Os caçadores de borboleta

Este mês terminei de ler o livro O Caçador de Pipas do escritor afegão Khaled Hosseini. Diga-se de passagem um livro extraordinário com uma lição de amizade e perdão singular. Isto me lembrou de algumas passagens da minha infância, também éramos caçadores, mas de borboletas.

Vivi toda a minha infância em pequenas cidades do interior catarinense. Sempre mantive mantenho quando posso o contato com a natureza. Teve épocas de minha infância onde uma de nossas brincadeiras favoritas era a de caçar borboletas para colocar num quadro.

Eu, meu irmão e meu primo tínhamos toda uma técnica para conseguir capturar as borboletas. Primeiramente juntávamos alguns sacos de batata, aqueles com rede amarela, depois pegávamos um cabo de vassoura velho e um arame para fazer o ‘coador’ (não achei palavra melhor e não me lembro qual nome deste artefato) para capturar as borboletas.

Depois desta etapa, os três partiam para a caçada nos campos que margeavam as nossas casas. Inúmeras vezes adentrávamos longe mata a dentro para tentar capturar as borboletas mais bonitas.

As borboletas totalmente verdes eram as mais raras e mais difíceis de capturar. Acho que em todas as nossas caçadas pegamos apenas umas duas ou três.

Tinham também as gigantes borboletas azuis que voavam muito alto e quase nunca conseguíamos pegar. Algumas eram tão fáceis de capturar que nem desejávamos capturá-las (aquelas de cor laranja que ficavam estáticas sobre as flores, senão me engano borboleta monarca.

Depois da captura das borboletas, trazíamos elas para casa, escolhíamos as mais bonitas e colocávamos elas num quadro. Tiveram alguns quadros que até vendemos para os vizinhos.

Hoje, sei que era uma brincadeira de criança, mas errada. Com a consciência da preservação do meio ambiente prefiro observar a beleza das borboletas livres no seu habitat natural. Quando os meus sobrinhos veem uma borboleta e pedem para eu pegar para eles, eu converso com eles sobre a liberdade dos bichinhos, ficamos bem quietos observando as borboletas e eles entendem que:

A verdadeira beleza é aquela que é livre.

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Brincar na terra

Final de semana ensolarado, vou ao bondinho da XV devolver um livro e emprestar outro, tomo um café reforçado (meu vale refeição está com ótimo saldo rs), ando um pouco admirando a bela arquitetura feminina. Fico pensando, se Da Vinci vivesse em nosso tempo, quantas belíssimas Monalisas com diferentes sorrisos ele pintaria. Rumo à rodoferroviária, pego o ônibus em direção à Santa Catarina.

Chego atrasado na cidade dos meus pais, o ônibus municipal só sairia depois de uma hora, lógico que não esperei, fui a pé pra casa. No trajeto fiquei pensando comigo mesmo: quantas vezes já fiz este trajeto a pé? Depois de quase uma hora de caminhada sob sol forte sou muito bem recepcionado com beijos e abraços dos meus sobrinhos.

Como já era um pouco tarde, brincamos um pouco na ruazinha ao lado da casa, de bicicleta, de bola, de dar comida ao coelhinho da minha sobrinha. Muito divertida a cena da minha sobrinha tentando ensinar o gato a ficar do lado do coelho sem querer morder as suas orelhas, ri muito.

A noite pedi uma pizza gigante que eu estava ‘devendo’ para a minha sobrinha,  que memória da baixinha, não esqueceu. Dormi ao lado de minha sobrinha e do seu gato, acho que ele arranhou minha barriga porque vi um arranhão no dia seguinte.

Domingão, acordei cedo, um chimarrão com meu estimado pai, assistimos ao Globo Rural. Meus sobrinhos acordaram e em coro me pediram para fazer Nescau pra eles. O ‘piá’ do vizinho chegou com sua bicicleta, pus roupas simples neles e lá fomos brincar num campinho.

Chegando lá, minha sobrinha queria andar na bicicleta. A bicicleta era um pouco grande para ela, mas mesmo assim ela conseguiu dar umas voltas até que ela caiu. Corri para levantá-la e utilizei a psicologia infantil para animá-la e dizer que não foi nada que o tio também tinha caído várias vezes e até mostrei uma pequena cicatriz em meu joelho de um tombo de bicicleta que levei.

