Mix Tapes Set 2

Para o pessoal que já passou dos trinta anos de idade e curtiu muito os anos 90, mais um set list para relembrar grandes momentos de diversão. Aumentem o volume, retirem as cadeiras da sala e bora treinar alguns passinhos (rs).

Penelope – Take a chance

Chimo Bayo – Asi me gusta a mi

Cartouche – Touch the sky

Colour – Heat of the night

Technotronic – Move this

2 For Love – Only for love

Culture Beat – Got to get it

Reminiscências

2012. O ano em que o mundo ia acabar, pois bem, não acabou e também não ganhei na mega sena da virada. Coisas da vida. Troquei de emprego 3 vezes. Este ano espero não precisar deste fator novamente. Passei por bons e maus momentos, ainda bem que a balança pendeu mais para o lado bom. Vivi momentos únicos ao lado de mi passione (nós dois deitados na grama com ela recostada sobre o meu peito, inesquecível). Escrevi menos, este ano prometo escrever mais. Aumentei minha resiliência apesar das trocas de emprego. Cortei mais alguns supérfluos, fiz um fundo de investimento (aleluia). Concretizei um sonho antigo (conto noutro post), tomei mais vinho (rs), comi menos fast food. Brinquei mais com crianças, arrisquei mais, falei menos. Emocionei mais. Solidifiquei antigas e criei novas amizades.

Enfim, 2012 foi um ano muito proveitoso para mim. Espero que neste ano eu tenha novos desafios para continuar lutando diariamente pelos meus ideais, e, com meus gestos eu possa alegrar e ajudar as pessoas que eu amo.

Feliz 2013 à todos!!!

Mix tapes

Aproveitando o feriadão e o aniversário do meu estimado pai junto com a minha família, resolvo ver minhas antigas coisas que estavam guardadas num baú velho de madeira que meu avô fez pra mim. Como a vida tem destas curiosidades saudosistas. Dentre livros, velhas apostilas, algumas revistas de conteúdo ‘interessante’, meu caderno de matemática, eis que meus olhos brilham de nostalgia ao vislumbrar  minhas fitas cassete dentro de um caixa velha de sapatos.

Minhas fitas cassete eram muito desejadas pela gurizada da rua, pois eu adorava fazer mix tapes de música dance dos anos 90 (grande época, grandes recordações) e distribuir para a gurizada. Na época eu estudava no período noturno no antigo segundo grau (quanto tempo), juntamente com um grande amigo meu fazíamos de tudo para conseguir comprar as fitas cassete da antiga Doctor Disco aqui de Curitiba (DJ Party Mix), as famosérrimas fitas amarelas e as vermelhas (especiais). A gente passava a tarde toda selecionando e gravando fitas cassete no meu grande rádio ‘double deck recorder’ preto que ganhei do meu pai (o melhor presente ganho até hoje).

Quantas tardes de sábado, quantas noites no intervalo das aulas, a galera se reunia para escutar nossas mix tapes. Eu passava o final de semana todo escutando programas de rádio para ver se uma nova música era lançada. Sabia de cor e salteado todos os horários dos melhores programas de rádio (em especial o inesquecível Ritmo da Noite da Jovem Pan mixado pelo grande DJ Iraí Campos). Dentre outros que me lembro tinha também a rádio Mundi de Ponta Grossa, a Atlântida de Blumenau, a Nova Era de Mafra, a Transamérica, etc.

Depois de passar um tempo vendo minhas fitas cassete e relembrando dos amigos e festas do passado, perguntei para a minha mãe onde estava meu toca-fitas preto, o mesmo onde eu escutava as minhas mix tapes. Para a minha enorme surpresa, ele ainda funciona. Não pensei duas vezes, peguei as fitas cassete, sentei na varanda da frente da minha casa como eu fazia antigamente, levantei o volume e curti os grandes clássicos dance dos anos 90 que tiveram grande importância em minha vida. Para os saudosistas, farei set lists das músicas que eu gravava. Que saudade, curtam o som.

