Sapecada em família

Sábado passado pego o ônibus e rumo para Santa Catarina rever a família. Chego na cidade, 45 minutos de caminhada porque o ônibus que vai para o bairro onde minha família mora demoraria 40 minutos para sair, sabe como é, cidade do interior, é assim mesmo.

Benção meu pai, benção minha mãe, meus sobrinhos pedindo colo, meu irmão com o seu primeiro possante, clima familiar excelente. Após o almoço, reunimos a família, os apetrechos e rumamos ao interior da cidade tirar pinhão.

Desde quando me entendo por gente, como diz meu pai, que sempre participei de excursões para tirar pinhão. Lembro que reunia-me com os amigos da rua e fazíamos a maior festa. Mas, voltando a história em questão, chegamos numa chacará com uma “tapera” abandonada. Minha sobrinha e meu sobrinho foram ver as “galinhas diferentes” (angolistas ou galinhas de Angola). Eu e meu pai tiramos as esporas do carro (também conhecido como pé-de-ferro), chamamos o restante da trupe, passamos por um curral, caminhamos um pouco e chegamos num pinheiral, sei lá, deve ter mais de 100 pinheiros.

Nos pinheiros menores derrubávamos as pinhas com uma taquara, meus braços e ombros ainda estão doloridos. Nos pinheiros maiores, ora meu pai, ora eu subia com a ajuda das esporas. Minha mãe, irmã e sobrinhos “desfalhavam” as pinhas e separavam os pinhões. Show ver meus pequenos sobrinhos (6 e 2 anos) “catando” pinhão no gramado.

Depois de algum tempo, convidei meus sobrinhos para pegar “grimpa” (também conhecido por sapé) para fazer uma sapecada de pinhão ao melhor estilo e tradição campeira do sul do Brasil. Para quem não sabe, a sapecada consiste em você fazer um monte com grimpa seca, semear pinhões pelo meio e atear fogo até as grimpas queimarem bem. Depois é só retirar os pinhões assados e saboreá-los (tem gosto de nostalgia, tradição, história, pinhão, rs). Tadinhos dos meus sobrinhos, descobriram da pior maneira que é preciso esfriar um pouco os pinhões antes de pegá-los.

No domingo, dia das mães, almoço em família regado a pinhão cozido com sal. Meu pai distribuiu um pouco para os vizinhos e parentes. Eu trouxe um pouco para Curitiba encomendado pela primeira dama (eu tento agradar). E lá se foi mais um final de semana com boa história para contar.

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