Quer ver a mulherzinha?

1984. O minuano soprava forte nas coxilhas catarinenses. Embaixo do pinheiral um garotinho magricela fazia ecoar batidas secas de seu machadinho. Seus longos cabelos ao vento relíquias de uma promessa que sua mãe fez quando este tinha quase 2 anos de idade e ainda não caminhava. É a fé move montanhas.

Alguns minutos passados. A tarde estava com um céu azul digno de uma paisagem de Monet. Ao longe duas conhecidas lavadeiras aproximavam-se com seus cestos de roupa. Na época lavavam-se as roupas nas pedras de um riacho que existia após o pinheiral. Chegaram perto do garotinho e começaram a rir dele. Ambas falaram em uníssona voz. Piazinho, com este cabelo comprido você está parecendo uma mulherzinha.

O garotinho  imediatamente sem ninguém lhe ensinar replicou: – quer ver a mulherzinha?

Baixou suas calças, pegou seu instrumento e balançou para as duas lavadeiras dizendo: – veja aqui o tamanho da mulherzinha. As mesmas saíram falando impropérios e ameaçando-o em contar para os seus pais seu ato. O garoto como se nada houvesse acontecido terminou seus afazeres e foi pra casa.

Ao chegar o garotinho relatou o ocorrido para o seu pai e sua mãe que sempre lhe ensinaram a contar as coisas que ele fazia. Sua mãe queria repreendê-lo mas seu pai interpôs-se, pegou-o no colo e recitou esta frase com um sorriso nos lábios: isto mesmo meu filho não deixe mulher nenhuma duvidar de sua macheza. E completou dizendo pra mãe: foram elas que provocaram o ‘piá’.

Ao final do ano, promessa cumprida, 7 anos de idade com cabelo cortado com máquina número 2 e uma lição aprendida: jamais provoque a virilidade de um homem.

Um quilo de erva

Meu estimado avô conheceu este Brasil de ponta à ponta, trabalhava numa empreiteira que tinha projetos por todo o Brasil. Ainda tá forte feito cerne de imbuia, leva uma vida campeira cuidando de uma chacará perto de Curitiba. Certo dia ele me contou esta história que compartilho:

Na época ele estava trabalhando no interior de Minas Gerais, começo da década de 80, sempre teve o costume de degustar um bom chimarrão, aliás, costume que toda a família adora. Na primeira semana ele adentrou uma venda que existia na cidade e segue-se o diálogo que teve com a mulher atrás do balcão:

Avô: buenas, vocês tem erva para vender aqui? por gentileza quero 1KG da melhor que tiver!

A mulher quase chamou a polícia, dizendo ao meu avô:  Senhor! É proibido a venda de erva por aqui.

Meu avô de pronto falou:  As coisas estão mudando mesmo, no sul compro erva em qualquer vendinha.

Moça: Senhor fale baixo que os clientes vão chamar a polícia.

Meu avô: Como assim? Chamar a polícia só porque eu quero comprar erva-mate para fazer meu chimarrão!!!

Moça: Ufa, pensei que era outro tipo de erva, não temos erva-mate.

Avô: Passar bem, até mais…

Mãos pra cima!!!

Esta é uma recordação da madrugada que quase fui preso, lembro até o ano 2002. Nesta época trabalhava numa empresa têxtil do interior catarinense, num regime conhecido por 6 por 2, ou seja, trabalha seis dias folgam-se dois dias. Era inverno, um frio de lascar, eu trabalhava no turno da manhã, pegava às 5 da matina e ia até 13h20 da tarde. Madrugada de sábado para domingo, acordei como sempre às 4h15 da madruga (maldito relógio biológico, até hoje me acordo por volta das 5 da madruga), me vesti rapidamente, peguei duas fatias de pão caseiro (uma delícia) que a minha amada mãe sempre fazia para eu levar para o café da manhã, crachá em mãos e lá vamos nós.

Da minha casa até a empresa levava cerca de 20-30 minutos a pé. Como era madrugada de sábado para domingo, por vezes via situações atípicas digamos assim, bêbados, brigas de casl na saída de botecos, gostosas vindo das danceterias e eu indo trabalhar em pleno domingão, tudo bem dizem que o trabalho dignifica o ser humano. E aconteceu um fato atípico com este que vos escreve rs.