Bandido – I drove all night

G.E.M. – I feel you tonight

Taleesa – I found love

Ice MC – Think about the way

Twenty Four Seven – Slave to the music

Whigfield – Saturday night

DJ Bobo – Somebody dance with me

Co.Ro feat Taleesa – For your love

Double You – Heart of glass

Twenty Four Seven – Take me away

Andrew Sixty – Oh Carol

Aguardem que tem mais, é muita música.

Bar Estrela

Depois de um tempo afastando aqui do meu quintalzinho virtual devido ao excesso de afazeres profissionais, eis que estou de volta para continuar relatando minhas concepções da vida, alguns pensamentos e muitas boas lembranças vividas. Esta história que relembrei e agora compartilho ocorreu-me na última viagem que fiz para Santa Catarina. Eis a história:

Sabadão, levanto-me cedinho, um bom amargo para adoçar o dia (rs), meu avô me ajuda a sorver o mate, algumas risadas, algumas prosas sobre a vida, mulheres e afins. Depois, vou fazer a barba, a gilete desliza suavemente sobre o meu rosto. Um bom banho, um perfuminho, uma roupa bacana e sigo em direção à rodoviária. En passant, um dia belíssimo (como hoje também está), céu azul celeste embelezando o verde da capital das araucárias.

Chego na rodoviária, compro a passagem, pego o ônibus e rumo em direção à Santa Catarina. Um trânsito caótico na saída de Curitiba devido as obras de duplicação da rodovia. O trajeto que era pra ser feito em duas horas, demorou quase três horas. No sábado, na cidade dos meus pais, o ônibus passa somente de hora em hora, logo, mais uma vez decidi ir a pé pra casa dos meus pais.

Antes de chegar à casa dos meus pais é possível escolher dois caminhos, desta vez escolhi o caminho que fazia tempo que eu não fazia. E justamente por escolher este caminho que recordei-me de uma lembrança da minha infância.

Estavas eu caminhando e apreciando a paisagem interiorana quando meus olhos enxergam uma construção antiga. Um casarão degastado pelo tempo, contendo uma porta ampla, o letreiro acima da porta faltando uma letra, formando a palavra BAR STRELA. Não contive a curiosidade, parei em frente ao bar, vislumbrei alguns velhinhos num canto conversando e tomando cerveja,  atrás do balcão o mesmo casal que sempre me atendia à quase 25 anos atrás. Ambos com marcas impiedosas que o tempo deixou em seus rostos.

Adentrei o bar e fiquei um tempinho observando o ambiente. Algumas coisas mudaram, outras coisas continuavam no mesmíssimo lugar. Aquele ar de nostalgia e interior era o mesmo. Para a minha surpresa o velho baleiro em formato hexagonal daqueles que possuem quatro bocas e giram estava ainda resistindo ao tempo e a modernidade. Comprei algumas balas de morango para levar aos meus sobrinhos. Me veio à tona lembranças da minha infância.

Lembrei-me da época em que o meu pai sempre me pedia para registrar seus jogos do bicho que ele fazia naquele bar. Meu pai sempre jogava no duque ou terno de dezenas e frequentemente ganhava alguns cruzados (ou cruzeiros não me lembro). Ele marcava sua aposta num pequeno papel, me entregava juntamente com o dinheiro da aposta e me pedia para eu ir até o bar registrar sua fézinha.

Toda vez que eu chegava no bar, ganhava algumas balas daquele mesmo baleiro que estava em minha frente. Apenas uma coisa era diferente desta vez, os velhinhos eram outros e não os mesmos de quase 25 anos atrás, culpa do tempo. Por muito tempo, semanalmente ia até este bar registrar os jogos do meu pai. Os donos sequer me reconheceram, paguei uma cerveja aos velhinhos e bora pra casa.

