: quem ama demonstra o seu amor, não apenas no Dia Dos Namorados, mas em qualquer momento.

Feliz Dia Dos Namorados à todos!!!

Crimes no frio

Feriadão muito chuvoso e frio na capital das araucárias. Sabem aqueles dias que você quer ficar apenas embaixo das cobertas, comendo guloseimas sem nada para fazer. Pois é, aproveitei o clima frio para tomar chocolate quente e ler Agatha Christie.

Recentemente adquiri alguns pocket books da rainha do crime. Minha ideia é devagarinho completar a coleção de livros dela. Sempre gostei do estilo fantástico de escrever da Agatha Christie. Seus livros são espetaculares, daqueles que você começa a ler e não para mais até chegar ao fim. A perspicácia com a qual ela constrói o enredo de suspense e mistério acerca de um enigma ou crime é algo único. Minha voracidade literária devorou 2 livros dela neste feriadão (já tinha lido Os 5 porquinhos).

O primeiro intitulado M ou N foi escrito pela rainha do crime em 1941. Trata-se de conspirações acerca da segunda guerra mundial envolvendo altos escalões de agências de inteligência britânica. A história é baseada num casal de meia idade (Tommy e Tuppence beresford) que volta a ativa tentando descobrir quem são os agentes nazistas infiltrados na Inglaterra. O desfecho do livro é simplesmente fantástico consagrando a sagacidade e detalhismo peculiares à Agatha Christie.

O segundo intitulado Os 13 Enigmas trata-se do famoso Clube das terças-feiras encabeçado pela astuta Miss Marple que ao lado de Hercule Poirot (o único personagem que teve sua morte noticiada no obituário do New York Times) formam os dois maiores personagens da rainha do crime. O livro conta 13 enigmas, todos solucionados pela Miss Marple. Nestes enigmas é possível notar a perspicácia dos pequenos detalhes na resolução destes enigmas. Hoje estou começando a ler Os Crimes ABC.

Agora que comecei a ler a rainha do crime não irei parar tão cedo.

A primeira comunhão e o trem

Sempre fui uma pessoa que acreditou em Deus, mas, sou avesso à dogmas e ritos religiosos. Na época devia ter uns 12 anos, minha família era católica e minha mãe matriculou-me na aulas de primeira comunhão que acontecia aos sábados numa sala que ficava ao lado da igreja do bairro. Atrás desta igreja tinha uma linha férrea que era a minha salvação, já entenderão o porquê.

As benditas aulas de primeira comunhão aconteciam todo o sábado cedinho, às 8 horas para ser exato. Juntamente com mais dois colegas andávamos meia hora até chegar na igreja. Olhem as ‘aulas’ eram um porre. A ‘aula’ era ministrada por uma beata alemoa que me fazia dormir na cadeira. Nunca entendi o porque devo me confessar com alguém que é um ser humano igualzinho a mim, cheio de defeitos e pecados. Entendo que devo confessar minhas transgressões diretamente ao Criador, sem precisar de intermediário. Também entendo que a fé, sem conotação religiosa, é capaz de proezas incríveis em nossa vida. O extremismo religioso só traz desigualdades e tristezas para as famílias.

No começo da aula era feita a chamada, depois havia um intervalo que salvava o nosso dia. Presença garantida na chamada, juntamente com meus colegas que vinham comigo pegávamos nossas malas, saímos de fininho até a estação ferroviária e ficávamos esperando o trem passar. Era uma aventura (perigosa) pegar o trem em movimento. Tínhamos que correr paralelamente ao trem e subir na escada que tinha nos vagões. Após estarmos em cima do trem era só alegria, sentávamos em cima de um vagão e admirávamos a bela paisagem até o trem chegar em outra estação que ficava no interior da cidade. Descíamos na estação e voltávamos a pé pelos trilhos do trem até chegar perto da rua onde morávamos.

