Passeio no Jardim Botânico

Primeiramente, a vida tem certos momentos que são inesquecíveis, por este fator ela é especial e deve ser aproveitada ao máximo. Certo dia, pra minha surpresa recebo uma mensagem de uma pessoa muito especial pra mim querendo passear comigo no Jardim Botânico aqui de Curitiba. Como recusar uma proposta destas. Fazia tempo que queria conhecer o Jardim Botânico tão famoso aqui em Curitiba.

Cheguei antes dela e fiquei observando os peixes e as tartarugas desfrutando pequenos insetos que caíam na água, calmos e tranquilos em meio à selva de pedra onde estavam inseridos. Fiquei filosofando comigo, quanta diferença em um mesmo espaço. No jardim, uma serenidade, uma quietude. Logo após a cerca, barulho de carros, ônibus, pessoas apressadas, prédios em construção, metas, stress.

Minha companhia chegou alguns minutos mais tarde, um beijo de boas vindas e fomos passear tranquilamente admirando a beleza da natureza que nos rodeava. Tenho em minha mente todas as cenas que presenciamos. Passamos ver uma exposição de quadros, depois passamos a passarela sobre o lago. Aconteceu uma cena no mínimo engraçada: paramos para ver uma linda espécie de orquídea que estava numa árvore, ela se apoiou no tronco da passarela, 1 minuto depois ouço seu grito e um pulo, ela havia posto a mão em cima de um ‘mandorová’, sorte que não era venenoso.

Seguimos pelo caminho que rodeia o bosque conversando sobre amenidades da vida, lembranças de nossa infância, citando nomes de árvores que conhecíamos, fazendo pequenas carícias e comentários divertidos. Após uns 15 minutos de caminhada, chegamos na famosa estufa de plantas, apreciamos a pequena cascata e as plantas. Depois passeamos pelo bosque desenhado que fica em frente à estufa. Muito legal a cena da professora brincando com seus pequenos alunos uniformizados no gramado, quantos risos, quanta diversão.

Depois degustamos algumas pitangas diretamente da fonte (rs), caminhamos um pouquinho, escolhemos uma bela sombra, deitamos lado a lado e ficamos conversando sobre o futuro tendo como espectadores um casal de quero-queros com seu filhotinho ainda adquirindo plumagem. Alguns turistas iam e vinham com suas máquinas fotográficas, o tempo foi passando, quase adormecemos no gramado (rs).

Bom, como tudo de bom nesta vida tem um tempo tivemos que voltar para a nossa vida cotidiana. Ambos pegamos o ônibus, um para cada lado, ficando em nossa mente os doces momentos vividos em companhia da natureza e um gostinho bom de quero mais.

Periodicamente dedique um tempo para você esquecer que existe trabalho, metas, visite algum parque da sua cidade, aprecie os pássaros, os insetos, as árvores e tente retirar um pouco da tranquilidade que eles exalam para o seu dia a dia. Te garanto, o bem que isto faz não há dinheiro que pague.

Anúncios

Os caçadores de borboleta

Este mês terminei de ler o livro O Caçador de Pipas do escritor afegão Khaled Hosseini. Diga-se de passagem um livro extraordinário com uma lição de amizade e perdão singular. Isto me lembrou de algumas passagens da minha infância, também éramos caçadores, mas de borboletas.

Vivi toda a minha infância em pequenas cidades do interior catarinense. Sempre mantive mantenho quando posso o contato com a natureza. Teve épocas de minha infância onde uma de nossas brincadeiras favoritas era a de caçar borboletas para colocar num quadro.

Eu, meu irmão e meu primo tínhamos toda uma técnica para conseguir capturar as borboletas. Primeiramente juntávamos alguns sacos de batata, aqueles com rede amarela, depois pegávamos um cabo de vassoura velho e um arame para fazer o ‘coador’ (não achei palavra melhor e não me lembro qual nome deste artefato) para capturar as borboletas.

Depois desta etapa, os três partiam para a caçada nos campos que margeavam as nossas casas. Inúmeras vezes adentrávamos longe mata a dentro para tentar capturar as borboletas mais bonitas.

As borboletas totalmente verdes eram as mais raras e mais difíceis de capturar. Acho que em todas as nossas caçadas pegamos apenas umas duas ou três.

Tinham também as gigantes borboletas azuis que voavam muito alto e quase nunca conseguíamos pegar. Algumas eram tão fáceis de capturar que nem desejávamos capturá-las (aquelas de cor laranja que ficavam estáticas sobre as flores, senão me engano borboleta monarca.

Depois da captura das borboletas, trazíamos elas para casa, escolhíamos as mais bonitas e colocávamos elas num quadro. Tiveram alguns quadros que até vendemos para os vizinhos.

Hoje, sei que era uma brincadeira de criança, mas errada. Com a consciência da preservação do meio ambiente prefiro observar a beleza das borboletas livres no seu habitat natural. Quando os meus sobrinhos veem uma borboleta e pedem para eu pegar para eles, eu converso com eles sobre a liberdade dos bichinhos, ficamos bem quietos observando as borboletas e eles entendem que:

A verdadeira beleza é aquela que é livre.

