Encerando a casa

Final de semana em casa na companhia da família. Como o contato familiar faz bem à nossa vida. Meus sobrinhos como sempre não me deram folga, haja folego. Uma garoa tomava conta da cidade, logo, ficamos dentro de casa. Minha esperta sobrinha pegou um álbum de fotos e começou a me mostrar perguntando-me quem era quem. Nossa a tia era bem gordinha (rs).

Minha mãe tem quadros na parede com fotos das minhas irmãs. Parei em frente à foto da minha irmã caçula e fiquei pensativo por algum tempo vendo-a tão pequenina naquela foto. Na época da foto ela devia ter um ano e alguns meses, estava com um vestidinho azul com um detalhe em vermelho, sapatinho branco daqueles tipo bailarina e duas marias-chiquinhas no cabelo. O rostinho gordinho e um sorriso nos lábios. Quanta recordação boa veio em minha mente.

Quando minha mãe deu à luz a minha irmã caçula eu tinha 14 anos de idade. Lembro-me que adorava brincar com ela. Uma de nossas brincadeiras prediletas era a seguinte: minha mãe fazia tapetes com retalhos de pano e sacos de batata, ela costurava cada tirinha no saco até preencher todos os espaços, ficava um tapete muito bonito com diversas tonalidades de cores. Pegava aquele tapete, punha minha irmãzinha em cima dele e puxava-a pelo assoalho de madeira de nossa casa. Fazia isto inúmeras vezes apenas para ver as doces gargalhadas que a minha irmã soltava. Minha mãe comentava: estão encerando a casa?

O tempo foi passando, ela foi crescendo, na época escolar eu era seu professor particular de matemática (era para todos os meus irmãos). Na sua adolescência tive muitos gastos porque comprava roupas e bugigangas para ela, fora as rodadas em pizzarias. Ela foi uma adolescente um pouco complicada devido as suas ‘amizades’.

Hoje em dia, está mais madura, cuida do seu filhinho com um zelo ímpar. É, estou envelhecendo, pensei comigo ao avaliar aquele quadro e depois vendo-a dando banho no seu filho. Coisas que somente o tempo é capaz de fazer.

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