E assim foram as aulas de primeira comunhão, salvas pelo trem, até chegar a missa de Primeira Comunhão. Um dia antes fomos obrigados a nos confessar com o padre, fui irônico com o sacerdote perguntando quantos Pai-Nossos eu devia rezar por ‘gazear’ as aulas da primeira comunhão e ir passear de trem (rs). Na missa, com toda a família reunida, fiquei num cantinho no início, sai pra fora de fininho pra conversar com as meninas atrás da igreja e só voltei na hora da hóstia (que engoli rapidamente). A única coisa que salvou foi o traje das meninas, todas de branco, algumas com tiaras na cabeça, com suas saias rendadas, algumas mostrando parte das coxas (hehe).

Vejam não estou dizendo que não é importante participar de algum evento religioso (missa, culto, etc), apenas estou citando alguns dogmas que fui obrigado a fazer a contragosto. Cada um de nós tem seu jeito de fazer suas preçes e seus momentos de fé.

Hoje vendo algumas fotos tiradas na época com aquela roupa social (camisa branca, calça social azul e gravatinha borboleta preta) dou risada daquela situação e me recordo do trem.

O primeiro discurso

Na época eu tinha 10 anos de idade, cursava a quarta série do primário. Lembro-me que era véspera da Semana da Pátria e sempre havia apresentações dos alunos para a comemoração da Independência do Brasil. Os professores escolhiam os alunos para fazer as apresentações e também escolhiam quem seria o orador que anunciaria a sequência destas apresentações.

Estava eu sentadinho na última cadeira da fila do meio da sala, aula de matemática, depois viria o recreio. Eis que adentra a sala a diretora da escola chamando pelo meu nome, gelei na hora!!! Ela pediu para que a acompanhasse até a direção. Pensei comigo: ferrou!!! Descobriram que fui eu que soltei o sapo no banheiro das meninas (isto é assunto para outro post).

Chegamos na direção, eu já tremendo de medo, ela vendo meu nervosismo indagou-me porque eu estava nervoso. Desconversei. Ela falou se eu estava disposto a ser o orador das apresentações da Semana da Pátria. Ai sim quase tive uma dor de barriga. Ela disse para eu pensar a respeito no recreio e dar a resposta no final das aulas. Depois de ficar o recreio todo num cantinho pensando a respeito (desde pequeno já pensativo), decidi aceitar.

Lembro-me que houveram dois ensaios para o discurso de apresentação, ambos à tarde. Peguei a folha com um discurso introdutório falando da importância da Independência do Brasil seguido da sequência de apresentações dos alunos (da fanfarra à recitação de poesia). Incrivelmente não gaguejei em nenhum momento dos ensaios.

Na sexta-feira era o dia da apresentação. Vesti uma calça de brim azul, uma conga e uma camisa branca daquelas estilo colegial. 15 minutos antes lá estava eu em frente ao mastro das bandeiras, microfone em punho esperando as professoras organizarem as filas. Todos em posição anunciei o Hino Nacional que foi cantado por todos. Depois de executado o Hino Nacional, li pausadamente o discurso introdutório e em seguida fui anunciando as apresentações. Até parecia um mestre de cerimônias (rs).

Esta experiência vivida aos 10 anos teve um papel fundamental para a formação da minha personalidade que culminou no discurso de oratória quase 20 anos depois na cerimônia de colação de grau do Ensino Superior. E o orgulho dos meus pais me vendo falar na frente de todos com apenas 10 anos de idade (não teve presente melhor do que isto).

A lei da reciprocidade

Dia destes, tempo chuvoso na capital paranaense, depois de uma ótima conversa com um colega saio em direção ao tubo pegar o ônibus pra casa. Estava eu com uma pasta cheia de documentos, um guarda-chuva cinza e uma sacola com um tênis que havia comprado.

Caminhei até chegar ao ponto de ônibus que por sinal estava lotado devido a garoa que caía naquela tarde fria. Para quem não conhece as estações tubo possuem rampas para acesso à cadeirantes, mas esta estação estava com problemas nesta rampa. Ao meu lado notei uma mulher com um garoto cadeirante pedindo minha ajuda.

Eu estava com as duas mãos ocupadas. Ao meu lado ouvi uma voz de uma mulher que também estava com as mãos ocupadas mas pediu para eu lhe entregar a minha pasta, o meu guarda-chuva e a minha sacola com o tênis. Ajudei a mulher com o cadeirante, recebi os seus agradecimentos, peguei meus pertences com a mulher e repeti o gesto de agradecimento para ela também.

