O preço de um sorriso

Estava um dia ensolarado, trabalhei até o meio-dia, depois do almoço aproveitei meu banco de horas para ir devolver meu livro e emprestar outro na biblioteca do bondinho. Ônibus lotado, um calor infernal. A parte boa é que a mulherada se solta nas roupas mais sexies. Desço, começo a percorrer a rua XV, adentro num shopping popular e compro uma água de coco para amenizar o calor. A mulherada desfilando com seus shortinhos e tomaras-que-caia embelezando ainda mais aquela tarde de verão.

15 minutos depois, chego no bondinho, devolvo meu livro e empresto outro. Sigo de volta para pegar o ônibus para casa. Gente, muita gente. Vendedores de rua de toda a espécie tentando convencer os pedrestes do benefício dos seus produtos. Eis que vejo um palhaço vendendo cachorrinhos de bexiga. Por coincidência era o mesmo palhaço de quem outrora tinha comprado 3 cachorros. Observei sua arte em confeccionar o cachorrinho de bexiga vermelho. Paguei-o, sai a procura de um alvo. Antes porém adentrei num mercadinho e comprei um pacote de balas.

Ao longe pude vislumbrar uma mãe com sua pequena filhinha. Loirinha, cabelos longos com tranças e presilhas, uma camiseta branca e uma pequena saia rosa, nos pés uma sandália também rosa. Vi que ela estava alegre e saltitante e falava como um papagaio. Aproximei-me, parei em sua frente, abaixei-me, tirei as mãos das costas e entreguei-lhe o cachorrinho juntamente com o pacote de balas. Ela olhou para mim abriu um magnífico sorriso, olhou para sua mãe e disse: olha mãe um cachorrinho vermelho e muitas balas. Sua mãe disse pra ela: agradeça ou moço. Ela voltou a me agraciar com seu sorriso inocente e disse: brigada moço. Ela saiu tagarelando com sua mãe e eu segui meu rumo alegre e contente.

Se dependesse de mim os palhaços vendedores de cachorrinhos de bexiga sempre terão clientes. O sorriso daquela criança custou apenas 50 centavos, mas a satisfação que me proporcionou não tem preço.

Paisagem metropolitana

Acordo cedo, faço a barba, tomo um banho, um gole de café, saio as pressas para pegar o ônibus. Chego no ponto, digo bom dia para as outras pessoas, algumas me respondem, outras fingem que não me ouviram. Contemplo o maravilhoso pôr do sol iluminando a capital paranaense moldando um belo quadro do dia que está nascendo. Fiquei pensando comigo mesmo: quantas pessoas não são capazes nem de admirar um pôr do sol, ficam cabisbaixas remoendo seus problemas ou fuçando seus celulares. Por diversas vezes tive o prazer de admirar magnificos amanhecer, sendo que alguns foram registrados para a posteridade.

30 minutos até meu destino. Observador que sou, pela janela do biarticulado contemplo a arquitetura de uma metrópole. Algumas cenas bucólicas, como o casal de sabiás fazendo ninho numa árvore ao lado de um arranha-céu. Faço o ‘check-in’ com a recepcionista, pego o elevador e subo até o 26º andar para realizar uma entrevista para um novo desafio. Faço a minha apresentação para a secretária que libera minha entrada. Sento-me num sofá branco tendo ao lado uma esculutura feita de metal. Fiquei uns 10 minutos tentando adivinhar o que o(a) artista queria exprimir com aquelas curvas retorcidas.

Passado uns 15 minutos sou apresentado ao meu entrevistador. Adentramos numa sala para ‘prosear’. A sala possuía uma ampla fachada de vidro. Cheguei perto da vidraça e admirei a bela paisagem metropolitana. Comentei com o meu entrevistador: que belíssima vista vocês podem admirar diariamente! Ele me respondeu: com o tempo você se acostuma.

Fiquei em silêncio olhando ora para o distante horizonte salpicado de prédios, ora para as pessoas tão minúsculas feito formigas. Passou-me pela cabeça cenas de filmes. Pensei comigo novamente: quantas pessoas nunca tiveram a chance de ver uma paisagem igual a que estava naquele momento sob o meu olhar. Lembrei do que o meu entrevistador falou: você se acostuma! Não, certamente que diariamente olhando a mesma paisagem podemos vislumbrar novos ângulos sob novos prismas. É igual mulher, você precisa de tempo em tempo encontrar novas paisagens em seu corpo senão o relacionamento fica morno e insosso. Um horizonte daqueles é capaz de elevar nossa autoestima.

