De uma cena inesquecível

Sexta-feira, 17h00 da tarde, véspera do final de semana dos Dia dos Pais. Mochila com as cores do Brasil nas costas, lá vou eu andando uns bons trinta minutos até chegar no ponto para pegar o ônibus. Dei sorte, consegui achar um lugar para sentar.

30 minutos de viagem que durou um pouco mais devido ao intenso trânsito. Fazia um calor fora do comum para um inverno aqui em Curitiba. Estava eu pensativo com algumas coisas, devaneando com meus botões sobre alguns planos para um futuro próximo. Fazia um final de tarde muito bonito na capital das araucárias.

Desço do ponto, cruzo a rodovia rapidamente, desacelero o passo para ver o lindo pôr do sol que se formava. Viro uma esquina, caminho mais um pouco, percebo ao longe alguém vindo em minha direção correndo. Sim, é ela!!!

Ela vem correndo em minha direção, toda linda, cabelos na altura dos ombros bailando ao vento. Ela apressa a corrida quando se aproxima de mim. Abro os braços, ela como de costume, se joga neles com toda a alegria. Nosso tradicional beijo na bochecha, ela me olha profundamente, me entrega uma pequena sacolinha e me diz:

FELIZ DIA DOS PAIS!!!

Meus olhos embargaram na hora!!! Parei, sentamos num banquinho em frente à sua casa, abri o presentinho que ela me deu e junto dele uma montagem que ela fez pra mim: uma letra L recortada de uma folha de papel sulfite. Dentro desta letra desenhada poucas frases escritas com uma letra infantil em diversas cores. Ao ler este recadinho meus olhos se encheram de lágrimas, minha voz ficou presa na garganta. Eis o conteúdo da mensagem:

Amigo é coisa é pra se guardar debaixo de sete chaves, assim falava a canção.

Luidi, você não é meu pai, mas é como se fosse muito mais. Luidi você sempre me ajudou em tudo.

Obrigada por tudo!!!

Pai não é aquele que gera um novo ser. Pai é aquele que cria, dá carinho, ensina, orienta, ouve com atenção, sempre está junto nos momentos sejam eles felizes ou tristes. Pai, é ter responsabilidade com o futuro de uma criança, é dar Amor incondicional, é sacrificar se preciso for os seus sonhos em prol dos sonhos dos seus filhos.

Para todos os pais, que Deus abençoe todos os dias de seu viver, com muita paz, alegria e prosperidade. Que nunca desanimem frente aos obstáculos da vida visando sempre o bem estar de sua família.

Feliz Dia dos Pais

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O doador de sonhos

Quinta feira, véspera de feriadão, saio às 17h00 com a missão de comprar chocolates para os meus sobrinhos. Bom como sou objetivo já estava com a lista definida. Lá fui eu andando pela XV até chegar numa rede de lojas. Pensem na quantidade de pessoas e na confusão que estava, os corredores estavam intransitáveis. Peguei uma cestinha, escolhi os ovos e em 5 minutos já estava na fila de pagamento. Quase que desisto, parecia fila de compra de ingresso para final de campeonato de futebol. 40 minutos até chegar ao caixa.

Interessante a estratégia que as lojas utilizam para fazer com que o cliente compre mais algum produto antes de chegar ao caixa. Colocam uma grande variedade de guloseimas nas prateleiras dos corredores do caixa para tentar fisgar o cliente pelo paladar.

Lá estava eu andando feito tartaruga. Chocolate deixado pra todo lado. As pessoas são indecisas mesmo, pouco antes de chegar no caixa vão deixando produtos em qualquer canto. Um pouco antes de chegar a minha vez de ser atendido olhei um pacote grande de sonho de valsa me convidando a levá-lo. Pensei comigo: e porque não. Pus o pacote na cestinha andei até uma caixa, efetuei o pagamento, sai com uma sacola gigante, fui até uma promotora de uma marca de chocolate retirar meu brinde. En passant: fiz uma continha básica usando regra de três e descobri que os ovos estavam a peso de ouro: em média 120 reais o quilo! Ai meu bolso.

Bem sai em direção a XV com um plano na cabeça. Dizem que existe o vendedor de sonhos, bem naquela tarde fui o doador de sonhos. Lá fui eu em minha missão. Havia muitas famílias passeando pelas ruas naquela tarde o que simplificou a minha missão.

