O que você faz?

Vivemos em sociedade. Diariamente encontramos diversas novas pessoas em nosso caminho. A grande maioria nem chegamos a trocar uma palavra devido ao nosso escasso tempo. As poucas pessoas com as quais iniciamos uma conversa são levadas para o velho clichê que sugere o fortalecimento do ‘ter’ na sociedade moderna. A clássica pergunta: o que você faz?

Pré-julgamos as pessoas, por diversos fatores e características, desde a sua roupa até a sua profissão. Então muito cuidado ao dizer que você é apenas uma atendente de lanchonete ou apenas um servente de pedreiro. É comum sermos julgados pelo que possuímos. Vejo diariamente muitas pessoas que apenas conseguem ver aqueles que possuem ‘valor’ perante a sociedade, são incapazes de dizer um bom dia ao porteiro, a faxineira. Na concepção destas pessoas estes simples trabalhadores não podem agregar nada de valor a sua carreira. Agora quando alguém está de terno, viram baba-ovos (ideia para outro texto).

Claro que quando conversamos desejamos conhecer as pessoas, o que fazem, o que pensam, etc. Mas devemos ter humildade para tratar qualquer pessoa, independente de posição e status social, da maneira com a qual gostaríamos de ser tratados. Ainda bem que meus pais me ensinaram este preceito de vida. Rabisquei um texto sobre o ter e o ser aqui.

Aquela velha brincadeira que eu gostava de pronunciar: sou um garoto de programas, quando me perguntam o que eu faço já está se desgastando. Daqui por diante quando me perguntarem o que eu faço, responderei:

Sou um colecionador de experiências de vida.

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Corrida diária

Todos os dias enfrentamos uma São Silvestre em nosso trabalho, corre aqui, corre acolá, faz isto, refaz aquilo, pensa nisto, esquece aquilo, estuda isto, etc e tal.

Hoje, na sociedade moderna onde existe uma competição brutal pelo primeiro lugar (o que seria este primeiro lugar?), torna-se muito difícil por um fiel na balança evolutiva do ser humano, o grande embate trabalho versus vida pessoal. Todos temos capacidades incríveis dentro de nossa mente, a história da humanidade está repleta de casos de superação. Agora esta corrida louca pelo Santo Graal, pelo posto mais alto no pódium, na minha humilde opinião, com o tempo pode gerar graves problemas existenciais. Quando a vitória definitiva chega, o que vem após dela?

Vários casos de pessoas que adquiriram esta “vitória definitiva” e depois ficaram sem um porquê e para quê da vida, e procuraram outras formas de conseguir felicidade.

Grande é o homem que sabe de sua pequenez perante a vida.

e alegremente, a cada amanhecer vive o seu dia com humildade conquistando pequenas vitórias e fortalecendo-se após levantar-se das derrotas para que ao final do dia ele possa chegar em casa tranquilo independente se ele alcançou o primeiro lugar ou o décimo quinto, pois o importante é completar a corrida diária com satisfação.

O dinheiro pode comprar tudo?

