Encerando a casa

Final de semana em casa na companhia da família. Como o contato familiar faz bem à nossa vida. Meus sobrinhos como sempre não me deram folga, haja folego. Uma garoa tomava conta da cidade, logo, ficamos dentro de casa. Minha esperta sobrinha pegou um álbum de fotos e começou a me mostrar perguntando-me quem era quem. Nossa a tia era bem gordinha (rs).

Minha mãe tem quadros na parede com fotos das minhas irmãs. Parei em frente à foto da minha irmã caçula e fiquei pensativo por algum tempo vendo-a tão pequenina naquela foto. Na época da foto ela devia ter um ano e alguns meses, estava com um vestidinho azul com um detalhe em vermelho, sapatinho branco daqueles tipo bailarina e duas marias-chiquinhas no cabelo. O rostinho gordinho e um sorriso nos lábios. Quanta recordação boa veio em minha mente.

Quando minha mãe deu à luz a minha irmã caçula eu tinha 14 anos de idade. Lembro-me que adorava brincar com ela. Uma de nossas brincadeiras prediletas era a seguinte: minha mãe fazia tapetes com retalhos de pano e sacos de batata, ela costurava cada tirinha no saco até preencher todos os espaços, ficava um tapete muito bonito com diversas tonalidades de cores. Pegava aquele tapete, punha minha irmãzinha em cima dele e puxava-a pelo assoalho de madeira de nossa casa. Fazia isto inúmeras vezes apenas para ver as doces gargalhadas que a minha irmã soltava. Minha mãe comentava: estão encerando a casa?

O tempo foi passando, ela foi crescendo, na época escolar eu era seu professor particular de matemática (era para todos os meus irmãos). Na sua adolescência tive muitos gastos porque comprava roupas e bugigangas para ela, fora as rodadas em pizzarias. Ela foi uma adolescente um pouco complicada devido as suas ‘amizades’.

Hoje em dia, está mais madura, cuida do seu filhinho com um zelo ímpar. É, estou envelhecendo, pensei comigo ao avaliar aquele quadro e depois vendo-a dando banho no seu filho. Coisas que somente o tempo é capaz de fazer.

Sabedoria Infantil

Sábado dia 23 de julho, aniversário da minha querida sobrinha. Passo na Yellow Kids e compro seu presentinho. Meia hora depois já estava rumando para Santa Catarina. O ônibus atrasou devido à obras na rodovia, tive que pegar um outro ônibus que não passava perto da casa da minha família, ok, faz parte, gosto de caminhar.

Começo a subir a rua da minha casa. Minha sobrinha sempre me espera no ponto de ônibus que tem em frente a minha casa. Avistou-me, saiu correndo com seu lindos cabelos louros ao vento em minha direção. Abri meus braços, recebi-a com um abraço tão puro que minha emoção ficou nítida em meus olhos.

– Cadê o beijo do tio?

– Smaaac!!! Tio “inho” o que você tem nesta bolsa? Já sei meu presente.

– Não é não, é um livro que o tio comprou…

– A vó tá fazendo o meu bolo, vai ter cachorro quente, refrigerante e tio como é o nome daquelas massinhas que tem carne no meio, pequenas e redondinhas?

– Cochinha..

– Sabe que hoje é o meu “niveisário” tio?

– É, não sabia… O olharzinho dela pra mim foi algo tão doce e ingênuo que fui obrigado a entregar a sacola pra ela e dizer surpresa, PARABÉNS!!! Seus olhinhos brilharam, disse pra ela que tinha o presente dela e do meu outro sobrinho.

Chegamos em casa, pedi benção aos meus pais, minha mãe estava fazendo um bolo com recheio de morango (uma delícia, seis horas da manhã de domingo assaltei um pedaço na geladeira rs). Ela toda faceira com os presentes, pegou-me pelo braço, fomos nas casas dos seus amiguinhos convidá-los para a sua festinha.