Os pés de araçá

Desde pequeno que adoro conviver com a natureza. Já publiquei alguns posts sobre algumas peripécias da minha infância bucólica no interior catarinense. Sempre que posso adoro passear por parques, adentrar a mata e fazer uma caminhada. Isto renova as minhas energias.

Nestes meus 34 anos já perdi a conta de quantas árvores já plantei. A primeira árvore plantada eu me recordo. Eu tinha 5 anos de idade, ganhei uma mudinha de pinheiro araucária do meu pai e plantei num gramado que tinha perto da nossa casa de madeira. Quase 25 anos depois, por uma coincidência destas que o destino nos prega, juntamente com meu irmão passamos pelo local onde morávamos. Pra minha alegria, lá estava o pé de pinheiro, ainda em fase de crescimento.

O tempo foi passando, lembro-me dos pés de abacate, tinha que deixar a semente num vidro com água até adquirir um certo tamanho e depois fazer o plantio definitivo. Os pés de pêssego, de laranja, de mimosa, de café (sim plantei dois pequeninos pés de café em frente a casa da minha tia aqui em Curitiba).

Agora na Páscoa, juntamente com toda a família, fomos fazer um almoço campeiro numa chácara no interior catarinense. Já na chegada fui escalado para subir num grande pé de caqui para retirá-los para os meus sobrinhos. Numa sacolinha de plástico notei algumas mudinhas que logo reconheci serem pés de araçá-rosa. Peguei uma cortadeira, chamei meus sobrinhos para me ajudar e lá fomos fazer o plantio.

Como criança tem uma curiosidade já me perguntaram pra que eu queria plantar aquelas arvorezinhas (rs). Como bom tio expliquei o motivo e disse que as arvorezinhas davam frutinhas para comer. En passant, em frente a casa da minha tia também tem um pé de araçá-rosa. Chegamos perto de um tanque, eu fazia os buracos com a cortadeira, cada um plantava uma muda. Ao final suas mãos estavam pretas de terra. Ao todo plantamos 50 pés de araçá-rosa ao redor do tanque.

Chegando no velho casarão de madeira, já sentimos de longe o cheiro de um um churrasco sendo preparado. Eles correram contar a novidade para os meus pais.

Experimente um dia plantar uma árvore, as secretarias do meio ambiente doam mudas. Certamente que a natureza vai te agradecer. Existe até um projeto de um site de buscas (Eco4Planet) que incentiva o plantio de árvores quando você utiliza seu mecanismo de pesquisa.

A velha tapera

Quando visitava a casa dos meus tios no interior gostava de andar pelos campos respirando o ar puro do interior.

Juntamente com meu irmão e primo, gostávamos de visitar uma velha tapera que existia perto de um rio onde no verão a gente tomava banho quase que diariamente. Uma meia hora de caminhada por “carreros”, cruzávamos o rio e chegávamos na velha tapera.

Uma velha casa de madeira abandonada, ao seu redor um grande pomar de diversas variedades de fruta: pêra, maçã, laranja, pêssego, “guabiroba“, amora silvestre. Ficávamos a tarde toda brincando e comendo frutas. Lembro-me de algumas peculiaridades do local onde ficava a velha tapera:

O cantar orquestrado dos sabiás e canários fazendo inveja à Strauss.

O grande pé de aroeira com um galho curvado onde saboreávamos pêras, maçãs e pêssegos; e admirávamos os chupins e azulões comerem amoras silvestres.

O “guapeca” que nos acompanhava sempre abanando o rabo com o pequeno graveto na boca.

As angolistas entoando “tô fraco, tô fraco” e procurando insetos no chão.

As paredes cheirando a fumaça pintadas pela tinta do “picumã”.

O grande cerne de imbuia, ninho das temidas vespas pretas.

O cheiro das mimosas, amarelas como o Sol, doces como o mel.

O curral cercado com palanques de cambará.

Sempre que voltávamos para a casa da minha tia trazíamos uma sacola cheia de frutas que compartilhávamos com o restante da família. Num final de semana que fui visitar meus amados pais, fui me aventurar com meus sobrinhos atrás de frutas silvestres, conseguimos encontrar amoras, chegamos em casa, pegamos três canecas, pus açúcar, macerei as amoras, uma colherzinha para cada um e comemos de ficar com o beiço roxo (rs) igualzinho fazia com meu irmão e com o meu primo.

Recomece sempre

Observe a natureza. Tudo nela é recomeço.
No lugar da poda surgem os brotos novos.
Com a água, a planta viceja novamente (renasce).
Nada pára.
A própria terra se veste diferentemente todas as manhãs.
Isso acontece também conosco.
A ferida cicatriza.
A dores desaparecem.
A doença é vencida pela saúde.
A calma vem após o nervosismo.
O descanso restitui as forças.
Recomece.
Anime-se.
Se preciso, faça tudo novamente.
Assim, é a VIDA!

(Autor desconhecido)