Depois fomos brincar num barranco. Cortei pequenos pauzinhos de madeira para eles ‘escavarem’ o barranco a procura de ‘ouro’. Muito divertido ver eles dizendo: tio achei um ouro bem grandão. Eu e minha sobrinha colhemos algumas flores amarelas e roxas para fazer um ‘canteiro’ perto do barranco. Tinha que ter quatro olhos para cuidar da minha sobrinha e dos meus dois sobrinhos. Meus dois sobrinhos estavam apenas de calça, descalços e rolavam na terra brincando um com o outro. Minha sobrinha cuidava do seu ‘canteirinho de flores’.

O tempo passou rápido e divertido e quando vi já era quase hora do almoço. Voltamos para casa com as roupas igual  a de comercial de sabão em pó. Roupa suja, alma limpa. Minhas irmãs queriam brigar com eles, mas meu pai e minha mãe os defenderam dizendo que criança só é uma vez na vida. Para terminar ainda me ajudaram a fazer um churrasco para o almoço.

Agradeço à Deus por me dar a oportunidade de ‘ser criança’, de permitir aos meus sobrinhos as mesmas coisas que fazia na minha infância. Como isto eleva nossa autoestima e faz bem à nossa alma. Experimente.

Encerando a casa

Final de semana em casa na companhia da família. Como o contato familiar faz bem à nossa vida. Meus sobrinhos como sempre não me deram folga, haja folego. Uma garoa tomava conta da cidade, logo, ficamos dentro de casa. Minha esperta sobrinha pegou um álbum de fotos e começou a me mostrar perguntando-me quem era quem. Nossa a tia era bem gordinha (rs).

Minha mãe tem quadros na parede com fotos das minhas irmãs. Parei em frente à foto da minha irmã caçula e fiquei pensativo por algum tempo vendo-a tão pequenina naquela foto. Na época da foto ela devia ter um ano e alguns meses, estava com um vestidinho azul com um detalhe em vermelho, sapatinho branco daqueles tipo bailarina e duas marias-chiquinhas no cabelo. O rostinho gordinho e um sorriso nos lábios. Quanta recordação boa veio em minha mente.

Quando minha mãe deu à luz a minha irmã caçula eu tinha 14 anos de idade. Lembro-me que adorava brincar com ela. Uma de nossas brincadeiras prediletas era a seguinte: minha mãe fazia tapetes com retalhos de pano e sacos de batata, ela costurava cada tirinha no saco até preencher todos os espaços, ficava um tapete muito bonito com diversas tonalidades de cores. Pegava aquele tapete, punha minha irmãzinha em cima dele e puxava-a pelo assoalho de madeira de nossa casa. Fazia isto inúmeras vezes apenas para ver as doces gargalhadas que a minha irmã soltava. Minha mãe comentava: estão encerando a casa?

O tempo foi passando, ela foi crescendo, na época escolar eu era seu professor particular de matemática (era para todos os meus irmãos). Na sua adolescência tive muitos gastos porque comprava roupas e bugigangas para ela, fora as rodadas em pizzarias. Ela foi uma adolescente um pouco complicada devido as suas ‘amizades’.

Hoje em dia, está mais madura, cuida do seu filhinho com um zelo ímpar. É, estou envelhecendo, pensei comigo ao avaliar aquele quadro e depois vendo-a dando banho no seu filho. Coisas que somente o tempo é capaz de fazer.

Bola de gude

Desde os meus sete anos de idade, faz tempo já, quando num final de semana meu pai chegou em casa com um saquinho diferente, eu e meu irmão com aquela curiosidade peculiar que toda a criança tem perguntamos do que se tratava, ele disse são bolinhas de gude que eu trouxe para vocês brincarem. Lembro-me bem que eram todas coloridas, tinha azul, vermelha, branca, fruta-cor. Ele pacientemente nos ensinou a brincar com as bolinhas de gude.

O tempo foi passando, entrei na escola, era febre jogar “peca”. Tinha uma pasta branca onde levava os meus cadernos, no bolso de fora levava algumas bolinhas de gude para jogar com a piazada no recreio. Jogávamos na valeta de concreto por onde a água escorria ou no pátio da escola. Existiam até campeonatos, que modéstia a parte eu ganhava todos rs. Existiam várias modalidades, triângulo, estrela, “bulico”, roda, jogo do mata.

A tarde na minha casa reuniam-se cinco ou seis garotos para jogar comigo, fazia coleção de bola de gude em duas latas grandes que a minha mãe me deu. As mais bonitas eu guardava pra coleção, fazia troca de bolas de gude com meus amigos, era uma festa lá em casa. Ficava bravo quando quebrava alguma bola de gude que eu gostava. Eu tinha uma técnica muito boa para jogar, era expert rs. Fazia até campeonato de corrida com as bolas de gude, ponhava uma do lado da outra numa descida, dava nomes de pilotos de fórmula 1 (na época Senna, Prost, Berger, Alesi, Piquet) e anotava num caderninho as vitórias de cada um (rs).