Primeiro foram os seus primos, já estava com ela e mais duas crianças na rua. Depois ela disse pra mim: – tio, vamos chegar na casa da Milena pra convidar ela também. Chegamos, uma casa bem humilde, ela perguntou pra mãe de sua amiguinha se ela deixava a Milena ir ao seu aniversário. Eis o diálogo que me impressionou de maneira positiva:

Mãe da amiguinha: Nossa, a gente não sabia que hoje era o seu aniversário, nem compramos presente! Minha sobrinha olhou para a mãe da Milena e falou uma pequena frase mas com um grande significado que prezo em minha vida.

Minha sobrinha: Não precisa de presente, o que vale é a amizade, ter meus amigos no meu aniversário… Abraçei minha sobrinha junto a mim e falei pra ela: É por isso que o tio te ama de montão!!!

Chegamos em casa, minha sobrinha foi arranjando cadeiras para os seus amiguinhos, você senta aqui, você senta lá, cantaram os parabéns, ela assoprou a velinha, e me surpreendeu mais uma vez… Antes de começar a comilança ela falou: Esperem, a “pefêssora” disse que temos que orar antes de comer. E fez sua oraçãozinha de olhos fechados e mãos uma sobre a outra. Ao final disse: pronto, podem comer, bom apetite à todos.

Muitos estudam Platão, Aristóteles, Sócrates, Hegel, Kant, Freud, Nietzsche, Confucio, etc… Muitos estudam 10, 20, 30 anos, fazem PhD em Cambrigde, Oxford, Yale, MIT, Harvard, etc… Passam a vida atrás de conhecimento e não adquirem sabedoria.

Muitas vezes a sabedoria reside na simplicidade e sinceridade de uma criança, pense nisso!!!

Virado de feijão

Seis da matina!!! Domingão, um silêncio na rua, saio pra fora para ouvir o cantar do galo e admirar a infinidade de estrelas. Ouço um barulho ritmado e seco ao lado da casa. Bença meu pai. Deus te abençoe meu filho. Estava cortando gravetos para fazer fogo no fogão à lenha. Ajudei-o.

Entramos na cozinha de mansinho para não acordar a minha mãe, a minha irmã e os meus sobrinhos. Fizemos o fogo, em silêncio meu pai pegou uma velha panela de ferro, pos algumas conchas de feijão preto, os temperos na medida que ele desejava e a banha de porco.

A chaleira de água quente chiando, um bom chimarrão e uma boa conversa. O feijão borbulhava lentamente na panela. Meu pai pegou a farinha de milho, fez o ritual de misturar a farinha com o feijão. Neste meio tempo peguei uma frigideira, untei-a com banha, cortei alguns pedaços de costelinha de porco e pus para fritar.

Lá pelas 7 da matina estávamos comendo virado de feijão com costelinha de porco. Minha sobrinha acordou, sentou-se no meu colo e perguntou o que a gente estava comendo e também participou do banquete.

Desde criança que o meu pai frequentemente faz virado de feijão, o melhor que eu conheço, tem toda uma técnica peculiar.

São momentos simples que passamos juntos de nossa família que fazem a vida ser única.

Sapecada em família

Sábado passado pego o ônibus e rumo para Santa Catarina rever a família. Chego na cidade, 45 minutos de caminhada porque o ônibus que vai para o bairro onde minha família mora demoraria 40 minutos para sair, sabe como é, cidade do interior, é assim mesmo.

Benção meu pai, benção minha mãe, meus sobrinhos pedindo colo, meu irmão com o seu primeiro possante, clima familiar excelente. Após o almoço, reunimos a família, os apetrechos e rumamos ao interior da cidade tirar pinhão.