A primeira criança agraciada foi um garotinho moreno. Cheguei perto dele, estendi minha mão com o sonho e disse: quer um sonho para a Páscoa? E assim fui doando sonhos para as crianças. Não me esqueço das duas adolescentes em trajes escolares dizendo em coro: também quero!

Pouco antes de chegar no ponto de ônibus o pacote de sonhos estava vazio. O doador lembrou de cada sorriso por cada sonho doado e refletiu que sua atitude tornaria a Páscoa de muitas famílias mais doce. Adentrei ao ônibus feliz da vida.

No dia seguinte viajei para a casa dos meus pais. Quando recebi um abraço quíntuplo recebi meu pagamento incalculável. E você já doou algum sonho a alguém, seja de chocolate, de alegria, de amizade, de esperança ou de amor?

Um simples gesto

Esta é uma daquelas histórias que todos nalgum momento da vida já passaram ou vão passar algum dia. Ela estava guardadinha em minha memória por mais de dois anos e nesta véspera de feriado de Páscoa resolvi compartilhar e espero que alguma coisa boa eu possa passar com ela.

Meados de 2009, um dia frio na capital paranaense. Estava p da vida com alguns fatos que desencadearam uma sequência enorme de mudanças pessoais e profissionais em minha vida. Tinha que ir no banco encerrar uma conta corrente. Enfrentei uma fila gigantesca. Época difícil, sai apenas com o dinheiro do ônibus e do almoço. Quando enfrento dias difíceis uma válvula de escape que eu tenho é caminhar. Sai do banco e decidi caminhar para esfriar a cuca.

A agência bancária ficava perto de uma BR, era perto do meio-dia lembro-me perfeitamente. Começei a andar pela marginal desta BR e analisava algumas situações que eu precisava resolver. Sabem, têm coisas que acontecem em nossa vida que somente com o tempo você vai compreender o seu significado.

Em minha direção vinha uma mulher maltrapilha juntamente com duas crianças: uma menina em torno de uns 7 anos de idade e um menino em torno de 4 anos de idade. A mulher chegou perto de mim, vi um olhar tão triste nela que cortou meu coração. Ela com aquele olhar triste implorou-me se eu não poderia comprar um salgado para ela dar as crianças. Veio um nó em minha garganta e uma lágrima quase rolou pelo meu rosto.

Olhei atentamente as duas crianças com seus sorrisos puros a me fitar. A menina estava com uma blusinha de lã azul esfarrapada, cabelinhos loiros encaracolados. O menino com uma blusa marrom, cabelos castanhos bem curto. Ambos com moleton de um colégio. Na hora lembrei da minha sobrinha e do meu sobrinho que na época tinham quase a mesma idade daquelas duas crianças. Disse que pagaria um almoço para eles e pedi que me acompanhassem até um restaurante que tinha perto da BR.

Ajudei-a a servir as duas crianças, servi-me também e sentamos para comer. Meu olhar não conseguia deixar de olhar aquelas duas pobres crianças naquele instante de felicidade que eu estava proporcionando para elas.

Ao final tive a felicidade de viver uma cena que volta e meia vem à tona em minha mente. A mesma emoção que senti naquele dia frio de inverno, estou sentindo agora. Pouco me importa se alguém me ver com os olhos vermelhos, são lágrimas de felicidade.

A menininha chegou perto de mim e disse-me: – tio, você é um anjo? Posso te dar um abraço e um beijo tio? Abaixei-me, os dois me abraçaram e me beijaram. Lágrimas rolaram dos meus olhos. A mulher me disse: – que Deus abençoe todos os teus passos meu filho.

Sai chorando do restaurante. Caminhei uma hora e meia até chegar a casa da minha tia. O bem que este simples gesto me proporcionou não há preço que pague. Naquela mesma semana me ligaram agendando uma entrevista e na semana seguinte já estava novamente trabalhando. Coisas que somente a vida nos ensina.

Que nesta Páscoa a vida possa te surpreender com momentos assim, que os teus simples gestos para amenizar a dificuldade das pessoas que possuem menos que você te tragam paz e felicidade. Aproveite as oportunidades de fazer alguém feliz, pois pra você pode ser apenas um simples gesto, mas para quem recebe é uma prova de amor sem igual.

Muito além dos ovos de chocolate que você vai dar para os seus familiares e amigos (hoje tenho a missão de comprar ovos para os meus cinco sobrinhos rs), a Páscoa é a renovação da esperança de uma vida digna que cada um almeja para o seu semelhante.