Dia destes passeando pelo bairro encontrei as bolas de gude numa lojinha de R$1.99, não tive dúvida, comprei um saquinho para jogar com meus sobrinhos. Pensem na alegria deles, os olhinhos brilhavam de alegria, ficamos a tarde toda brincando de bola de gude. Eu jamais deixo morrer a criança que existe em mim. Jogar bola de gude exercita a paciência, a precisão e o auto controle, experimente.

Corrida ao ouro

Sábado após a festa da empresa de sexta-feira à noite (espero que não tenham registrado nenhum mico meu rs), fui até a BR pra pegar o bonde já que acordeu tarde e não daria tempo de pegá-lo no rodoviária. 2 horas bem tranquilas até Santa Catarina, sou muito bem recepcionado pela minha sobrinha e meu sobrinho. 2 bolos para o aniversário da minha mãe, chega a minha irmã com mais 1 sobrinho e sobrinha. Aquela festa com direito a minha sobrinha puxando o coro do parabéns e a minha mãe tentando conter uma lágrima que teimava em rolar pela sua face. Fomos até as 11horas da noite brincando de mercadinho com minha sobrinha e meus dois sobrinhos.

No domingão 7 da manhã já estavam acordados querendo sair pra fora brincar. Tive que usar muita psicologia para contê-los dentro de casa. Lá pelas 9 da matina fomos brincar num terreno em frente à casa do meu tio. Começaram desenhando na terra (cavalo, casa, castelo, avião). Minha sobrinha esperta que só me falou: tio, vamos procurar ‘ouro’ no barranco. Disse: vamos sim, vou achar algumas madeirinhas para ‘cavocar’ o barranco. E lá foram os mineiradores rs.

Cada qual com sua ferramenta começaram a fazer buracos no barranco, a cada 5 minutos um dizia: achei ouro tio olha aqui, vou levar pro vô comprar a chacará da casa preta rs. Foram assim por muito tempo até pouco antes do meio-dia. À tarde brincaram de fazer ‘prédio’ de lenha e pediram para eu tirar fotos deles. 3 da tarde despedi-me deles com um grande beijo e cá estou na cidade grande para mais uma semana de trabalho.

São as simples coisas que fazem a vida ser especial.

Eu, super-herói?

Mais um relato de minhas aventuras com meus dois escudeiros (rs). Texto também escrito nos comentários deste post.

Bom, tenho dois sobrinhos, uma princesa de seis aninhos e um guerreiro de dois aninhos. A cada quinzena vou visitar minha família no interior catarinense. Como fui criado no estilo chucro, sem televisão e outras mordomias, tento levar meus sobrinhos para aventuras em meio à natureza. Convidei-os para catar pinhão numa chácara perto da casa dos meus pais.

Devidamente paramentados, lá fomos. Curiosos que são, a cada 15 metros queriam parar para ver as “fumigas”, “o bisonho”. Chegamos num banhado, fui guerreiro, tive que passar pelo banhado até o joelho com os dois. Como consegui: pus a princesinha na canguta, o guerreiro nos braços e pedi para que ele segurasse as pernas da princesinha para não cair (ensinando a ajuda mútua desde cedo). Demorei uns 15 minutos para ultrapassar uns 10 metros apenas, passo por passo. Chegamos no pinheiral, cena linda vendo eles catando os pinhões no gramado, correndo pra baixo e pra cima. Chegamos em casa todos sujos e minha sobrinha inteligente que só comentou com minha mãe: vó, sabe que o tio inho é super-herói? Passou eu e o ric pelo banhado no colo. Diz ai, existe melhor recompensa?

Bétis

Mais uma lembrança sobre as peripécias da minha infância. Esta é uma diversão que ainda pratico com a piazada da rua. Nos reuniamos na frente da casa dos meus pais, uma velha casa de madeira, ao lado de um ponto de ônibus. Duplas formadas, dava quase briga quando tentavam separar as duplas. Fazia-se fila para jogar rolava até campeonato. Para construir os tacos então, tinha todo um ritual.

Certo dia, meu irmão construiu um belo taco, mas muito liso, quando ele foi rebater a bolinha (aquelas bolas de tênis) seu taco escapou e foi direto adivinhem onde: na janela do nosso quarto. Ainda bem que a minha mãe sempre foi uma pessoa muito calma, senão rs. As “casinhas” eram feitas com galhos finos ou com latas de azeite. Bétis para quem não sabe é uma versão tupiniquim do baseball americano. Quando vou para Santa Catarina, sempre relembro com meu irmão nossas partidas de bétis, hoje só jogos eletrônicos damn.