 

 

 

Sangue latino

Alguns encontros que temos na vida suscitam algumas lembranças de nossa adolescência, foi assim no último encontro que tive com mi passione. Durante o divertido e caliente encontro (ela estava espetacular com uma leg vermelha rs), enquanto caminhávamos observando o frio cotidiano de uma metrópole, eis que ela me questiona: – Sabe, acho que não mereço todo o seu carinho, tudo o que você faz por mim!

Ah! Os jogos do amor! Recostei sua cabeça no meu ombro, disse baixinho: – Vem cá com teu macho! Meu anjo, quando eu gosto, não gosto pela metade, me atiro de corpo e alma. Afinal, tenho sangue latino correndo nas veias!

Ela pra me atiçar replica: – É! mas você é tão calminho, teu olhar transparece muita serenidade!

Respondi: – Sim sou calmo mas nem por isso deixa de correr paixão no meu sangue, você sabe disso melhor do que ninguém. Deixa eu te contar uma história!

Para começar vou explicar um pouco da personalidade que herdei dos meus pais. Meu pai, homem trabalhador, metódico, sangue quente. Minha mãe, não sabe dizer não, introspectiva e serena. Ambos, pessoas que primam pela simplicidade. Creio que minha calma foi adquirida porque passei mais tempo com a minha mãe. Dito isto, vamos a recordação da primeira frustração amorosa que tive em minha vida.

Tinha 14 anos, CDF com generosas pitadas de peraltiçes, magricela e ponta esquerda da equipe de futebol da escola, puberdade, testosterona e desejos à mil ( hoje continua do mesmo jeito, ainda bem!).

Morremos em vida quando perdemos nossas paixões e desejos.

Diante do espelho ,como quase todo garoto nesta idade, contemplava os primeiros fios de bigode que começavam a nascer em meu rosto, bigode este que cultivei por longos anos. Não tinha problemas em me expressar, fui até orador de Semana da Pátria, exceto, com as meninas no que tangia aos sentimentos do coração, me borrava de medo (hoje ainda tenho certos medos, mas, em escala muitíssimo menor). Timidez esta talvez devido à minha aparência física, que, digamos assim, não era nenhum ‘don juan’ e nem popular afetivamente com as meninas (hoje por incrível que pareça estou bem melhor, ufa, ainda bem). Minha timidez amorosa foi superada pouco tempo mais tarde, a vida se encarrega destas coisas (rs). Desde pequeno tive meus momentos introspectivos e ‘dores’ causadas por paixões platônicas.

Como nos contos românticos, o feio atrae-se pelo belo. Tinha tudo para dar errado. E na época deu! Anos mais tarde houve um ressarcimento (rs).

A causa de tudo: ela, 15 anos, corpo esbelto, cabelos castanhos longos e encaracolados, moça que adorava ser o centro da atenção de todos, cobiçada por todos os meninos do colégio. Como mencionei no início do texto, me entrego de alma e coração pelo que faço. Fazia algum tempo que nutria uma paixão avassaladora por ela. Sempre fazíamos os trabalhos escolares juntos. Tinha um medo terrível de dar um passo a mais com ela. O tempo foi passando até que num belo dia houve uma festa junina no galpão da escola, foi a gota d’água.

Lembro-me perfeitamente. Fazia frio, já tinha tomado umas batidas de amendoim (rs) que a gurizada tinha comprado (escondido é claro). A cabeça começou a esquentar, o corpo tomando coragem, pensei comigo: é hoje! Estufei o peito, estava tocando esta melodia (minha memória musical é excelente), comecei a procurá-la pelo galpão. Não devia tê-la procurado, quando a vi meu coração quase parou de tanta dor. Lá estava ela, lindíssima de vestido, aos beijos com um garoto cafajeste-popular que estava na festa. Depois foram apenas flashes, a confusão estabelecida, os socos e pontapés mútuos, aquelas palavras afiadas sendo cravadas em meu peito (você é apenas meu amigo!), o banho gelado para curar o porre que tomei depois (tsctsctsc o primeiro porre foi por causa de uma mulher). Minhas lágrimas misturadas à água que escorria pelo meu rosto, minha voz rouca gritava o nome dela ininterruptamente. Putz, e não foi a única vez que chorei por uma paixão platônica, anos mais tarde, adulto já, me aconteceu nos mesmos moldes (por isso parei de beber em excesso).