Uma abençoada e Feliz Páscoa à todos.

O preço de um sorriso

Estava um dia ensolarado, trabalhei até o meio-dia, depois do almoço aproveitei meu banco de horas para ir devolver meu livro e emprestar outro na biblioteca do bondinho. Ônibus lotado, um calor infernal. A parte boa é que a mulherada se solta nas roupas mais sexies. Desço, começo a percorrer a rua XV, adentro num shopping popular e compro uma água de coco para amenizar o calor. A mulherada desfilando com seus shortinhos e tomaras-que-caia embelezando ainda mais aquela tarde de verão.

15 minutos depois, chego no bondinho, devolvo meu livro e empresto outro. Sigo de volta para pegar o ônibus para casa. Gente, muita gente. Vendedores de rua de toda a espécie tentando convencer os pedrestes do benefício dos seus produtos. Eis que vejo um palhaço vendendo cachorrinhos de bexiga. Por coincidência era o mesmo palhaço de quem outrora tinha comprado 3 cachorros. Observei sua arte em confeccionar o cachorrinho de bexiga vermelho. Paguei-o, sai a procura de um alvo. Antes porém adentrei num mercadinho e comprei um pacote de balas.

Ao longe pude vislumbrar uma mãe com sua pequena filhinha. Loirinha, cabelos longos com tranças e presilhas, uma camiseta branca e uma pequena saia rosa, nos pés uma sandália também rosa. Vi que ela estava alegre e saltitante e falava como um papagaio. Aproximei-me, parei em sua frente, abaixei-me, tirei as mãos das costas e entreguei-lhe o cachorrinho juntamente com o pacote de balas. Ela olhou para mim abriu um magnífico sorriso, olhou para sua mãe e disse: olha mãe um cachorrinho vermelho e muitas balas. Sua mãe disse pra ela: agradeça ou moço. Ela voltou a me agraciar com seu sorriso inocente e disse: brigada moço. Ela saiu tagarelando com sua mãe e eu segui meu rumo alegre e contente.

Se dependesse de mim os palhaços vendedores de cachorrinhos de bexiga sempre terão clientes. O sorriso daquela criança custou apenas 50 centavos, mas a satisfação que me proporcionou não tem preço.

Primeira série

Pois é já estamos em fevereiro. Em poucos dias milhões de estudantes do nosso querido país voltam as aulas. Minha adorável sobrinha que vai adentrar a primeira série do ensino fundamental (na minha época ainda se chamava primário), com todo o seu jeito encantador, pediu-me uma mochila de rodinha das princesas, uma caixa de lápis de cor e um caderno de desenhos. Poxa vida como o tempo passa. Ela sentou-se em meu colo, olhou-me e curiosa que é perguntou-me como era a minha primeira série. Ajeitei-me no sofá e contei pra ela.

1984. Não, não vou falar sobre o famoso livro. Morávamos numa vila do interior catarinense. Lembro-me que minha mãe deu-me um sermão um mês antes de eu ter meu primeiro dia de aula. Aquelas coisas que mãe sempre nos fala, estude meu filho para você ser alguém na vida. Não é que ela estava certa. Lembro-me do meu primeiro dia de aula como se fosse hoje.

Acordei-me as seis da matina com o cantar do galo (hoje não é diferente, bom não tem mais o cantar do galo, apenas sons de carros). O rosto lavado com sabão de pedra (sabonete na época nem sabia do que se tratava), o cabelo penteado, aquele café preto forte com duas fatias de pão, a roupa vestida (uma calça de brim azul e uma camiseta branca), a conga nos pés (na época dos meus pais iam de chinelo de dedo pra escola), a pasta escolar debaixo do braço com um caderninho de 40 folhas, um lápis preto e uma borracha. Minha mãe tinha um zelo ímpar para fazer a encadernação dos meus cadernos. Ela pegava pacotes de arroz, media-os, cortava-os, pedia minha ajuda para pregar o durex e ao término colocava uma etiqueta onde eu escrevia meu nome, a série e a matéria. Fez isto comigo até a quinta série e com todos os outros meus irmãos.