Dedique alguns minutos do seu dia, durante o trajeto para o seu trabalho, naqueles minutinhos antes de uma reunião para admirar a paisagem que está a sua frente. Tenho certeza de que isto contribuirá de alguma forma para que o seu dia seja produtivo.

Um simples elogio

Sabadão. Sol de rachar na capital paranaense. Quanta mulher bonita nesta abençoada cidade. Cada escultura da engenharia humana de encher os olhos de alegria. Chego tomar um cafezinho antes de devolver meu livro e emprestar outro.

Lanchonete ainda vazia, chego no balcão, peço o de sempre (rs): um sanduíche natural de atum e um café com leite. Dirijo-me ao balcão para efetuar o pagamento. Detalhista e observador da beleza feminina que sou, notei que a atendente, uma morena encorpada, estava com um par de brincos muito bonito. Olhei-a fixamente e disse: – belo par de brincos, ficou perfeito em você!!! Ela agradeceu-me pelo simples elogio e depois serviu-me. Notei um brilho em seu olhar de satisfação por aquelas simples palavras. Certamente que contribui para que o dia dela se tornasse mais alegre.

Homens costumeiramente pensam que para agradar uma mulher precisam fazer aquelas cenas de cinema românticas, esquecem de diariamente ressaltar os pequenos detalhes que tornam uma mulher especial e única. Cada pedacinho do corpo feminino tem o seu sabor e a sua beleza e deve ser elogiado.

Presto!

Então, sempre gosto de ambientes simples mas com bom gosto. No sabadão que fui pagar as contas e visitar o bondinho da leitura, fui almoçar num lugar que eu recomendo. O restaurante tem ótima localização, seu ambiente é muito bem higienizado, nas paredes existem uns pequenos quadros que dão um charme ao ambiente. O buffet é livre com uma ótima variedade de carnes, acompanhamentos e saladas. Realmente me surpreendi com a qualidade ofertada por um preço tão acessível (R$8,00). Quando quiserem um ambiente bacana, boa comida por um ótimo preço, este eu recomendo. Não estou ganhando nada por isto, apenas compartilho as coisas que eu gosto. Certamente que ganharam mais um cliente fiel.

Presto Pasta e Buffet – Rua Barão do Rio Branco, 44 – Centro – Curitiba (entre Marechal Deodoro e rua XV). (41) 3079-9900

Bondinho da leitura

Então, é o seguinte: sabadão acordei cedinho, dois ovos fritos, um café forte com leite, um banho, um perfuminho, R$2,50 para o bonde, algumas contas para pagar… Tempo perfeito na capital curitibana, chego cedo à famosa rua XV. Breve passeio admirando vitrines e mulheres, mais mulheres do que vitrines rs. Tendas de atendimento as crianças para tomar a dose da gotinha, passeata anti-drogas de um colégio, manifestação Zeitgeist, enfim, coisas de cidade grande. Chego ao Caixa Eletrônico pagar minha conta de cartão de crédito, eis que descobri que ela já tinha sido paga via débito em minha conta corrente, que beleza de modernidade.

Estava eu com minha pasta, continuo andando até a Boca Maldita, um Sundae para refrescar, uma cueca preta  da Playboy e um desodorante, quando vejo o famoso bondinho da rua XV. A prefeitura tornou o bondinho em uma mini biblioteca pública, resolvi adentrar e cadastrar-me para o empréstimo de livros. Ambiente bacana e cultural, belo incentivo da Fundação Municipal de Cultura. Fiz meu cadastro, apenas me pediram um documento com foto e comprovante de residência. Avaliei o acervo por um tempo, muitos livros da literatura brasileira, eu resolvi como primeiro livro, José Saramago – A Jangada de Pedra (pelo que eu li até agora, um Efeito Borboleta Latino para criticar a união europeia, algumas reflexões sobre a vida).

En passant, durante a época do ensino fundamental, da sexta à oitava série eu era rato de biblioteca, li e reli todos os livros da série Vagalume, em especial os livros da Lúcia Machado de Almeida e Marcos Rey, passava as tardes lendo e escrevendo resenhas destes livros. Minha meta é ler quatro livros por mês, um por semana.

Os livros são uma ótima companhia, nos levam ao passado, ao futuro, à outras dimensões, nos fazem conhecer histórias e culturas no conforto de nosso lar, nos fazem refletir, rir, chorar… Experimente você também, vai adorar.

3 cachorros

Sabadão de folga, aleluia, fato raro de acontecer. Tomo um belo banho, faço a barba e bora rumo ao centrão de Curitiba passear pela XV e esfriar a cuca. Passo pela Renner comprar uma cueca. A rua XV estava lotada, várias famílias fazendo compras para o dia da criança. Pensei comigo: vou comprar três cachorrinhos de bexiga, encontrar algumas crianças e doar o cachorrinho. Dito e feito.