No final do ano perdi o contato com ela pois mudamos de colégio, eu continuei estudando no bairro e ela foi estudar no centro da cidade. Muitos anos mais tarde, o tempo, ah o tempo, proveu-me um valoroso ressarcimento.

Matriculei-me num curso de matemática financeira e departamento pessoal, na primeira aula quem eu vejo adentrar a sala de aula! Justamente ela, lindíssima como sempre. Nas primeiras aulas não dei nenhuma atenção para ela, mas, não guardei mágoas, afinal a história ocorrida entre nós foi por causa dos ímpetos da adolescência.

Com o passar do curso notei que ela passou a me ver com outros olhos, talvez pelo meu destaque na sala e pela minha facilidade com os números (Santos números, algumas vezes ajudaram-me na vida). Ela foi se aproximando de mim e num belo dia convidou-me para auxiliá-la em sua casa. A sorte tinha mudado e sorrido pra mim.

Tarde ensolarada, cheguei, fui muito bem recebido com iogurte de morango e começamos a estudar na sala. Fui político só para ver como ela reagia, não demonstrei interesse, mas percebi pelos seus olhares que ela me queria. Aha, pensei, agora é a minha vez.

De repente ela disse pra gente ir estudar em seu quarto que era mais confortável. Detalhe, só estava ela em casa. Quando vi aquela bela cama muitas cenas eróticas se passaram na minha cabeça. Suspirei forte e me contive.

O tempo passando, ela volta e meia mexendo em seus cabelos, tocando propositalmente meus ombros e mãos, quase chegando a hora de irmos para o curso. Então ela resolve ir tomar banho e utiliza de uma técnica que derruba qualquer homem.

Lá estou eu sentado na cama esperando ela tomar banho, quando ouço: viu, você pode me trazer uma toalha que acabei esquecendo? Pensei: seja forte, seja forte! Chegando no box para lhe alcançar a toalha, vendo-a molhada, nuazinha em pêlo, sucumbi a tentação (rs). Foi tórrido e inesquecível.

No decorrer do restante do curso sempre houve estudos à tarde (rs). Certamente que foi um dos melhores curso que eu fiz. O curso terminou, pouco tempo depois entrei na faculdade, ela casou-se e tempos depois teve um filho (não meu rs).

Terminei de contar a história para mi passione, notei que estávamos rindo da situação quando ela me falou: nunca pensei que você fosse capaz disto! Cheguei mais perto dos seus lábios e sussurrei: pra você ver como ainda tenho alguns mistérios, vem cá, deixa eu te aproveitar enquanto eu posso. Colamos nossos lábios fervorosamente.

Hoje, sei que nossa vida é feita por ciclos. Temos alegrias e tristezas nestes ciclos, não somos donos de ninguém e não podemos exigir nada de ninguém. Por isso temos que aproveitar ao máximo os momentos que passamos com quem amamos.

Olha o picolé

É curioso notar como algumas nuances do cotidiano nos remetem à fatos vivenciados à muito tempo em nossa vida.

Dia destes, tarde agradável de sol em pleno inverno curitibano (rs), depois de passar na lotérica fazer uma fézinha, depois passei no supermercado comprar uma caixinha de bolo petit gateau para fazer, algo me recordou de uma bela recordação da minha infância. No caminho do mercado passo por alguns adolescentes que estão andando de skate e conversando em uma esquina. Aquelas duas morenaças entre eles, ave-maria, corpos de mulher, bem, deixa quieto. Chego em casa, rapaz prendado que sou,faço o petit gateau e volto até uma sorveteria comprar sorvete de creme para acompanhar o petit gateau (nham). Vendo a enorme quantidade de sabores do buffet de sorvetes sou transportado no tempo para quase 25 anos atrás.