Bisonho

Celular me despertou as 5h45 da matina. Espero até 6h15 para pegar o ônibus, mais 20 minutos esperando o outro ônibus até Santa Catarina. Fui conversando com um colega até perto da minha cidade. Desta vez consegui pegar o ônibus para o meu bairro. Chegando em casa, sinto um aroma muito bom, minha mãe tinha acabado de fazer pão de forno, nem preciso dizer que ataquei o pão. Antes disso, aquele abraço em meus pais. Fui com meus sobrinhos na venda comprar chips e balas. Haja força para levar no colo, um em cada braço. Tempo razoavelmente bom, pus-me a cortar lenha enquanto meus sobrinhos brincavam na areia.

Esquentou o corpo e já tirei a blusa. No meio de uma tora de lenha meio pobre (adj pijuca), saiu um pequeno besouro da madeira (conhecido na região por chinchin devido ao barulho que o mesmo faz). Mostrei para a minha sobrinha dizendo: olha aqui o que o tio achou, um besouro!!! Um “bisonho” tio? Pus-me a rir muito. Lá veio ela toda faceira ver “o bisonho”. Pronto, acabou meu corte de lenha. A “espuleta” obrigou-me a brincar com ela e seu “animalzinho de estimação”, “o bisonho”. Colocamos o bicho em cima de uma pilha de tijolos, ela cobriu ele com uma lona preta e colocou serragem dizendo que era sua cama e umas folhas verdes de pêssego dizendo que era sua comida. E foi assim até o final da tarde. Olhava e olhava “o bisonho”.

Adoro meus sobrinhos justamente por isso, qualquer coisa simples traz alegrias para eles e consequentemente esta alegria contagia-me também. E nós, ditos seres adultos e evoluídos, por vezes, não nos contentamos com nada. Devemos seguir o exemplo de uma criança: qualquer coisa simples, qualquer brincadeira é sinonimo de alegria e felicidade.  Voltei hoje cedo para Curitiba com o corpo um pouco cansado, mas com a alma renovada.

Coisas para lembrar

Final de semana, sabadão vim para o centro de Curitiba comprar uma toalha do Shrek para levar para o meu sobrinho. Para não ocasionar ciúmes comprei duas toalhas, uma grande e uma pequena. Duas horas procurando até encontrar uma toalha pequena, a sorte que a da minha sobrinha já tinha comprado na sexta.

Fui até a rodoviária, comprei a passagem e bora ver meus pais. Cheguei, pedi a benção aos meus pais, dei os presentes, brincamos e fomos dormir. Domingão, assisti o Globo Rural com meu pai, depois chegou o moleque do vizinho e fomos num campo de areia jogar bola com minha sobrinha. Como sou um tio bem liberal deixei minha sobrinha fazer de tudo adivinha o que aconteceu: ela foi brincar nas poças de água, ficou até o cabelo cheio de lama. Voltamos, minha tia com a qual eu resido aqui em Curitiba estava lá. Minha avó vou rever seus bisnetos. Almoçamos, novamente saímos. O moleque com sua bike e com minha sobrinha na canguta, haja força. Ora ela andava, ora ia de bike com o moleque, ora vinha no meu colo e assim fomos.

Chegamos na construção da casa do meu irmão, descansamos um pouco, brincamos de esconde-esconde, depois fomos andar por um “carrero”. Uma estradinha escorregadia pra caramba. Andamos muito, chegamos num alto, e minha sobrinha queria continuar andando, nossas roupas estavam enlameadas e por cima ainda fui atacado por formigas. Meu pé ficou ardendo um bom tempo.

Descemos, o moleque quase pisa em cima de uma cobra, quase me estatelei no chão com minha sobrinha, chegamos na construção pegamos nossas coisas e voltamos para casa. Trouxe minha sobrinha na canguta numa subida do caramba e além do mais tive que trazer a bolsa do moleque, dois salgadinhos e mais 8 geladinhos que eles compraram numa barraquinha.

Cheguei em casa, tomei banho e aproveitei a carona para Curitiba. Mas ainda não acabou. Meu pai à tempos queria dar de presente um galo índio para o meu avô. Dito e feito, “empacotaram” o bicho e trouxemos ele no carro até Curitiba. Hoje 5 da matina acordo com o cantar do bicho, agora não preciso de despertador. No meio da semana minha tia vai levá-lo para a chácara do meu avô.

Para terminar assistimos ao final da dança dos famosos, e lá se foi mais um final de semana divertido.