Comprei os cachorros e ao acaso vi a primeira criança: uma menininha loira (já lembrei da minha sobrinha), com dois rabos de cavalo, andando com sua jovem mãe, ofereci o cachorro, ela ficou super alegre e sua mãe me agradeceu. A segunda criança foi um moleque moreno, ainda fez sinal de positivo pra mim, e a terceira foi uma menininha negra com cabelo rasta, lindíssima, um sorriso espetacular. Esta última foi muito comunicativa comigo, perguntou meu nome, etc e tal e até ganhei um beijo na bochecha, fiquei muito feliz.

Jamais devemos deixar morrer a criança que existe em nós, amanhã brinque com seu filho, passeie com ele no parque, divirta-se e não ligue para comentários alheios. Se tiver condições doe brinquedos as crianças menos favorecidas, e o mais importante, doe um pouco do amor que seus filhos, sobrinhos, etc possuem para as crianças que não possuem amor nesta vida. Visite de vez em quando o Pequeno Cotolengo, faça campanhas de doação de brinquedos, roupas e alimentos para as crianças de rua, pois, quem ganha muito mais é quem doa, e um bem de valor inestimável: o sorriso de agradecimento de uma criança e o seu dízimo para com Deus.

Feliz Dia das Crianças para todos,

One day in Curitiba

Sábado, 04 de abril… acordo cedo, 6:30 da matina… físico pedindo para trabalhar, peço os produtos de limpeza para a minha tia… Ao som de Dire Straits – Walk Of Life começo a limpar o piso inferior da casa… primeiro o banheiro, depois sala e finalmente a cozinha… sozinho em casa… um pouco de musculação para fortalecer os braços… Sol aparecendo sutilmente sob as nuvens… faço o almoço… almoço sozinho… Como eu queria uma boa companhia para almoçar comigo, mas tudo tem o tempo certo.
Após o almoço, separo uma roupa social para ir à um compromisso no centro da cidade… banho gelado… tiro a barba… visto-me rapidamente para não perder o ônibus. várias pessoas diferentes no ônibus: desde a avó com seu netinho até o pequeno garoto pedindo esmola para ajudar a mãe… deveria estar estudando, mas isto é assunto para outra história. Dia movimentado… Sirenes de ambulância, trânsito intenso… concessionárias repletas de pessoas… e depois reclamam da crise… após uma hora de viagem desço na Praça Tiradentes…
12:00, belíssimo dia, céu azul… passo no banco tirar uma graninha… sigo pela famosa Rua XV de Novembro em direção à Boca Maldita. Vários momentos interessantes… o jovem casal trocando carícias sentados perto de uma fonte de água… as estátuas vivas ganhando a vida submetendo-se ao sol escaldante… os palhaços tirando risos das pessoas… um belo mix de culturas… negros, brancos, orientais, muita mulher bonita… oh cidade abençoada… exposição de quadros pertinho da Boca Maldita, vários estilos… as moças de vermelho e seu teatro… o escultor de fios de metal… o escultor de bexigas com seu cachorrinho alegrando a jovem menina… os jogadores de tênis de mesa, as crianças jogando ludo, a partida de xadrez… feira de Páscoa na Boca Maldita…difícil escolher um mimo em meio à tantas opções…
12:20, compro um sorvete para refrescar, volto pela XV… cruzo a Marechal… sigo pela XV… artistas de rua… o hábil tocador de flauta, a dupla caipira, o tocador de acordeon, a vendedora de bilhetes de loteria, o deficiente com braço de plástico tocando violão e cantando… a concorrência de restaurantes populares através dos seus interlocutores marketeiros, cada um com seu jeito peculiar…
12:40, recebo confirmação do meu encontro… volto em direção ao Largo da Ordem… bares começando à movimentar… 13:00, passo inesquecíveis momentos com minha companhia, após cada um segue o seu destino… volto pelo Largo da Ordem… alguns turistas alemães tirando fotos… temperatura alta… chego tomar um chopp para refrescar… ambiente lotado… jovens, famílias, casais… compro um presentinho com um daqueles vendedores de brinco… ligo à um amigo… vou até o seu apartamento… conversamos divertidamente…
17:00, pego novamente o ônibus… cheio de estudantes… vou conversando com uma agradável companhia até o meu destino final… pra finalizar o dia, converso com minha tia, tio e prima… depois jantar leve e vou dormir cedo… e agora, 07:30 da manhã, cá estou terminando este post