Meus pais sempre ensinaram eu e meus irmãos a valorizar o trabalho. Na minha descrição ‘quem sou eu’ conto que já trabalhei com diversas coisas em diversos diferentes lugares, e, também já vui vendedor de picolés.

Lembro-me que a minha madrinha de primeira comunhão tinha uns carrinhos de picolé e juntamente com os seus dois filhos vendíamos os picolés para ela em troca de uma pequena comissão que, na maioria das vezes, era utilizada para comprar figurinhas (história para outro post). Carinho abastecido de picolés e ‘moreninhas’ (sorvetes de bauninha ou creme em formato oval com cobertura de uma fina camada de chocolate, uma delícia), saímos em dupla vender os picolés.

Para chamar à atenção da clientela tínhamos um tipo de apito sonoro (me esqueci do nome) parecido com aqueles instrumentos de sopro que os peruanos utilizam nos concertos da Boca Maldita aqui em Curitiba (rs). Cada um possuía um jeito peculiar de ‘tocar’ o instrumento ‘compondo’ melodias próprias’. Com o passar do tempo já tínhamos nossa rota definida bem como nossos clientes fiéis. Lembro-me que eu sempre vendia cinco picolés de milho verde (rs) para um velhinho que morava perto da escola porque ele me achava parecido com um dos seus netos.

Era uma tarefa divertida, mas não era muito fácil. Tínhamos que empurrar o carrinho por ruas de chão entre as pedras, por ‘intermináveis’ subidas de paralelepípedo, mas sempre dávamos um jeitinho! Colocávamos alguns picolés a mais no carrinho para comermos durante o trajeto, sendo que o que eu mais apreciava era o picolé de nata.

Ficávamos chateados quando chovia no meio do caminho, voltávamos molhados para casa e não vendíamos nada. Outra coisa, a concorrência era super leal (fato raro hoje em dia) entre a gente e os outros vendedores de picolé, cada um tinha sua rota e clientela definida. Olhem, a gente andava, tinha dia que chegávamos a vender dois carrinhos cheios de picolé. Com a comissão em mãos corríamos para a banquinha perto da escola comprar figurinhas.

Voltei pra casa nostálgico e degustei o petit gateau com sorvete de creme.

A primeira comunhão e o trem

Sempre fui uma pessoa que acreditou em Deus, mas, sou avesso à dogmas e ritos religiosos. Na época devia ter uns 12 anos, minha família era católica e minha mãe matriculou-me na aulas de primeira comunhão que acontecia aos sábados numa sala que ficava ao lado da igreja do bairro. Atrás desta igreja tinha uma linha férrea que era a minha salvação, já entenderão o porquê.

As benditas aulas de primeira comunhão aconteciam todo o sábado cedinho, às 8 horas para ser exato. Juntamente com mais dois colegas andávamos meia hora até chegar na igreja. Olhem as ‘aulas’ eram um porre. A ‘aula’ era ministrada por uma beata alemoa que me fazia dormir na cadeira. Nunca entendi o porque devo me confessar com alguém que é um ser humano igualzinho a mim, cheio de defeitos e pecados. Entendo que devo confessar minhas transgressões diretamente ao Criador, sem precisar de intermediário. Também entendo que a fé, sem conotação religiosa, é capaz de proezas incríveis em nossa vida. O extremismo religioso só traz desigualdades e tristezas para as famílias.

No começo da aula era feita a chamada, depois havia um intervalo que salvava o nosso dia. Presença garantida na chamada, juntamente com meus colegas que vinham comigo pegávamos nossas malas, saímos de fininho até a estação ferroviária e ficávamos esperando o trem passar. Era uma aventura (perigosa) pegar o trem em movimento. Tínhamos que correr paralelamente ao trem e subir na escada que tinha nos vagões. Após estarmos em cima do trem era só alegria, sentávamos em cima de um vagão e admirávamos a bela paisagem até o trem chegar em outra estação que ficava no interior da cidade. Descíamos na estação e voltávamos a pé pelos trilhos do trem até chegar perto da rua onde morávamos.