No primeiro dia minha mãe quis levar-me na escola, fiquei meio sem jeito e decidi ir sozinho. Antes de sair novamente aquele conselho de mãe. Passei a tramela no portão de nossa casa, minha mãe ficou olhando-me com um brilho no olhar. Lá fui eu. Pude observar diversas nuances de uma manhã de verão interiorana. As chaminés das casas espelindo fumaça no ar, os raios de sol atravessando por entre os galhos dos pinheiros, os quero-queros fazendo algazarra no gramado, as vacas sendo ordenhadas no curral, os guapecas latindo nas coxilhas, o som da serra-fita cortando madeira. Caminhava por uma estradinha poeirenta, passava por um pequeno córrego até chegar num mata-burro (pra quem não sabe é um portão feito em forma de V ou L para que as criações não saiam mas que permite a passagem de gente). Passando este mata-burro já avistava a escola. Mais 10 minutos cheguei na escola.

Era uma casa velha feita de madeira. No pátio existiam alguns pés de pêssego que eram disputados pela piazada na hora do recreio. A organização da sala era muito interessante. Havia um velho quadro negro, divido pela professora (dona Júlia) em quatro partes. Calma eu explico. Como não havia outras salas disponíveis a sala era dividida da primeira a quarta série, existiam quatro fileiras de carteiras, uma para cada série. Senão me engano na quarta série tinham apenas uma menina e um garoto, nas outras séries no máximo seis alunos. A professora desdobrava-se para passar matemática e português (as duas únicas matérias que existiam) para as quatro séries.

Desde a primeira série já gostava de resolver continhas (hoje estou enferrujado, nem uma integral polinomial consigo resolver rs). Quando a professora perguntava se alguém queria resolver a continha no quadro, erguia a mão e ia para o quadro resolver. Estava na primeira série mas por diversas vezes resolvia as continhas da segunda, terceira e quarta série. Na matéria de português gostava das estórias contadas pela cartilha que a professora lia.

O recreio então era a maior diversão, uma algazarra e um grande corre-corre de crianças. Por um tempo minha mãe foi a merendeira da escola. Todo o dia ela trazia uma bacia de pão fatiado e um balde de suco. Como era gostoso. As canecas eram compartilhadas pois não havia suficientes para todas as crianças.

Depois que a aula findava, perto do meio-dia, voltava pra casa, almoçava e a tarde fazia as tarefas que a professora tinha passado. E assim foi passando o ano. No final de ano letivo houve um conselho de classe com os pais dos alunos. Fiquei nervoso. Ao final correu tudo bem, minha professora teceu muitos elogios pelo meu desempenho, salvo algumas briguinhas no recreio (rs). Meu pai comprou-me uma conga e uma calça para eu usar no próximo ano de estudo.

Ao terminar de contar esta história para a minha sobrinha, ela olhou-me fixamente e disse: – tio, vou ser tão estudiosa e inteligente igual você foi. Eu, apenas dei-lhe um beijo em sua testa de felicidade.

A educação é o maior legado que os pais podem dar à um filho.

Brincar na terra

Final de semana ensolarado, vou ao bondinho da XV devolver um livro e emprestar outro, tomo um café reforçado (meu vale refeição está com ótimo saldo rs), ando um pouco admirando a bela arquitetura feminina. Fico pensando, se Da Vinci vivesse em nosso tempo, quantas belíssimas Monalisas com diferentes sorrisos ele pintaria. Rumo à rodoferroviária, pego o ônibus em direção à Santa Catarina.

Chego atrasado na cidade dos meus pais, o ônibus municipal só sairia depois de uma hora, lógico que não esperei, fui a pé pra casa. No trajeto fiquei pensando comigo mesmo: quantas vezes já fiz este trajeto a pé? Depois de quase uma hora de caminhada sob sol forte sou muito bem recepcionado com beijos e abraços dos meus sobrinhos.

Como já era um pouco tarde, brincamos um pouco na ruazinha ao lado da casa, de bicicleta, de bola, de dar comida ao coelhinho da minha sobrinha. Muito divertida a cena da minha sobrinha tentando ensinar o gato a ficar do lado do coelho sem querer morder as suas orelhas, ri muito.

A noite pedi uma pizza gigante que eu estava ‘devendo’ para a minha sobrinha,  que memória da baixinha, não esqueceu. Dormi ao lado de minha sobrinha e do seu gato, acho que ele arranhou minha barriga porque vi um arranhão no dia seguinte.