A idéia de que o dinheiro pode comprar tudo principalmente numa sociedade capitalista pode ser verdade, mas é uma verdade relativa. A “classe dominante” pode ter e fazer de tudo e para esta classe só existe quem possui muito dinheiro no bolso.
Para esta classe a felicidade consiste em comprar caríssimos perfumes parisienses, comprar o exclusivo terno italiano, comprar um carro importado de última geração, as horas de sexo com modelos ou pessoas famosas no dito “meio social” (quanto será que uma ex-BBB cobra?), o apartamento triplex no bairro mais caro da cidade. Esta “felicidade” é imposta pela sociedade diariamente pelos diversos meios de comunicação e é quase impossível fugir desta “realidade virtual”.
No entanto, a verdadeira felicidade não pode ser comprada nem por todo dinheiro deste mundo (jargão antigo, mas na minha pequena concepção ainda é válido). Por exemplo, o dinheiro pode comprar “amigos”, mas a verdadeira amizade jamais conseguirá comprar. Pode comprar tudo o que tem de melhor, mas não é capaz de comprar apenas um único sorriso verdadeiro.
Quem possui muito dinheiro corre o risco de sua vida perder o sentido (quantas pessoas bem-sucedidas financeiramente cometeram suicídio), ao contrário das pessoas menos providas de capital que vêem nas pequenas coisas que conquistam com muito esforço e suor a verdadeira essência do viver.
É claro que o dinheiro é importantíssimo para todos, mas não devemos deixar que domine nossa mente, pois estas serão pessoas sem ética e caráter algum que passam por cima de tudo e de todos para conseguirem seus objetivos.
A maioria das pessoas, hoje, não se preocupa com sua felicidade, mas com que as outras pessoas vejam em seu “status social” a sua felicidade. O famoso superego que Freud já explicava.
Nada mais natural do que ser infeliz numa Mercedes importada do que ser feliz num FIAT 147. Você pode me perguntar: quem tem uma Mercedes não pode ser uma pessoa triste, mas existem inúmeros casos que provam o contrário, basta ler livros de psicologia e psicanálise. Pessoas que possuem tudo o que o dinheiro pode comprar, menos as duas coisas mais importantes desta vida: a saúde e a verdadeira amizade. A amizade é ainda mais importante para estas pessoas que desejam um amigo que possam compartilhar suas vitórias e fracassos sem que estas tenham em mente algum benefício em troca de sua “amizade”.
Um belo exemplo é de um lavrador norte-americano que foi questionado por um grande magnata sobre o que era felicidade para ele. Sua resposta foi a seguinte: “Felicidade é acordar todo dia cedinho, ouvir o cantar dos pássaros, beijar a mulher e os filhos, cortar a lenha para fazer fogo e esquentar a água para o café, cuidar da lavoura, dizer bom dia aos vizinhos, reunir todo dia a família para jantar e agradecer pelo “feijão com arroz” de todo o dia.
Moldamos a felicidade, quer queiramos ou não, a mídia sorrateiramente impregna isso em nosso subconsciente, pela fortuna material que possuímos. Se for assim, estou perdido. É a famosa e verdadeira constatação: quando mais se tem, mas se quer. Conjugamos o ver TER e não o verbo SER. Muitos passam pela vida apenas almejando cada vez mais e mais dinheiro, tudo bem, dinheiro traz comodidade e conforto, e esqueçem de viver. É só você verificar sua própria família que vai descobrir um caso assim. Sendo necessária a ocorrência de um fato extraordinário (normalmente doença incurável ou acidente sério) para mudar sua concepção de vida. E engraçado notar, o ser humano reage mais rapidamente à impulsos negativos.
Felicidade é fazer de cada dia um dia único em nossas vidas, sempre cultivar o bom humor e otimismo para o dia seguinte.
A verdadeira felicidade está nas pequenas coisas e gestos que fazemos diariamente para demonstrar para as pessoas o quanto elas são especiais para nós. Um abraço amigo, um sorriso verdadeiro, uma frase bonita, um ouvido para escutar os problemas de quem amamos, uma palavra de incentivo.
Portanto, não vamos deixar para amanhã o que podemos expressar para as pessoas que são especiais em nosso viver, pois este amanhã pode ser tarde demais.
“O verdadeiro homem feliz não é aquele que se entristece com as coisas que não tem, mas se alegra com as que têm”. (Epicteto)

Reflexão

Na verdade este texto foi escrito no meu outro blog (in memorian rs) a long time ago, estou apenas postando aqui também.

Estou no laboratório da federal esperando o chefe para discutir o andamento do mestrado, na rádio on-line (977 80’s channel) está tocando Spandau Ballet – True. Filosofando um pouco sobre a vida. Calor danado. Acabei de voltar do almoço no restaurante universitário (tinha berinjela à milanesa e banana de sobremesa). Mais dois bolsistas na sala. Siilêncio impera, apenas algumas vozes ao fundo de pessoas passando pela calçada. Segue uma frase que me veio à mente neste exato momento:

Se formos parar e analisar todos os porquês e para quês que regem nossa vida: não vivemos

A vida é simples, precisamos de pouquíssima coisa para sermos felizes: ter um sonho, ter amigos, ter uma família, ter paixões, ter alguém para amar, ter um Deus para acreditar, ter saúde, ter um teto sob nossas cabeças, ter vestimentas para nosso corpo, ter alimento para nossa fome, ter capacidade para ajudar quem precisa.

