O que você faz?

Vivemos em sociedade. Diariamente encontramos diversas novas pessoas em nosso caminho. A grande maioria nem chegamos a trocar uma palavra devido ao nosso escasso tempo. As poucas pessoas com as quais iniciamos uma conversa são levadas para o velho clichê que sugere o fortalecimento do ‘ter’ na sociedade moderna. A clássica pergunta: o que você faz?

Pré-julgamos as pessoas, por diversos fatores e características, desde a sua roupa até a sua profissão. Então muito cuidado ao dizer que você é apenas uma atendente de lanchonete ou apenas um servente de pedreiro. É comum sermos julgados pelo que possuímos. Vejo diariamente muitas pessoas que apenas conseguem ver aqueles que possuem ‘valor’ perante a sociedade, são incapazes de dizer um bom dia ao porteiro, a faxineira. Na concepção destas pessoas estes simples trabalhadores não podem agregar nada de valor a sua carreira. Agora quando alguém está de terno, viram baba-ovos (ideia para outro texto).

Claro que quando conversamos desejamos conhecer as pessoas, o que fazem, o que pensam, etc. Mas devemos ter humildade para tratar qualquer pessoa, independente de posição e status social, da maneira com a qual gostaríamos de ser tratados. Ainda bem que meus pais me ensinaram este preceito de vida. Rabisquei um texto sobre o ter e o ser aqui.

Aquela velha brincadeira que eu gostava de pronunciar: sou um garoto de programas, quando me perguntam o que eu faço já está se desgastando. Daqui por diante quando me perguntarem o que eu faço, responderei:

Sou um colecionador de experiências de vida.

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Filosofia di domenica

Domingão, como sempre acordo cedo. Meu tio também levanta-se no mesmo horário. Fomos à cozinha, ele colocou água na chaleira para esquentar e fazer o café. Eu peguei o liquidificador, abri o armário, uma banana e uma maçã, abri a geladeira, peguei o leite e pus-me a fazer uma vitamina. Depois de feita a vitamina tomei e ofereci para o meu tio. Sentamos começamos a conversar.

Meu tio é um homem batalhador que já sofreu muito nesta vida, mas nem por isto deixou de acreditar no amanhã. Já passou por um acidente que deixou-o entre a vida e a morte. Creio que este fator amadureceu-o muito, fora outras experiências que ele me conta. Começamos a conversar sobre relação homem X mulher. Ele nunca foi casado e jurou de pé junto que jamais casar-se-á. Começamos a deliberar sobre o assunto e chegamos no consenso em alguns pontos.

Hoje em dia, devido a grande influência que a mídia exerce sobre a sociedade e a dita revolução intelecto-física-social das mulheres, os relacionamentos tendem a ser um negócio. A grande maioria das pessoas deseja relacionar-se com pessoas que possam dar-lhes algo de valor em troca. Muitos saudosistas podem me contrapor, mas diariamente vemos que tanto mulheres como homens têm no casamento/namoro um mecanismo de conseguir garantir o seu futuro e conseguir um estilo de vida melhor. Fico me perguntando até que ponto isto é um sentimento saudável.

Meu tio, expôs a seguinte situação: uma mulher que já levou muito da vida, lógico que vai querer um homem que passe segurança pra ela (financeira principalmente); e mesmo que a mulher se aproxime do homem apenas por interesse (muito comum, ele mesmo sofre deste mal quase toda a semana), com o passar do tempo ela pode vir a realmente amar o seu companheiro.

Tive que concordar com ele, me pego pensando: se eu fosse pai, obviamente não gostaria de ver minha filha se relacionando com um “qualquer” e isto é natural de todo o ser humano. Concordamos também que existem muitas mulheres fáceis no mercado, principalmente as adolescentes menos providas de intelecto e status. Discutimos também sobre a questão que queira ou não adolescentes, na primeira vista, vêem a beleza física do seu companheiro não se importando com a sua personalidade. É uma questão de superego que a psicologia prova. No colégio elas sempre almejam o rapaz mais bonitinho e garanhão, pois elas serão bem vistas pelas outras meninas, será bem falada e será “feliz” por isto (vem da natureza, macho alfa, macho beta). É, mais um dia o belo se torna feio, e o que vai sobrar?

Meu tio, a respeito disto, fez a seguinte e fantástica analogia:

Ponha um diamante embrulhado numa embalagem velha, suja e fétida. Ao lado ponha uma pedra qualquer dentro de uma embalagem ornamentada com o maior glamour, qual “produto” o cliente vai escolher?

Até ele perceber que fez a escolha errada somente depois de “abrir” a embalagem e ver realmente o “produto”. A pessoa prudente verificaria o conteúdo da embalagem e não deixaria levar-se somente pela embalagem. Óbvio que devemos ter uma boa embalagem, afinal é nosso primeiro marketing, mas vejo muitas pessoas que possuem uma embalagem lindíssima que acabam por ficarem feias com o passar do tempo devido as suas atitudes (complexo de Narciso é um bom exemplo). Tem até uma matéria numa revista feminina muito famosa (não me recordo o nome agora) que fez um comparativo e chegou a conclusão que o “feio” (a beleza está nos olhos de quem vê) faz as mulheres mais felizes. Óbvio notar, o “feio” fará tudo o que estiver ao seu alcance para suprir sua falta de beleza e conseguir conquistar a mulher. Sempre tenho uma frase que levo comigo:

Somente o tempo revela-nos verdadeiramente as pessoas.

Para terminar discutimos sobre não desistir frente aos problemas. Ele é um bom exemplo do que tudo que vem fácil, vai fácil e o que você ganha com suor você aprende a dar valor. Em suma, serviu como uma grande lição pra mim que estou enfrentando problemas com meu mestrado e outras coisas. A vida é simples, a gente é que complica. Adoro estas conversas matinais de domingo com o meu tio, afinal devemos aprender com a experiência das pessoas.