E assim foram as aulas de primeira comunhão, salvas pelo trem, até chegar a missa de Primeira Comunhão. Um dia antes fomos obrigados a nos confessar com o padre, fui irônico com o sacerdote perguntando quantos Pai-Nossos eu devia rezar por ‘gazear’ as aulas da primeira comunhão e ir passear de trem (rs). Na missa, com toda a família reunida, fiquei num cantinho no início, sai pra fora de fininho pra conversar com as meninas atrás da igreja e só voltei na hora da hóstia (que engoli rapidamente). A única coisa que salvou foi o traje das meninas, todas de branco, algumas com tiaras na cabeça, com suas saias rendadas, algumas mostrando parte das coxas (hehe).

Vejam não estou dizendo que não é importante participar de algum evento religioso (missa, culto, etc), apenas estou citando alguns dogmas que fui obrigado a fazer a contragosto. Cada um de nós tem seu jeito de fazer suas preçes e seus momentos de fé.

Hoje vendo algumas fotos tiradas na época com aquela roupa social (camisa branca, calça social azul e gravatinha borboleta preta) dou risada daquela situação e me recordo do trem.

O primeiro discurso

Na época eu tinha 10 anos de idade, cursava a quarta série do primário. Lembro-me que era véspera da Semana da Pátria e sempre havia apresentações dos alunos para a comemoração da Independência do Brasil. Os professores escolhiam os alunos para fazer as apresentações e também escolhiam quem seria o orador que anunciaria a sequência destas apresentações.

Estava eu sentadinho na última cadeira da fila do meio da sala, aula de matemática, depois viria o recreio. Eis que adentra a sala a diretora da escola chamando pelo meu nome, gelei na hora!!! Ela pediu para que a acompanhasse até a direção. Pensei comigo: ferrou!!! Descobriram que fui eu que soltei o sapo no banheiro das meninas (isto é assunto para outro post).

Chegamos na direção, eu já tremendo de medo, ela vendo meu nervosismo indagou-me porque eu estava nervoso. Desconversei. Ela falou se eu estava disposto a ser o orador das apresentações da Semana da Pátria. Ai sim quase tive uma dor de barriga. Ela disse para eu pensar a respeito no recreio e dar a resposta no final das aulas. Depois de ficar o recreio todo num cantinho pensando a respeito (desde pequeno já pensativo), decidi aceitar.

Lembro-me que houveram dois ensaios para o discurso de apresentação, ambos à tarde. Peguei a folha com um discurso introdutório falando da importância da Independência do Brasil seguido da sequência de apresentações dos alunos (da fanfarra à recitação de poesia). Incrivelmente não gaguejei em nenhum momento dos ensaios.

Na sexta-feira era o dia da apresentação. Vesti uma calça de brim azul, uma conga e uma camisa branca daquelas estilo colegial. 15 minutos antes lá estava eu em frente ao mastro das bandeiras, microfone em punho esperando as professoras organizarem as filas. Todos em posição anunciei o Hino Nacional que foi cantado por todos. Depois de executado o Hino Nacional, li pausadamente o discurso introdutório e em seguida fui anunciando as apresentações. Até parecia um mestre de cerimônias (rs).

Esta experiência vivida aos 10 anos teve um papel fundamental para a formação da minha personalidade que culminou no discurso de oratória quase 20 anos depois na cerimônia de colação de grau do Ensino Superior. E o orgulho dos meus pais me vendo falar na frente de todos com apenas 10 anos de idade (não teve presente melhor do que isto).

A pressa atrapalha

Algum tempo atrás, a libido a mil, a testosterona correndo forte nas veias, e eis que novamente estou entregue as garras da minha felina esfomeada por prazer.

