O primeiro discurso

Na época eu tinha 10 anos de idade, cursava a quarta série do primário. Lembro-me que era véspera da Semana da Pátria e sempre havia apresentações dos alunos para a comemoração da Independência do Brasil. Os professores escolhiam os alunos para fazer as apresentações e também escolhiam quem seria o orador que anunciaria a sequência destas apresentações.

Estava eu sentadinho na última cadeira da fila do meio da sala, aula de matemática, depois viria o recreio. Eis que adentra a sala a diretora da escola chamando pelo meu nome, gelei na hora!!! Ela pediu para que a acompanhasse até a direção. Pensei comigo: ferrou!!! Descobriram que fui eu que soltei o sapo no banheiro das meninas (isto é assunto para outro post).

Chegamos na direção, eu já tremendo de medo, ela vendo meu nervosismo indagou-me porque eu estava nervoso. Desconversei. Ela falou se eu estava disposto a ser o orador das apresentações da Semana da Pátria. Ai sim quase tive uma dor de barriga. Ela disse para eu pensar a respeito no recreio e dar a resposta no final das aulas. Depois de ficar o recreio todo num cantinho pensando a respeito (desde pequeno já pensativo), decidi aceitar.

Lembro-me que houveram dois ensaios para o discurso de apresentação, ambos à tarde. Peguei a folha com um discurso introdutório falando da importância da Independência do Brasil seguido da sequência de apresentações dos alunos (da fanfarra à recitação de poesia). Incrivelmente não gaguejei em nenhum momento dos ensaios.

Na sexta-feira era o dia da apresentação. Vesti uma calça de brim azul, uma conga e uma camisa branca daquelas estilo colegial. 15 minutos antes lá estava eu em frente ao mastro das bandeiras, microfone em punho esperando as professoras organizarem as filas. Todos em posição anunciei o Hino Nacional que foi cantado por todos. Depois de executado o Hino Nacional, li pausadamente o discurso introdutório e em seguida fui anunciando as apresentações. Até parecia um mestre de cerimônias (rs).

Esta experiência vivida aos 10 anos teve um papel fundamental para a formação da minha personalidade que culminou no discurso de oratória quase 20 anos depois na cerimônia de colação de grau do Ensino Superior. E o orgulho dos meus pais me vendo falar na frente de todos com apenas 10 anos de idade (não teve presente melhor do que isto).

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O orador

Mais uma belíssima recordação em minha vida. Primeiro vou começar com uma historinha: nasci e vivi muito tempo em cidades do interior de Santa Catarina. Sempre fui muito inteligente e esforçado nos estudos, era o primeiro da classe. OK, sempre fui uma pessoa muito tímida, me formei no antigo segundo grau (hoje Ensino Médio) e começei a trabalhar numa empresa têxtil.

Nem imaginava que existia universidade em minha cidade, muito menos pública. Por um acaso do destino, descobri uma universidade em minha cidade. Este fator mudou minha vida da água para o vinho. Fiz minha inscrição, lembro-me que minha mãe foi no último dia pagar o boleto no banco. Tinha esquecido de levar um comprovante, o banco já tinha fechado, mas como minha mãe estava dentro a funcionária deixou minha mãe me ligar para eu levar o comprovante que faltava. Ou seja, o que é do homem o bicho não come. Em suma, fiz o vestibular, passei em segundo lugar, três anos que mudaram minha vida. Em 2007 me formei com honra ao mérito. Como no período da universidade aprendi a falar em público e filosofar (detalhe entrei na universidade aos 26 anos de idade, nunca é tarde para começar) o pessoal da turma me escolheu para ser o orador da turma. Que responsa.

Fiquei um mês pensando o que escreveria e qual música tocaria quando eu fosse receber meu diploma. Pensa daqui, pensa dali, o discurso foi escrito num final de semana, eis o trecho inicial:

Nesta noite única em nossas vidas temos somente que agradecer, pois o primeiro passo de uma grande pessoa é saber agradecer. Agradecemos à Deus, que com toda a delicadeza e precisão moldou cada átomo do nosso corpo, interligando perfeitamente molécula por molécula. Agradecemos a nossa família, fortaleza que nos protege diante das tempestades. A nossa mãe, que sempre nos vê como aquele pequenino ser sendo embalado suavemente junto de seu corpo por suas delicadas mãos. Ao nosso pai, que sempre nos ensinou a ser homens e mulheres responsáveis, que com suas fortes e calejadas mãos adquiridas durante anos de árduo trabalho, nos elevou muitas vezes acima de sua cabeça. Ao tesouro que nos torna as pessoas mais ricas deste mundo: nossos amigos, pelo seu amor eterno e incondicional, por sempre nos estenderem suas mãos quando nossos joelhos tocaram o chão e seus ombros para apoiar nossa cabeça nos momentos tristes e de solidão.

O restante é particularidades da nossa turma. Fiz o pessoal chorar e rir. E a música? Sempre fui um pouco eclético, pensei em colocar alguma música gospel, mas optei por uma música clássica que adoro. Bach – Concerto de Brandemburgo #3

Bach bêbado

Bem… uma noite de sábado, insonia, deitado, solitário (pobre e feio é foda), pensando em mi passione ao som de Heart – What About Love (oh muié danada). Celular zapeando pelas rádios curitibanas, várias estações, vários ritmos. Sertanejo, rock, new age, hiphop, dance, country, nacional, gospel, clássica, pop, relax, flashbacks. Bingo! Tico e teco a pleno vapor.

Penso que todo o ser humano que possa ouvir tem músicas inesquecíveis em sua vida. Aquelas que quando ouvimos lembramos de fatos marcantes em nossa vida. Fatos engraçados, alegres, encontros amorosos, despedidas, festas, filmes e por aí vai. Conforme for me recordando e sobrar tempo vou citar a música e a história relacionada.

Você também recorde de algumas músicas que marcaram sua vida, pois a música alegra a alma e o coração.

Momentos e músicas que marcaram minha vida. Formatura de nível superior não poderia faltar. Alguns relançes que podem revelar quem sou (hehehe). Vou começar pelo começo (haha). Entrei na universidade com 26 anos de idade uma idade um pouco incomum para entrar numa universidade.

Lembro-me que para arrecadar dinheiro para a cerimônia de colação e baile fizemos uma feijoada. En passant de passagem a maior feijoada da cidade! Conseguimos trazer até o prefeito (não éramos fracos). Fui o orador da turma. Elaborei um texto pensativo, emocionante e divertido (bem a minha cara). Recebi prêmio ao mérito por desempenho acadêmico, mas chega de egocentrismo.

Como cada um tinha que escolher uma música para tocar na entrada para pegar o diploma fiquei um final de semana inteiro vendo minha discoteca virtual para decidir qual música escolheria (eu gravei umas seis músicas para as garotas da sala). Quando recebi, ajoelhei-me, apontei os dedos para o céu e agradeci à Deus (foi show esta cena tenho gravado no DVD).

Eu sempre quis uma música clássica, mas qual, em meio à tantas? Depois de muito refletir, acabei escolhendo uma sinfonia alegre Bach – Concerto de Brandemburgo #3. Putz, se alguém da minha turma um dia ver este blog, vão saber quem sou. Mas não dá nada, não devo nada pra ninguém (bom tem o Banco do Brasil e o Itaucard hehe).

E o baile então, vale outro post. Só me lembro da minha irmã e dois amigos me deixando em casa totalmente embriagado. Me falaram que eu fiz cada coisa (nego até prova em contrário). Hoje raramente bebo e controladamente, é a maturidade.