Mãos pra cima!!!

Esta é uma recordação da madrugada que quase fui preso, lembro até o ano 2002. Nesta época trabalhava numa empresa têxtil do interior catarinense, num regime conhecido por 6 por 2, ou seja, trabalha seis dias folgam-se dois dias. Era inverno, um frio de lascar, eu trabalhava no turno da manhã, pegava às 5 da matina e ia até 13h20 da tarde. Madrugada de sábado para domingo, acordei como sempre às 4h15 da madruga (maldito relógio biológico, até hoje me acordo por volta das 5 da madruga), me vesti rapidamente, peguei duas fatias de pão caseiro (uma delícia) que a minha amada mãe sempre fazia para eu levar para o café da manhã, crachá em mãos e lá vamos nós.

Da minha casa até a empresa levava cerca de 20-30 minutos a pé. Como era madrugada de sábado para domingo, por vezes via situações atípicas digamos assim, bêbados, brigas de casl na saída de botecos, gostosas vindo das danceterias e eu indo trabalhar em pleno domingão, tudo bem dizem que o trabalho dignifica o ser humano. E aconteceu um fato atípico com este que vos escreve rs.

Estava eu enfrentando a madrugada gelada, sozinho, passei por um centro comunitário na rua principal do bairro, quando eis que surge uma viatura policial no sentido contrário. Os policiais desceram rápido e me abordaram: Mãos pra cima!!! Levei um susto, mas quem não deve não teme. Um ficou à uns 3 metros de mim, o outro fez o processo padrão de revista, e indagou-me: o que você faz a esta hora da madrugada com este pacote em suas mãos? Disse que era o pão que a minha mãe tinha feito para eu levar para o trabalho. O policial pediu-me o pacote e realmente verificou que eram apenas duas fatias de pão, em seguida pediu-me os documentos, falei que estava indo trabalhar e tinha apenas o crachá da empresa. Mostrei o crachá ao policial, o mesmo disse que havia uma denúncia de tráfico de drogas e que o meu perfil físico era parecido com o do suposto traficante e desculpou-se depois. Falei tudo bem é o seu trabalho. Ai veio uma coisa que sempre me lembro. Os policiais disseram que estavam indo em direção à empresa onde eu trabalhava e me perguntaram se eu não queria “uma carona” até a empresa, cerca de 500 metros. Aceitei.

Até hoje dou risadas ao contar isto, cheguei na frente da empresa, o guardião velho conhecido meu ficou estático com a cena, eu saindo da viatura policial e adentrando a empresa para trabalhar. Os policiais me desejaram bom trabalho guri. No dia seguinte contei a história aos meus pais e parentes, o tio do meu pai, típico “roçeiro” ficou nervoso que só e dizia, coitado do guri indo trabalhar e quase foi preso e os bandidos ficam soltos. Enfim mais uma ótima e divertida lembrança da minha vida.

Anúncios

Protege ou desprotege

Cá estou eu… Depois do almoço no RU da federal… Me divertindo um pouco… Distraindo para a tarde de trabalho intenso… Levantei-me 6:30 da matina… Banho frio… um pouco de exercício para os músculos… ligo a tv… vejo uma reportagem que tem tudo a ver com o último post (que fala sobre o dinheiro). O episódio policiais da delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba… Vi a reportagem… quarenta minutos de caminhada, pensando à respeito… Agora com as ideias formadas e concisas, vou tecer minha simples e mera opinião:

Em todos os níveis de nossa sociedade, em todas as profissões, existem os bons e os maus profissionais. Não podemos desvirtuar, por exemplo, a engenharia como um todo, porque existem maus engenheiros. A mesma lógica aplica-se à polícia. O que indigna o cidadão, que batalha diariamente para prover o sustento para sua família, com o suor do seu honesto, simples e digno trabalho; é que justamente a instituição que rigorosa e mensalmente pagamos para prover segurança seja alvo de limbo moral.
É inconcebível, mediante o pagamento de impostos do cidadão, que nossos recursos sejam usados para financiar a fuga de traficantes. Ok, o tráfico somente existe porque há demanda pelo produto. Não sei se a liberação não acabaria com este fator (vide exemplo da Holanda, mas aqui é uma discussão muito complexa para outra postagem).
É a velha e verdadeira assertiva filosófica: o dinheiro e o poder corrompem o homem. Atacam seus principais princípios de moral e ética de maneira sutil, lentamente dominando a mente humana como o pior e mais mortífero dos venenos. Pra mim, não é justificável, pela seguinte observação: Os policiais vivem reclamando por melhores condições de trabalho e salário. Ok, e devem fazer isso mesmo, pois pelo que fazem, são mal remunerados. Mas, vamos analisar o todo e não apenas uma pequena fatia do bolo. Poxa, um policial deve ter um salário na faixa de 3000 – 8000 conforme o lugar onde está lotado. Para delegado, entre 8000 – 16000.
Agora friamente analise comigo. Vou dar um exemplo do qual me orgulho muitíssimo: meu pai.
Meu pai sempre trabalhou em serviço braçal. Trabalha à 32 anos com este tipo de serviço. Sustentou 4 filhos ganhando em média R$500,00/mês e sempre foi honesto nas suas atividades. A grande maioria da população brasileira sobrevive com no máximo R$1000,00/mês. Com este valor, educam os filhos, não deixam faltar o que comer, pagam água, luz, telefone e impostos.
Poxa, um cidadão que ganha R$5000,00, R$8000,00 por mês não poderia contentar-se com este valor e ver que é muito privilegiado perante a maioria da população brasileira?
Ok, concordo, evoluir financeiramente faz parte da evolução de um indivíduo. Estou estudando para isto. Mas, para tudo existe um limite. Na minha concepção, posso estar redondamente errado perante a sociedade, cada qual tem um modo de avaliar as coisas, a humanidade é diferente justamente por isso; isso é uma doença que não tem fim. Consegue-se por meios ilícitos R$30000,00. Não fica contente, quer 50, 100 mil. Não fica contente, quer 1 milhão e assim sucessivamente. Me pergunto, pra quê? Se muitas vezes nem vão aproveitar este dinheiro, apenas para vislumbrar muitos zeros na conta bancária.
O dinheiro fácil, sempre fascinou, fascina e fascinará a mente humana. Mas, concordo com o dizer: veio fácil, vai fácil e pagarás a conta com juros. Hoje em dia, tua honestidade está sendo jogada pelo ralo. Te taxam de bobo ou ingênuo por causa de tua honestidade. Mas, eu consigo recostar minha cabeça sob o travesseiro e dormir com minha consciência limpa, será que estas pessoas conseguem o mesmo? Duvido, o cérebro fica arquitetando mais e mais planos para enriquecimento ilícito, que o diga nossos estimados políticos, representantes da “puritana sociedade”. Por isso as clínicas de psicologia estão cheias (bom curso pra se fazer hoje em dia).
A poluição da mente humana está impregnada em todos os meios comunicativos. Cabe a cada um de nós decidir qual caminho vamos seguir e arcar com as consequências. O livre arbítrio. Como disse certa vez uma pessoa que não me recordo quem (um figurão que passou pela humanidade): poderão silenciar minha voz, mas jamais calarão meu grito de protesto. Por hoje é só pessoal! Um abraço para os bons policiais