A primeira rosa

Na época eu tinha oito anos de idade. Diariamente as 7 horas da manhã, lavava meu rosto, passava um pente no cabelo, de vem em quando um gel (mas não gostava muito), colocava a camiseta branca (que já estava amarelando devido ao uso) e uma calça de brim azul que ganhei do meu pai e juntamente com meu amigo rumava em direção ao colégio.

Adorava resolver continhas de matemática no quadro (a professora era a minha fã rs). Sentava na penúltima cadeira da fileira do meio da sala (lugar privilegiado). Na fileira ao lado duas carteiras à frente estava ela, minha primeira paixão (pelo menos a que eu recordo rs). Era uma morena clara, tinha uns nove, dez anos, cabelos longos cacheados e bem cuidados pela sua mãe. De vez em quando rolava algumas trocas de olhares, mas um menino tímido de oito anos de idade ficava tremendo de medo e apenas ficava nas fantasias do amor pueril com ela.

Algumas vezes, este que vos escreve ajudava-a a resolver problemas matemáticos. Numa certa manhã quando ela foi me alcançar o lápis nossas mãos se entrecruzaram, ficamos vermelhos igual pimentão e fui obrigado a ir no banheiro pois estava suando de medo/vergonha. Ela sempre bem arrumada em seu uniforme escolar, eu diversas vezes com um quichute e o cabelo sem pentear.

Nas aulas de educação física sempre trocava olhares com ela. Ela não gostava muito de esporte físico, ficava com sua amiguinha passeando ao redor da quadra. Eu adorava jogar bola e fazia de tudo para impressionar e foi num belo dia que o desastre aconteceu. Me lembro perfeitamente do ocorrido.

Lá estávamos jogando bola na quadra. A bola era de borracha cor azul, dura pra caramba, meus pés ficavam vermelhos. Lembro-me que um pouco à frente do meio campo preparei a canhota e soltei o balaço em direção ao gol adversário. A bola passou raspando a trave esquerda. Ela e sua amiguinha estavam passando por trás do gol. Bingo, a bola acertou-a em cheio no rosto que derrubou-a na mesma hora. Fiquei perplexo de medo, minhas pernas tremeram. O professor apressou-se à socorrê-la. Ela levantou meio zonza, olhou ao redor desnorteada, tomou um gole de água e olhou-me com uns olhinhos tristes. Vixe, foi duro aguentar. Passei aquela semana só pensando em como falaria novamente com ela.

Um mês depois de ocorrido o fato,  antes de ir para o colégio, passei em frente à um grande sobrado estilo germânico, adentrei sorrateiramente no jardim e colhi uma rosa amarela. Pus ela na minha mala, fiquei no portão esperando ela chegar. Minha boca estava seca, gaguejei muito, mas tive coragem, me desculpei, peguei a rosa que já estava quase sem pétalas e entreguei à ela. Seu rosto corou. Ela guardou a rosa dentro de um caderno de confidências. Foi a primeira flor que dei para uma garota. De lá para cá, bom, creio que já dava para abrir uma floricultura. E tem gente que acha que homem que dá flores não é macho. Muito pelo contrário é preciso honrar os bagos pra ter coragem de dar flores. A rusticidade mostra-se na cama (oigalê).

O ano passou, ajudei-a a passar em matemática. O último dia de aula ganhei dela um cartão postal da Torre Eiffel (perdi-o na mudança). No final do ano meus pais se mudaram para outro bairro para finalmente sair do aluguel, nunca mais vi a minha primeira paixão. Quando vejo um canteiro de rosas sempre relembro desta história da minha infância.

Amizade

Existe um jardim com belíssimas flores.
No meio deste jardim reside uma pequena e frágil flor.
A cada nova alvorada um jardineiro fiel e zeloso
cuida com toda a dedicação desta pequenina flor.

Poda sua folhas secas, retira as ervas daninhas do seu redor,
rega com a mais cristalina água seu caule, raiz e folhas.
Protege esta pequena flor quando há tempestades.
Diariamente esta pequena flor cresce ficando forte e bela,
tornando-se a mais bela de todo o jardim.

O fiel jardineiro alegra-se ao cultivar diariamente esta raríssima flor,
pois dentre tantas é a sua flor predileta.
A pequena e eterna flor: única, cristalina e eterna, chama-se:
AMIZADE cultivada por DEUS.

Como vivem as flores

Era uma tarde quente de verão, e o vendaval agitava a folhagem com violência, anunciando a tempestade que se aproximava rapidamente. Pelas janelas abertas, um suave perfume enchia a casa. Lá fora, um espetáculo digno de nota acontecia. Açoitados pelo vento, os pés de manjericão, alfavaca e lavanda dobravam-se e liberavam um delicioso perfume.

Era impressionante notar a maneira como as flores e folhagens respondiam aos golpes violentos do vento. Os primeiros pingos de chuva enfeitavam as rosas abertas como se fossem diamantes líquidos. Mas o temporal anunciado logo chegou e as gotas da chuva, agora misturadas com o vento forte, pareciam um bombardeio cruel macerando as suaves pétalas, que respondiam à agressão liberando um perfume inconfundível.

Era incrível aquela lição viva de generosidade e resignação! Ante a violência do temporal, instintivamente as plantas se dobravam para não quebrar. As plantas não pensam, não são seres racionais, mas cumprem silenciosas e submissas, as tarefas que o Criador lhes confia, apesar das tempestades da vida.