Domingão, acordei cedo, um chimarrão com meu estimado pai, assistimos ao Globo Rural. Meus sobrinhos acordaram e em coro me pediram para fazer Nescau pra eles. O ‘piá’ do vizinho chegou com sua bicicleta, pus roupas simples neles e lá fomos brincar num campinho.

Chegando lá, minha sobrinha queria andar na bicicleta. A bicicleta era um pouco grande para ela, mas mesmo assim ela conseguiu dar umas voltas até que ela caiu. Corri para levantá-la e utilizei a psicologia infantil para animá-la e dizer que não foi nada que o tio também tinha caído várias vezes e até mostrei uma pequena cicatriz em meu joelho de um tombo de bicicleta que levei.

Depois fomos brincar num barranco. Cortei pequenos pauzinhos de madeira para eles ‘escavarem’ o barranco a procura de ‘ouro’. Muito divertido ver eles dizendo: tio achei um ouro bem grandão. Eu e minha sobrinha colhemos algumas flores amarelas e roxas para fazer um ‘canteiro’ perto do barranco. Tinha que ter quatro olhos para cuidar da minha sobrinha e dos meus dois sobrinhos. Meus dois sobrinhos estavam apenas de calça, descalços e rolavam na terra brincando um com o outro. Minha sobrinha cuidava do seu ‘canteirinho de flores’.

O tempo passou rápido e divertido e quando vi já era quase hora do almoço. Voltamos para casa com as roupas igual  a de comercial de sabão em pó. Roupa suja, alma limpa. Minhas irmãs queriam brigar com eles, mas meu pai e minha mãe os defenderam dizendo que criança só é uma vez na vida. Para terminar ainda me ajudaram a fazer um churrasco para o almoço.

Agradeço à Deus por me dar a oportunidade de ‘ser criança’, de permitir aos meus sobrinhos as mesmas coisas que fazia na minha infância. Como isto eleva nossa autoestima e faz bem à nossa alma. Experimente.

Ser criança

Ser criança não está atrelado a nossa idade.

Ser criança é ficar feliz ao aprender alguma coisa nova.

É se alegrar com pequenas coisas que ganham.

É ter a coragem de sorrir sem medo.

É dar um abraço caloroso.

É ter a capacidade de amar puramente.

É sonhar em ser alguém na vida.

É brincar na chuva.

É fazer castelos de areia.

É brincar de soltar pipa.

É fazer carinho no gato, dormir ao lado do cachorro.

É pintar as páginas da vida com diferentes cores.

É comer guloseimas sem pensar na balança.

É andar descalço pela grama.

É aprender com os mais velhos.

É ter a alma pura livre de maus pensamentos.

Ser criança é um estado de espírito que alegra nosso dia.

Seja criança de vez em quando, teu coração agradece.

Sabedoria Infantil

Sábado dia 23 de julho, aniversário da minha querida sobrinha. Passo na Yellow Kids e compro seu presentinho. Meia hora depois já estava rumando para Santa Catarina. O ônibus atrasou devido à obras na rodovia, tive que pegar um outro ônibus que não passava perto da casa da minha família, ok, faz parte, gosto de caminhar.

Começo a subir a rua da minha casa. Minha sobrinha sempre me espera no ponto de ônibus que tem em frente a minha casa. Avistou-me, saiu correndo com seu lindos cabelos louros ao vento em minha direção. Abri meus braços, recebi-a com um abraço tão puro que minha emoção ficou nítida em meus olhos.

– Cadê o beijo do tio?

– Smaaac!!! Tio “inho” o que você tem nesta bolsa? Já sei meu presente.

– Não é não, é um livro que o tio comprou…

– A vó tá fazendo o meu bolo, vai ter cachorro quente, refrigerante e tio como é o nome daquelas massinhas que tem carne no meio, pequenas e redondinhas?

– Cochinha..

– Sabe que hoje é o meu “niveisário” tio?

– É, não sabia… O olharzinho dela pra mim foi algo tão doce e ingênuo que fui obrigado a entregar a sacola pra ela e dizer surpresa, PARABÉNS!!! Seus olhinhos brilharam, disse pra ela que tinha o presente dela e do meu outro sobrinho.

Chegamos em casa, pedi benção aos meus pais, minha mãe estava fazendo um bolo com recheio de morango (uma delícia, seis horas da manhã de domingo assaltei um pedaço na geladeira rs). Ela toda faceira com os presentes, pegou-me pelo braço, fomos nas casas dos seus amiguinhos convidá-los para a sua festinha.