Estava eu enfrentando a madrugada gelada, sozinho, passei por um centro comunitário na rua principal do bairro, quando eis que surge uma viatura policial no sentido contrário. Os policiais desceram rápido e me abordaram: Mãos pra cima!!! Levei um susto, mas quem não deve não teme. Um ficou à uns 3 metros de mim, o outro fez o processo padrão de revista, e indagou-me: o que você faz a esta hora da madrugada com este pacote em suas mãos? Disse que era o pão que a minha mãe tinha feito para eu levar para o trabalho. O policial pediu-me o pacote e realmente verificou que eram apenas duas fatias de pão, em seguida pediu-me os documentos, falei que estava indo trabalhar e tinha apenas o crachá da empresa. Mostrei o crachá ao policial, o mesmo disse que havia uma denúncia de tráfico de drogas e que o meu perfil físico era parecido com o do suposto traficante e desculpou-se depois. Falei tudo bem é o seu trabalho. Ai veio uma coisa que sempre me lembro. Os policiais disseram que estavam indo em direção à empresa onde eu trabalhava e me perguntaram se eu não queria “uma carona” até a empresa, cerca de 500 metros. Aceitei.

Até hoje dou risadas ao contar isto, cheguei na frente da empresa, o guardião velho conhecido meu ficou estático com a cena, eu saindo da viatura policial e adentrando a empresa para trabalhar. Os policiais me desejaram bom trabalho guri. No dia seguinte contei a história aos meus pais e parentes, o tio do meu pai, típico “roçeiro” ficou nervoso que só e dizia, coitado do guri indo trabalhar e quase foi preso e os bandidos ficam soltos. Enfim mais uma ótima e divertida lembrança da minha vida.

Coisas para lembrar

Final de semana, sabadão vim para o centro de Curitiba comprar uma toalha do Shrek para levar para o meu sobrinho. Para não ocasionar ciúmes comprei duas toalhas, uma grande e uma pequena. Duas horas procurando até encontrar uma toalha pequena, a sorte que a da minha sobrinha já tinha comprado na sexta.

Fui até a rodoviária, comprei a passagem e bora ver meus pais. Cheguei, pedi a benção aos meus pais, dei os presentes, brincamos e fomos dormir. Domingão, assisti o Globo Rural com meu pai, depois chegou o moleque do vizinho e fomos num campo de areia jogar bola com minha sobrinha. Como sou um tio bem liberal deixei minha sobrinha fazer de tudo adivinha o que aconteceu: ela foi brincar nas poças de água, ficou até o cabelo cheio de lama. Voltamos, minha tia com a qual eu resido aqui em Curitiba estava lá. Minha avó vou rever seus bisnetos. Almoçamos, novamente saímos. O moleque com sua bike e com minha sobrinha na canguta, haja força. Ora ela andava, ora ia de bike com o moleque, ora vinha no meu colo e assim fomos.

Chegamos na construção da casa do meu irmão, descansamos um pouco, brincamos de esconde-esconde, depois fomos andar por um “carrero”. Uma estradinha escorregadia pra caramba. Andamos muito, chegamos num alto, e minha sobrinha queria continuar andando, nossas roupas estavam enlameadas e por cima ainda fui atacado por formigas. Meu pé ficou ardendo um bom tempo.

Descemos, o moleque quase pisa em cima de uma cobra, quase me estatelei no chão com minha sobrinha, chegamos na construção pegamos nossas coisas e voltamos para casa. Trouxe minha sobrinha na canguta numa subida do caramba e além do mais tive que trazer a bolsa do moleque, dois salgadinhos e mais 8 geladinhos que eles compraram numa barraquinha.

Cheguei em casa, tomei banho e aproveitei a carona para Curitiba. Mas ainda não acabou. Meu pai à tempos queria dar de presente um galo índio para o meu avô. Dito e feito, “empacotaram” o bicho e trouxemos ele no carro até Curitiba. Hoje 5 da matina acordo com o cantar do bicho, agora não preciso de despertador. No meio da semana minha tia vai levá-lo para a chácara do meu avô.

Para terminar assistimos ao final da dança dos famosos, e lá se foi mais um final de semana divertido.