Assim também agem algumas pessoas. São como as flores que, mesmo maceradas pela enfermidade cruel, pela agrestia da vida, respondem com o perfume do otimismo e da alegria. Seres racionais que são, sabem que todas as lições que lhes chegam são oportunidades de crescimento e auto-superação. Isso acontece com uma jovem senhora, agredida por um câncer cruel que tenta lhe roubar o corpo, minando-o aos poucos e insistentemente. Quando soube que teria que fazer quimioterapia novamente, não se desesperou.

“Eu venci essa doença uma vez e vou vencê-la de novo”. Falava com fé e disposição na alma. A família, preocupada com seu estado de saúde, insiste para que ela fique em casa, repousando, mas ela prefere trabalhar. Trabalha como vendedora e sempre supera as metas estabelecidas pela gerência. Quando faz o tratamento quimioterápico, ela passa muito mal. Mas a dor não a impede de estar o dia todo com um sorriso nos lábios, distribuindo otimismo entre seus colegas. Sempre gentil, ela dribla a doença, trabalha, confia, sofre, espera.

Uma pessoa assim é como uma flor que, mesmo açoitada pelos ventos fortes e pela violência da chuva, exala perfume e não deixa de florescer a cada primavera. Até parece que Deus permite que pessoas assim nasçam na terra para exemplificar a resignação, a confiança, o otimismo. Pessoas que não se deixam desanimar, mesmo diante dos quadros mais graves e desesperadores. O corpo sofre as agressões da doença, não há dúvida. Mas o espírito está intacto, lúcido, ofertando o perfume da gratidão a Deus pela bênção da vida. E vive intensamente.

Enquanto muitas pessoas saudáveis reclamam por coisas mínimas, faltam ao trabalho sem motivos justos, aquela mulher-flor abre suas pétalas de esperança dignificando a oportunidade de crescer que o Criador lhe concede. Sem dúvida um exemplo incomum. Em vez de se deixar derrotar pela enfermidade, ela luta com vigor e coragem, e, acima de tudo, com confiança plena em Deus.

Quando, em algum momento, sua coragem ameaça vacilar, pensa nas pessoas que sofrem mais que ela e firma o passo outra vez, seguindo em frente. Imitando as flores que, mesmo tendo suas pétalas rasgadas pelo granizo, não deixam de exalar perfume, também essa moça valente não permite que a doença lhe roube a paz de espírito e a imensa vontade de viver.

Pense nisso, e busque viver com otimismo, por mais que a situação esteja difícil.

Flores

Pense em um deserto: Temperaturas escaldantes, extrema aridez do solo.
Várias ameaças à sobrevivência: Cobras, escorpiões e aranhas.
Neste tipo de ambiente inóspito, porém, milagres acontecem.
Certo dia um vento brando vindo de muito longe trouxe consigo
Com todo o carinho e zelo uma pequena sementinha.
Esta sementinha caiu mansamente no solo seco e árido em meio aos cactus.
Que “sobreviviam” com seus afiados e venenosos espinhos.
E o milagre começou a se desenvolver.
Após alguns dias, mesmo sem a presença da chuva, a pequena sementinha germinou.
Os cactus, feios e espinhentos,
Perceberam a “beleza” daquela pequena flor que acabara de nascer.
Os cactus tentaram de todas as maneiras minar as forças daquela pequena flor.
Com seus poderosos e afiados espinhos começaram a chicotear a pequena flor.
Seu frágil caule, suas flores e folhas, muitas vezes, dia após dia, ficavam com muitas cicatrizes.
Mas a cada amanhecer, a pequena flor fortalecia sua estrutura,
Seu caule, folhas e flores ficavam muito fortes e belos.
Em meio a imensidão do deserto que cercava a flor,
Ela era única e se destacava em meio aos inúmeros cactus.
Pois esta pequena flor era diferente dos cactus que ali habitavam.
Em meio à poeira, calor e aridez do deserto,
A flor vivia forte e confiante no seu progresso.
Certo dia, um biólogo, ao fazer pesquisas neste deserto, descobriu este milagre.
Em meio aos cactus espinhentos,
Seus olhos extasiaram ao ver pela primeira vez aquela grande flor.
O biólogo, acostumado a presenciar fatos diferentes,
Ficou sem explicação ao contemplar aquela flor no deserto.
Não conseguia, apesar de toda a sua experiência,
Explicar a sobrevivência de raríssima flor em meio aquele ambiente hostil.
Está curiosa para saber a explicação, vou te contar:
O vento que trouxe a pequena sementinha é o sopro divino.
Os cactus, são os problemas, decepções, tristezas e desilusões.
E a flor? Está lendo este texto agora.
Mas como consegue destacar-se e vencer os cactus do dia a dia,
Como consegue as proteínas, vitaminas e carboidratos diários para viver.
Simples, o mesmo vento que trouxe a sementinha,
Trouxe consigo tudo o que a flor necessita para viver e curar seus ferimentos.
E este vento [o sopro divino] traz consigo um poderosíssimo bálsamo
Para curar as feridas desta grande flor:
Sim, é isto mesmo que você está pensando agora:

AMIGOS FIÉIS,
VERDADEIROS E
ETERNOS

Amigos que cuidam dos ferimentos,
que protegem contra os espinhos,
que fortalecem a estrutura
Que proporcionam a vida um sentido único e eterno,
que alegram-se infinitamente ao ver a FELICIDADE desta flor
O biólogo, é o mundo, que aplaude e admira esta flor
Se a aridez, calor e espinhos tentarem te ferir,
lembra-te de quem te AMA, na verdadeira acepção da palavra.