Pena que muitas vezes, seja pela dita vida moderna, seja pelo “nosso egocentrismo” momentâneo, seja para agradar à alguém, seja para conquistar algo, seja para nossa autoestima; esquecemos desta simplicidade em viver e mergulhamos em um mundo que não é nosso, que está além de nossa personalidade. Mas para isto existem os amigos e família, para puxar nossa orelha quando estamos percorrendo um caminho errado. Agora está tocando Eurythmics – When Tomorrow Comes. Hoje penso em ir para casa mais cedo, sexta-feira, ônibus lotados, etc. Bueno, vamos trabalhar um pouco!!!

A força da humildade

Nestes tempos globalizados em que vivemos, a palavra humilde teve seu significado distorcido para pobreza de espírito, ignorância, fraqueza. Sentidos que, na realidade, ela não possui. A palavra humilde vem do latim humile e, etimologicamente, quer dizer baixo, rente com a terra.
Segundo os hebreus, humildade é modéstia e reconhecimento, oriunda da palavra hebraica hodaa, que significa dizer muito obrigado a Deus. A humildade, ao contrário do que muitos pensam, não é depreciar a si mesmo, nem a ignorância com relação ao que somos, mas justamente o inverso; é o conhecimento exato do que não somos; é a aceitação plena dos próprios defeitos e qualidades sem a necessidade de invocar a vaidade. Na natureza, como todos sabem, tudo se transforma. Temos um grande exemplo de humildade quando as folhagens, frutos, animais mortos e troncos se decompõem, voltam para a terra em forma de adubo orgânico, nutrindo toda a vida à sua volta. Sob este prisma, cada um de nós, um dia, terá com certeza a sua oportunidade de ser humilde.
Mas no dia a dia, a verdadeira humildade é vista apenas nos processos de autoconhecimento avançados; é aquela em que o homem tem consciência plena de quem ele é – das suas habilidades, das suas qualidades e defeitos -, compreende, assim, a natureza da sua inferioridade, reconhece seus limites, mas isto não o aflige; ele se esforça para atingir a excelência na busca incessante de seu aperfeiçoamento físico, mental e espiritual.
A humildade é a coragem de assumir que posso estar errado e exige a responsabilidade de aprender com as experiências e conhecimentos disponíveis ao seu redor. Segundo a filosofia judaica, se a tolerância é o motor da vida, a humildade é o seu combustível.
Juan Luis Lorda, professor de Antropologia na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra na Espanha, diz que quem ama a verdade, procura formar a consciência: conhecer os princípios morais, pedir conselho a pessoas corretas e com experiência; não considerar humilhante que nos corrijam. De fato, os outros observam-nos de fora e com mais objetividade do que nós mesmos. Também é preciso tirar experiência dos próprios atos, examinar-nos com freqüência (diariamente) e corrigir os erros. É preciso ser humilde para reconhecer os erros e retificar, mas isso nos dará uma grande sabedoria, e capacidade de ajudar os outros também.
Sendo assim, o autoconhecimento é a base da humildade. E um exemplo inverso disso é a declaração do jogador de futebol, o Português Cristiano Ronaldo no final de 2008, “Eu sou o Primeiro, o segundo e o terceiro melhor jogador de futebol do mundo”. Quantos supostos Cristianos Ronaldos nós conhecemos na empresa e no mundo, aqueles que acham que resolvem tudo sozinhos. Experimente colocá-lo num jogo onde somente ele integrasse o time. Humildade é trabalho em equipe, é reconhecer que o outro é também peça fundamental do seu sucesso.
Também é aceitar que você não é perfeito tanto quanto o outro e por isso pare de julgar indiscriminadamente as pessoas ao seu redor, existem pessoas que nunca estão satisfeitas com nada, são eternas caçadoras de falhas e erros, li em uma revista certa vez, a seguinte declaração: “Caso você encontre quaisquer erros nesta revista, por favor, lembre-se que eles foram colocados ali de propósito. Tentamos oferecer algo para todos. Algumas pessoas estão sempre procurando erros e não desejamos desapontá-las”.
Como desenvolver a humildade?
Segue algumas atitudes diárias que desenvolvem a humildade:
1 – Admitir que você não é o dono da verdade e que não sabe tudo.
2 – Ouvir os outros com atenção, pois qualquer pessoa pode lhe ensinar alguma coisa.
3 – Não confundir humildade com humilhação;
4 – Coragem! Humildade não é para covardes e fracos, somente os fortes conseguem ser humildes.
5 – Enxergar os pontos fortes e não somente os fracos das pessoas ao seu redor.
6 – Ter sensibilidade para perceber e disponibilidade para servir.