A sombrinha amarela

Coisas simples que fazem a vida ser bela. Algum tempo atrás, domingo chuvoso, céu cinzento… 8:00h da matina… eu estava precisando comprar um pincel de barbear… tomei café, peguei um guarda chuva, estava saindo… neste ínterim minha pequenina e sapeca sobrinha perguntou-me:
– tio, aonde você vai? tá chovendo tio.
respondi:
– vou na lojinha de 1.99.
– eu vou também, respondeu ela sorrindo pra mim.
não tive como dizer não… que sorriso lindo e inocente… só você sai comigo né tio… espera tio vou pegar minha sombrinha… e lá veio ela com sua sombrinha amarela… linda, com uma blusa e uma toca rosa… sua mãe e sua avó (minha mãe) queriam brigar com ela por sair na chuva… defendi-a na mesma hora e lá fomos.
Rua sem asfalto ou calçamento… logo um barro danado… os dois andando pela rua enlameada… ela conversando comigo andando na minha frente… peguei meu celular e filmei-a… criança já viu… sempre procurava as poças de água… hehe… como um bom tio deixei ela a vontade.
– tio, vamos trazer o prefeito aqui… ri muitíssimo da situação.
Chegamos na lojinha… estava lotada… feriado… ela foi ver uma boneca… fui “obrigado” a comprar três bonecas e um pacote de salgadinho… pra voltar pensa que ela quis vir a pé… de jeito algum… imagina a cena… ela no meu colo com sua sombrinha amarela, eu segurando meu guarda chuva e duas sacolas pesadas… uma subida danada… minha sobrinha é bem gordinha… pensem num rapaz que quase desmaiou de cansaço… não sei como consegui chegar em casa… chegamos todos sujos… adorei… são estas lembranças que vamos ter em nossa vida.

Perpetual saturday

Postado em 25/07/2009

Este encontro já estava preagendado mas jamais imaginaria que seria tão magnífico.
Como de rotina levanto cedo, faço minha vitamina, lavo o banheiro, passo uma água na calçada e no piso da garagem, depois um pouco de exercícios para os músculos.
Tia trabalhando, tenho que fazer o almoço. vou ao meu banho. celular toca ao som de Enjoy – Cheek To Cheek. Desligo o chuveiro, retorno a ligação. que doce voz, suave melodia. confirmamos o encontro. almoço, pego o ônibus para o centro. céu azul, dia lindíssimo. chego na Rui Barbosa. surpresa. ligo pra ela, estava nas imediações. mais uma grata surpresa. estava com sua pequena anjinha. linda, super inteligente e sapeca.
Nesta tarde, nestes poucos momentos, formamos uma família. a felicidade desta tarde eterna não tenho como mensurar. inesquecível. passeamos pelo centro. aquela pequenina jóia disfarçada de criança me conquistou. lembro-me de cada conversa com ela.
Eu, minha eterna musa (LM) e sua anjinha, de mãos dadas pelo centro. ela pulando e correndo, conversando muito conosco.
– nós fomos na loja comprar um tênis. eu gostei do rosa, tinha roxo também.
– mãe, quero sorvete de morango. lindo o jeitinho dela falar, ainda comendo algumas palavras.
Experiente com criança devido ao convívio com meus sobrinhos, deixei ela adquirir confiança em mim.
Espetacular ver a pequena anjinha caminhando e conversando pela XV. chamava à atenção de todos. parecia um adulto, mas tem apenas quatro aninhos. 3 sorvetes de baunilha. sentamos num banco da XV. seu rostinho salpicado pelo sorvete, risos pra mim.
– tio, você pega uma flor pra mim.
– pego sim, mas se o guarda me ver vou pra cadeia. ela sorriu novamente.
– quer subir na minha canguta? quero tio. conquistei ela. fomos ao Passeio Público.
Típico sábado em família. vendo os patos no lago, depois os peixes no aquário. no meu colo, passamos um bom tempo vendo os peixes e as tartarugas. bom exercício para os braços. depois ficamos na fila para ela pintar o rosto. tio, quero andar no cavalinho. mãe, vamos ver o macaco. tio, olha o palhaço. chegou sua vez de pintar o rosto.
– quero um gatinho moça. eu e sua mãe ficamos admirando o trabalho da artista. quando ficou pronto, fotos, muitas fotos.
– mãe, quero um balão de fadinha. mais algumas fotos dela com o balão de fadinha. com as flores. voltamos em direção à XV. na despedida meu coração emocionou-se. ganhei um beijo de purpurina e um abraço tão inocente e gentil. ainda conversamos mais um pouco.
– tio, você é palhaço né?
– como você descobriu? Me emocionei com ela, mas me contive perante sua mãe.
Somente quem tem crianças no seu convívio diário pode imaginar o quão especial é uma criança para a nossa vida.
Uma criança proporciona felicidade ao nosso dia, mansidão ao nosso coração, alegria à nossa alma e sorriso à nossa vida.
Espero poder ter infinitos relatos como este em minha vida. nesta tarde de sábado formamos uma família. quem sabe se o destino desejar, esta família será para todos os dias.
Sonha moleque, não custa nada sonhar. quem sabe um dia, quem sabe.