Adentramos num motel, no elevador houve uma sessão de beijos temperados de malícia. Corpos quentes e desejosos de luxúria. Lembro-me que minha camisa perdeu uns dois botões quando ela foi ferozmente retirada do meu peito. Meu pescoço foi atacado vampíricamente por dentes afiados de tesão.

Ela encostou-me na parede, sua mão desceu até a minha calça, começou a abrir rapidamente o zíper quando dei um grito de dor. É isso mesmo que vocês estão pensando: o zíper ficou preso na pele da cabeça do ‘meu companheiro’. Ela levou um susto, ficou apreensiva, delicadamente ajudou-me a desprender o zíper, verificou senão havia-o machucado (ainda bem que a cueca o protegeu), levantou seus olhos de encontro aos meus, deu um sorriso maroto e após um beijo de carinho na cabeça do ‘meu companheiro’ que ficou todo alegre e contente.

Foi a segunda vez que isso ocorreu em minha vida, a primeira se a minha memória não estiver enganada, foi quando eu tinha uns 9, 10 anos. Após urinar quando fui fechar o zíper da calça, humm, que dor. Fiquei alguns minutos tentando desprender o zíper mas não conseguia. Fui obrigado a chamar meu pai para desprender o zíper, pensem na minha vergonha nesta situação. Ainda bem que as mulheres não sofrem deste problema.

Os pés de araçá

Desde pequeno que adoro conviver com a natureza. Já publiquei alguns posts sobre algumas peripécias da minha infância bucólica no interior catarinense. Sempre que posso adoro passear por parques, adentrar a mata e fazer uma caminhada. Isto renova as minhas energias.

Nestes meus 34 anos já perdi a conta de quantas árvores já plantei. A primeira árvore plantada eu me recordo. Eu tinha 5 anos de idade, ganhei uma mudinha de pinheiro araucária do meu pai e plantei num gramado que tinha perto da nossa casa de madeira. Quase 25 anos depois, por uma coincidência destas que o destino nos prega, juntamente com meu irmão passamos pelo local onde morávamos. Pra minha alegria, lá estava o pé de pinheiro, ainda em fase de crescimento.

O tempo foi passando, lembro-me dos pés de abacate, tinha que deixar a semente num vidro com água até adquirir um certo tamanho e depois fazer o plantio definitivo. Os pés de pêssego, de laranja, de mimosa, de café (sim plantei dois pequeninos pés de café em frente a casa da minha tia aqui em Curitiba).

Agora na Páscoa, juntamente com toda a família, fomos fazer um almoço campeiro numa chácara no interior catarinense. Já na chegada fui escalado para subir num grande pé de caqui para retirá-los para os meus sobrinhos. Numa sacolinha de plástico notei algumas mudinhas que logo reconheci serem pés de araçá-rosa. Peguei uma cortadeira, chamei meus sobrinhos para me ajudar e lá fomos fazer o plantio.

Como criança tem uma curiosidade já me perguntaram pra que eu queria plantar aquelas arvorezinhas (rs). Como bom tio expliquei o motivo e disse que as arvorezinhas davam frutinhas para comer. En passant, em frente a casa da minha tia também tem um pé de araçá-rosa. Chegamos perto de um tanque, eu fazia os buracos com a cortadeira, cada um plantava uma muda. Ao final suas mãos estavam pretas de terra. Ao todo plantamos 50 pés de araçá-rosa ao redor do tanque.

Chegando no velho casarão de madeira, já sentimos de longe o cheiro de um um churrasco sendo preparado. Eles correram contar a novidade para os meus pais.

Experimente um dia plantar uma árvore, as secretarias do meio ambiente doam mudas. Certamente que a natureza vai te agradecer. Existe até um projeto de um site de buscas (Eco4Planet) que incentiva o plantio de árvores quando você utiliza seu mecanismo de pesquisa.