A técnica infalível

Final de semana ataquei de cozinheiro, meu tio e meu avô não reclamaram. Também era a única opção deles (rs). Explico: minha tia foi para Santa Catarina fazer bolachas de melado juntamente com a minha mãe. No domingo à noite ela voltou com dois baldes cheios de bolacha, óbvio que já atacamos algumas. Sabem me deu uma nostalgia ao comer aquelas bolachas, eu conto a história:

Todo o ano na véspera do Natal minha amada mãe faz bolachas de melado e de polvilho. Quando eu e meu grande irmão éramos pequenos minha mãe fazia muitas bolachas com a ajuda de minha avó paterna (in memorian) e fazia uma distribuição entre os vizinhos e parentes.

Eu e meu irmão ficávamos observando o jeito dela fazer as bolachas. A mesa ficava repleta, coisa linda de ver. As bolachas eram feitas com o auxílio de algumas fôrmas com diferentes formatos (estrelas, bichos, árvores de Natal, etc). Depois ajudávamos nossa mãe a assar as bolachas num forno de barro que ela fez com a ajuda de minha avó. Lembro-me que depois de assadas já comíamos algumas ainda quentes e levávamos uma bronca porque podia causar dor de barriga. Quem já fez isto uma vez na vida sabe do gosto que tem: gosto de infância.

Depois de assadas vinha a parte legal. Minha mãe fazia um tipo de cobertura de clara de ovo para as bolachas e enfeitava-as com açúcar granulado colorido. Ficavam lindas de se ver e comer. Ao final ela pegava um jogo de latas azuis com detalhes floridos que ganhou de sua mãe (in memorian), colocava as bolachas dentro e guardava as latas em cima do armário.

Eu e meu irmão inventamos uma técnica para ‘roubar’ as bolachas. Como éramos pequenos não conseguíamos pegar as latas. Puxávamos uma cadeira perto do armário, meu irmão segurava esta cadeira, eu subia nela e com muito esforço conseguia puxar a lata de bolachas pra baixo. Aprendendo a ajúda mutua desde pequeno.

Com a lata em mãos, abríamos ela, despejávamos as bolachas na mesa, pegávamos umas três bolachas para cada um e apenas lambíamos a cobertura com açúcar até a bolacha ficar sem cobertura alguma. Colocávamos novamente estas bolachas no fundo da lata com as que ainda estavam enfeitadas por cima para que nossa mãe não desconfiasse de nada.

Ela só percebia a arte que fazíamos com as bolachas quando as bolachas estavam acabando. Ouvíamos seu sermão, mas podíamos perceber a sua felicidade em nos proporcionar a oportunidade de comer as suas deliciosas bolachas de melado.

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