A boy in the sand

5 da tarde… dia de trabalho árduo… carona e vamos embora… linha verde pela frente… conversa animada… desço numa avenida… bolsa à tiracolo… litro de água para beber… bairro classe média baixa… cachorros pelas ruas… mulher tirando a roupa do varal… crianças fazendo algazarra… trânsito intenso de carros… pessoas voltando do trabalho… filha abraçando o pai que chegou… paro num cruzamento… moço pode me alcancar o balde… menino na laje de uma oficina… balde em cima da areia… pego-o… surpresa… um garoto enterrado na areia… somente a cabeça pra fora… tentou me assustar… riram e ri muito da situação… tirei até foto… passei o cruzamento… ao anoitecer chego em casa… lembrei-me do boy in the sand… diferente, divertido, surreal

A funny history

Dia destes sol de rachar eu andando cabisbaixo aqui em Curitiba devido à alguns fatores que me ocorreram 10 minutos antes. Na esquina das marechais compro uma tapioca doce de morango e chocolate Continuo andando pela XV, repensando e revendo alguns conceitos.

Cabisbaixo, meio puto da vida, olhando vitrines. Como o marketing e a semiótica afetam o subconsciente das pessoas. Distraído… Quando fui virar uma esquina, aconteceu um imprevisto, parece piada, mas o fato foi real.

Virei todo o potinho de tapioca na roupa de uma mulher e que mulher. Meu Deus, linda, uma deusa. Vestida socialmente, com aquelas calças que realçam as curvas, sorriso e rosto perfeito, cabelos lisos loiros, seios espetaculares. Sem saber o que fazer, pedi desculpas de todo o jeito. A mulher (senhorita C) me surpreendeu pela calma e maturidade diante da situação, realmente um exemplo de paciência frente à uma situação embaraçosa.

Eu, para limpar a barra, dei R$10,00 (a contragosto dela) para limpar a camisa ou tomar um cappuccino. Ela me elogiou pela presteza. Talvez por ela nunca pensar que um cidadão tão feio (mistura de gremlins e ploc monster) fosse tão gentil. No final ela acabou rindo da situação (ainda bem que não estava na TPM). Tiro como lição deste episódio.

Sempre podemos mudar o jogo à nosso favor: de uma situação ruim tirar algo de bom, basta perspicácia.

Happy weekend

Sexta-feira, final de expediente, pego o ônibus pra casa, desço no terminal, algumas espécimes femininas desfilando, faço uma fézinha, saio do terminal e bora andar.

Ando sob o sol escaldante por 20 minutos até chegar em casa. Degusto alguns araçás do pé que está plantado em frente a casa da minha tia. Adentro a casa, lavo a louça (putz, quanta louça, arrumo a torneira que estava estragada). Minha tia chega, me elogia (chama-me de anjo). Termino o dia lendo Dan Brown – Anjos e Demônios (sacrificci dell’ vergini in altare di scienza).

Sabadão, 5:20 da matina, celular me desperta ao som de Baltimora – Tarzan Boy, banho gelado pra animar o dia, vou de bonde até a rodoferroviária, pego o ônibus pra casa dos meus pais. Alguns conhecidos, algumas gatas, filosofo sobre a vida durante as duas horas de viagem.

Chego em casa, minha sobrinha me recebe com abraços e beijos, interessante como uma criança pode acalmar nossa mente com apenas um simples e singelo sorriso. À tarde vamos brincar num campo de areia (eu, minha sobrinha e o moleque do vizinho), brincamos de bola, bumerangue e aviãozinho de papel.

É jamais devemos deixar morrer a criança que existe em nós.

6 da tarde vou rever uma grande amiga (a senhorita L). Chego, elogios de ambos para massagear o ego, vejo as orquídeas que dei à ela algum tempo atrás. No quarto, enchemos 150 balões (no domingo era aniversário do filho de sua amiga), haja fôlego literalmente. Para terminar o dia, pizza e me levam até o terminal para pegar o bonde pra casa (quase perdi o bonde).

Domingão, acordo cedo, vejo o Globo Rural com meu pai. Depois café divertido em família (sai com a cara cheia de doce de goiaba, minha sobrinha queria fazer um tratamento de beleza diferente em meu rosto). Antes do almoço, chimarrão com meu pai e meu tio. Conversas de homens (negócios, carros e mulheres), almoço com a família, comidinha da mãe (a couve frita estava divina).

À tarde ajudo minha mãe a fazer fogo no forno para assar pão. 16:00, venho pra Curitiba, trago um pão de presente para minha tia (ela adorou). Ônibus lotado, muitos sujeitos mal-encarados no bonde, vim conversando com uma “amiga íntima”, vamos dizer assim. Termino o fim de semana continuando a leitura de Anjos e Demônios ao som de Bach – Concerto de Brandembrugo No. 3.

E cá estou novamente, junto dos amigos. Muitos risos devido à um problema gastrointestinal de um colega (tem médico que tira o diploma via Correios). Semana de pagamento de dívidas, fazer o quê? Bueno, vamos trabalhar agora.