Primeiro foram os seus primos, já estava com ela e mais duas crianças na rua. Depois ela disse pra mim: – tio, vamos chegar na casa da Milena pra convidar ela também. Chegamos, uma casa bem humilde, ela perguntou pra mãe de sua amiguinha se ela deixava a Milena ir ao seu aniversário. Eis o diálogo que me impressionou de maneira positiva:

Mãe da amiguinha: Nossa, a gente não sabia que hoje era o seu aniversário, nem compramos presente! Minha sobrinha olhou para a mãe da Milena e falou uma pequena frase mas com um grande significado que prezo em minha vida.

Minha sobrinha: Não precisa de presente, o que vale é a amizade, ter meus amigos no meu aniversário… Abraçei minha sobrinha junto a mim e falei pra ela: É por isso que o tio te ama de montão!!!

Chegamos em casa, minha sobrinha foi arranjando cadeiras para os seus amiguinhos, você senta aqui, você senta lá, cantaram os parabéns, ela assoprou a velinha, e me surpreendeu mais uma vez… Antes de começar a comilança ela falou: Esperem, a “pefêssora” disse que temos que orar antes de comer. E fez sua oraçãozinha de olhos fechados e mãos uma sobre a outra. Ao final disse: pronto, podem comer, bom apetite à todos.

Muitos estudam Platão, Aristóteles, Sócrates, Hegel, Kant, Freud, Nietzsche, Confucio, etc… Muitos estudam 10, 20, 30 anos, fazem PhD em Cambrigde, Oxford, Yale, MIT, Harvard, etc… Passam a vida atrás de conhecimento e não adquirem sabedoria.

Muitas vezes a sabedoria reside na simplicidade e sinceridade de uma criança, pense nisso!!!

O próximo é meu

Mais uma belíssima recordação da minha infância. Eu tinha 8 pra 9 anos de idade, meu grande irmão e companheiro tinha 6 pra 7 anos de idade. Morávamos numa vila rural perto de uma rodovia. Lembro-me que tinha um morro com um gramado muito bonito. Nos dias ensolarados subíamos neste morro e ficávamos vendo os carros passarem. Gostávamos de brincar que cada carro que passasse era de nós. Alternávamos, um carro para cada um. Sempre que passava um carro, o outro dizia: o próximo é meu, espero que seja bem bonito. E quando passava uma carreta então, pensem na alegria dos guris. Ficávamos a tarde toda vendo os carros passarem e imaginando onde aquela rodovia ia terminar. Estes dias brinquei com os meus sobrinhos no mesmo molde, ficaram muito alegres.

Corrida ao ouro

Sábado após a festa da empresa de sexta-feira à noite (espero que não tenham registrado nenhum mico meu rs), fui até a BR pra pegar o bonde já que acordeu tarde e não daria tempo de pegá-lo no rodoviária. 2 horas bem tranquilas até Santa Catarina, sou muito bem recepcionado pela minha sobrinha e meu sobrinho. 2 bolos para o aniversário da minha mãe, chega a minha irmã com mais 1 sobrinho e sobrinha. Aquela festa com direito a minha sobrinha puxando o coro do parabéns e a minha mãe tentando conter uma lágrima que teimava em rolar pela sua face. Fomos até as 11horas da noite brincando de mercadinho com minha sobrinha e meus dois sobrinhos.

No domingão 7 da manhã já estavam acordados querendo sair pra fora brincar. Tive que usar muita psicologia para contê-los dentro de casa. Lá pelas 9 da matina fomos brincar num terreno em frente à casa do meu tio. Começaram desenhando na terra (cavalo, casa, castelo, avião). Minha sobrinha esperta que só me falou: tio, vamos procurar ‘ouro’ no barranco. Disse: vamos sim, vou achar algumas madeirinhas para ‘cavocar’ o barranco. E lá foram os mineiradores rs.

Cada qual com sua ferramenta começaram a fazer buracos no barranco, a cada 5 minutos um dizia: achei ouro tio olha aqui, vou levar pro vô comprar a chacará da casa preta rs. Foram assim por muito tempo até pouco antes do meio-dia. À tarde brincaram de fazer ‘prédio’ de lenha e pediram para eu tirar fotos deles. 3 da tarde despedi-me deles com um grande beijo e cá estou na cidade grande para mais uma semana de trabalho.

São as simples coisas que fazem a vida ser especial.