Desde quando me entendo por gente, como diz meu pai, que sempre participei de excursões para tirar pinhão. Lembro que reunia-me com os amigos da rua e fazíamos a maior festa. Mas, voltando a história em questão, chegamos numa chacará com uma “tapera” abandonada. Minha sobrinha e meu sobrinho foram ver as “galinhas diferentes” (angolistas ou galinhas de Angola). Eu e meu pai tiramos as esporas do carro (também conhecido como pé-de-ferro), chamamos o restante da trupe, passamos por um curral, caminhamos um pouco e chegamos num pinheiral, sei lá, deve ter mais de 100 pinheiros.

Nos pinheiros menores derrubávamos as pinhas com uma taquara, meus braços e ombros ainda estão doloridos. Nos pinheiros maiores, ora meu pai, ora eu subia com a ajuda das esporas. Minha mãe, irmã e sobrinhos “desfalhavam” as pinhas e separavam os pinhões. Show ver meus pequenos sobrinhos (6 e 2 anos) “catando” pinhão no gramado.

Depois de algum tempo, convidei meus sobrinhos para pegar “grimpa” (também conhecido por sapé) para fazer uma sapecada de pinhão ao melhor estilo e tradição campeira do sul do Brasil. Para quem não sabe, a sapecada consiste em você fazer um monte com grimpa seca, semear pinhões pelo meio e atear fogo até as grimpas queimarem bem. Depois é só retirar os pinhões assados e saboreá-los (tem gosto de nostalgia, tradição, história, pinhão, rs). Tadinhos dos meus sobrinhos, descobriram da pior maneira que é preciso esfriar um pouco os pinhões antes de pegá-los.

No domingo, dia das mães, almoço em família regado a pinhão cozido com sal. Meu pai distribuiu um pouco para os vizinhos e parentes. Eu trouxe um pouco para Curitiba encomendado pela primeira dama (eu tento agradar). E lá se foi mais um final de semana com boa história para contar.

Simples gestos

Dia destes, um calor infernal, depois de andar muito pelas ruas curitibanas, resolvo parar e almoçar. Encontrei um bom restaurante perto da Biblioteca Municipal. Adentrei ao recinto, servi-me no buffet, pedi um suco de laranja e começei a almoçar. Neste ínterim entrou uma família, o pai, o filho e a filha. Notei que o pai era deficiente visual. O pai sentou-se, sua filha cordialmente serviu o prato para ele. Achei muito carinhosa a forma que a filha ajudava o seu pai a comer, seja cortando a carne ou auxiliando seu pai com o garfo e o refrigerante. Somente após seu pai comer foi que ela serviu-se também.

Quantos filhos estão fisicamente ao lado de seus pais, mas emocionalmente à milhas de distância. Achei aquele singelo gesto uma grande demonstração de amor. Muitas vezes pensamos que para demonstrar amor necessitamos de grandes e eloquentes atos. Não, o amor, é simples, está contido nos pequenos gestos diários que fazemos: seja por um abraço, por um flor, por uma simples ligação. A família é um dos pilares que sustenta um ser humano, pense nisso.

Bisonho

Celular me despertou as 5h45 da matina. Espero até 6h15 para pegar o ônibus, mais 20 minutos esperando o outro ônibus até Santa Catarina. Fui conversando com um colega até perto da minha cidade. Desta vez consegui pegar o ônibus para o meu bairro. Chegando em casa, sinto um aroma muito bom, minha mãe tinha acabado de fazer pão de forno, nem preciso dizer que ataquei o pão. Antes disso, aquele abraço em meus pais. Fui com meus sobrinhos na venda comprar chips e balas. Haja força para levar no colo, um em cada braço. Tempo razoavelmente bom, pus-me a cortar lenha enquanto meus sobrinhos brincavam na areia.