Como já dizia Newton, para toda a ação existe uma reação. Digo mais, esta reação pode demorar algum tempo, mas vem. Se agirmos de maneira responsável, ajudando as pessoas com simples gestos, a reciprocidade também será na mesma moeda. Cada boa ação que fazemos é como uma corrente que vai enlaçando as pessoas ao redor e que jamais saberemos o seu tamanho e onde chegará. Como gosto de citar:

Um simples gesto compartilhado pode mudar a vida de muitas pessoas.

A pressa atrapalha

Algum tempo atrás, a libido a mil, a testosterona correndo forte nas veias, e eis que novamente estou entregue as garras da minha felina esfomeada por prazer.

Adentramos num motel, no elevador houve uma sessão de beijos temperados de malícia. Corpos quentes e desejosos de luxúria. Lembro-me que minha camisa perdeu uns dois botões quando ela foi ferozmente retirada do meu peito. Meu pescoço foi atacado vampíricamente por dentes afiados de tesão.

Ela encostou-me na parede, sua mão desceu até a minha calça, começou a abrir rapidamente o zíper quando dei um grito de dor. É isso mesmo que vocês estão pensando: o zíper ficou preso na pele da cabeça do ‘meu companheiro’. Ela levou um susto, ficou apreensiva, delicadamente ajudou-me a desprender o zíper, verificou senão havia-o machucado (ainda bem que a cueca o protegeu), levantou seus olhos de encontro aos meus, deu um sorriso maroto e após um beijo de carinho na cabeça do ‘meu companheiro’ que ficou todo alegre e contente.

Foi a segunda vez que isso ocorreu em minha vida, a primeira se a minha memória não estiver enganada, foi quando eu tinha uns 9, 10 anos. Após urinar quando fui fechar o zíper da calça, humm, que dor. Fiquei alguns minutos tentando desprender o zíper mas não conseguia. Fui obrigado a chamar meu pai para desprender o zíper, pensem na minha vergonha nesta situação. Ainda bem que as mulheres não sofrem deste problema.

Os caçadores de borboleta

Este mês terminei de ler o livro O Caçador de Pipas do escritor afegão Khaled Hosseini. Diga-se de passagem um livro extraordinário com uma lição de amizade e perdão singular. Isto me lembrou de algumas passagens da minha infância, também éramos caçadores, mas de borboletas.

Vivi toda a minha infância em pequenas cidades do interior catarinense. Sempre mantive mantenho quando posso o contato com a natureza. Teve épocas de minha infância onde uma de nossas brincadeiras favoritas era a de caçar borboletas para colocar num quadro.

Eu, meu irmão e meu primo tínhamos toda uma técnica para conseguir capturar as borboletas. Primeiramente juntávamos alguns sacos de batata, aqueles com rede amarela, depois pegávamos um cabo de vassoura velho e um arame para fazer o ‘coador’ (não achei palavra melhor e não me lembro qual nome deste artefato) para capturar as borboletas.

Depois desta etapa, os três partiam para a caçada nos campos que margeavam as nossas casas. Inúmeras vezes adentrávamos longe mata a dentro para tentar capturar as borboletas mais bonitas.

As borboletas totalmente verdes eram as mais raras e mais difíceis de capturar. Acho que em todas as nossas caçadas pegamos apenas umas duas ou três.

Tinham também as gigantes borboletas azuis que voavam muito alto e quase nunca conseguíamos pegar. Algumas eram tão fáceis de capturar que nem desejávamos capturá-las (aquelas de cor laranja que ficavam estáticas sobre as flores, senão me engano borboleta monarca.

Depois da captura das borboletas, trazíamos elas para casa, escolhíamos as mais bonitas e colocávamos elas num quadro. Tiveram alguns quadros que até vendemos para os vizinhos.

Hoje, sei que era uma brincadeira de criança, mas errada. Com a consciência da preservação do meio ambiente prefiro observar a beleza das borboletas livres no seu habitat natural. Quando os meus sobrinhos veem uma borboleta e pedem para eu pegar para eles, eu converso com eles sobre a liberdade dos bichinhos, ficamos bem quietos observando as borboletas e eles entendem que:

A verdadeira beleza é aquela que é livre.