Esquentou o corpo e já tirei a blusa. No meio de uma tora de lenha meio pobre (adj pijuca), saiu um pequeno besouro da madeira (conhecido na região por chinchin devido ao barulho que o mesmo faz). Mostrei para a minha sobrinha dizendo: olha aqui o que o tio achou, um besouro!!! Um “bisonho” tio? Pus-me a rir muito. Lá veio ela toda faceira ver “o bisonho”. Pronto, acabou meu corte de lenha. A “espuleta” obrigou-me a brincar com ela e seu “animalzinho de estimação”, “o bisonho”. Colocamos o bicho em cima de uma pilha de tijolos, ela cobriu ele com uma lona preta e colocou serragem dizendo que era sua cama e umas folhas verdes de pêssego dizendo que era sua comida. E foi assim até o final da tarde. Olhava e olhava “o bisonho”.

Adoro meus sobrinhos justamente por isso, qualquer coisa simples traz alegrias para eles e consequentemente esta alegria contagia-me também. E nós, ditos seres adultos e evoluídos, por vezes, não nos contentamos com nada. Devemos seguir o exemplo de uma criança: qualquer coisa simples, qualquer brincadeira é sinonimo de alegria e felicidade.  Voltei hoje cedo para Curitiba com o corpo um pouco cansado, mas com a alma renovada.

holiday at family’s house

Véspera de feriadão, PQP, trabalhei até 10h15min da noite, normal, afinal o trabalho dignifica o homem, mas não precisa ser tanto rsc. Chego na casa da minha tia, banho antes de dormir, converso um pouco com minha avó noveleira e eis que o silêncio impera. Mais ou menos, 3h30min da madruga chega minha tia e meu tio do bailão, ouço suas vozes na cozinha. 5h45min o celular me desperta, visto uma roupa social e rumo pegar o ônibus. Duas horas até a cidade onde minha família mora. Trânsito bem sossegado, motorista também, cheguei as 9h05min e como no domingo só sai ônibus a cada 1 hora, tive que ir a pé até em casa (55 minutos de caminhada). Cidade deserta aos domingos, clima ameno. Sobe morro, desce morro, vários outdoors com nossos estimados e valorosos políticos.

Enfim, chego em casa, sou recebido com um abraço muito carinhoso e demorado de minha sobrinha, que recepção. Bença meu pai, bença minha mãe. Juntamente com meu cunhado descemos ao mercado comprar os ingredientes para o churrasco. Sempre sou o assador da carne. Um bom chimarrão, uma boa prosa, meus sobrinhos e suas traquinagens. À tarde fomos “campiá” (adj para procurar) o cavalo que é do meu pai. 10 alqueires de terreno, um tanque muito bonito, vários cavalos e nada de encontrar. Andamos e andamos por diversas trilhas. Paramos descansar a beira do imenso tanque, eu e minha sobrinha nos divertindo jogando pedras na água. Voltamos para casa, assisti o filme da abelhinha junto com minha sobrinha. A moleca não me dava sossego, ficava me fazendo cócegas nos pés.

Segunda-feira, levantei super cedo, pus-me a “picar” (adj para cortar) lenha, uma coisa que adoro fazer desde os sete anos de idade. Minha sobrinha logo veio “me ajudar”. Ficou brincando na areia com uma peneira. Meu sobrinho também se juntou a nós. À tarde a avó paterna de minha sobrinha, ai foi só farra. Tarde bonita, seis crianças brincando no gramado em frente a minha casa.

Terça-feira, de manhã tive que pintar uma revista junto com minha sobrinha e depois fizemos vários aviões de papel (um hobby meu). À tarde fomos eu, minha mãe, minha irmã e meus sobrinhos visitar a casa do meu irmão que está em fase de acabamento. Haja fôlego e força para carregar minha sobrinha. Na volta ajudei minha mãe fazer pão de forno. À noite meu irmão me trouxe o seu notebook para eu configurar, minha sobrinha esperta que só ela, brincou de escrever no notebook.

Quarta-feira bem cedinho tomei café dei um beijo no rostinho da minha sobrinha, pedi a benção aos meus pais, peguei o ônibus para Curitiba e cá estou eu trabalhando novamente. Assim é a vida, existe tempo pra tudo (sábia palavras minha mãe).