Ensaio sobre a simplicidade

“Em carácter, em comportamento e em todas as coisas, a suprema excelência está na simplicidade.” Henry Longfellow

Sábado passado após um belíssimo encontro com a senhorita M. fiquei muito a pensar sobre a nossa conversa. Ela me disse que conhece algumas pessoas fantásticas que deixaram levar-se pelas drogas. Eu também conheço algumas pessoas que perderam tudo (material e sentimental) para as drogas.

Pesquisei um pouco em relação ao assunto. Muitos dos adeptos das drogas dizem que experimentam para obter um “status de felicidade” superior, uma “viagem” inesquecível. Fiquei pensando que muito da culpa, fora problemas familiares, curiosidade, reside no fato de que os seres humanos não encontram felicidade em suas vidas. Os bens que adquirem trazem uma felicidade rápida e passageira. A família e amigos começam a ficar em segundo plano. O salmão salpicado com alecrim não tem o mesmo gosto. As horas de prazer idem. O BMW novo idem. Parece que a felicidade sempre está um passo a frente e o ser humano curioso que é, sempre vai tentar arrumar uma maneira de trazer a felicidade que ele não mais consegue agindo naturalmente. Sim, a rotina mata lentamente o ser humano, mas devemos ter sabedoria para aproveitar as doses diárias de felicidade que a vida nos proporciona.

Como? Seja simples. Vejam não estou aqui querendo sucitar que todos hajam da mesma maneira. A subjetividade faz da raça humana um quadro belíssimo de diversas cores, sons e ideias.

Tenho grandes exemplos de simplicidade em minha família, meus pais. Eles não ficam preocupados se o Kadaffi vai ser preso ou se os pólos vão derreter. Minha mãe não fica preocupada e infeliz porque seu rosto começa a ter rugas de expressão. Meu pai não dá a mínima e nunca ouviu falar em Pierre Cardin ou Armani. Nietzsche pra ele deve ser uma nova marca de trator alemão.

Muitos confundem simplicidade com pobreza. Ledo engano. Ser simples é habituar-se no meio onde vive, ser simples é ter cordialidade com as pessoas, ser simples é ser homem (mulher) maduro (a) o suficiente para fazer as suas próprias escolhas e não ser uma Maria vai com as outras.

Dois exemplos clássicos para melhor explicar:

Conheci um diretor de uma grande empresa que era de uma simplicidade natural de dar inveja. Todo o santo dia fazia questão de almoçar junto aos colaboradores de sua empresa. O diretor geral do campus onde eu fui bolsista também é outro grande exemplo pra mim. Uma pessoa que me ensinou muitas lições de vida.

O oposto: na esquina da casa da minha tia existe um salão de beleza. Periferia da cidade, público alvo de baixa renda. Conversando com uma moça que trabalha neste salão ela contou-me que tem uma mulher que gasta mais de R$200 quase todo o mês com os seus cabelos sendo que o que ganha mensalmente não passa de R$600. Tudo bem que a auto-estima é fator fundamental para a nossa vida, mas os exageros acabam desvirtuando as coisas simples e de valor em nossa vida.

Ser simples é agir de acordo com o momento. Se tiver filet mignon coma, se tiver apenas asa de frango coma também.

A simplicidade nos eleva à um patamar onde podemos colher grandes frutos que a vida deposita diariamente em nossas mãos e se não tivéssemos esta simplicidade nossos olhos não teriam a capacidade de enxergá-los.

Estar bem

Hoje cedo ao ler um post do Papo de Homem, ao final vi escrito, o que é estar bem? Haja subjetividade.

Estar bem:

Saborear um veuve clicquot servido por uma nórdica vestida como uma valquíria, degustar um salmão do Alasca no seu iate estacionado em Cote D’ Azur.

OU,

Ter um emprego, família, saúde, simplicidade

E,

Ter sobre o meu peito o corpo nu de mi passione (prefiro esta segunda opção, família + amor).

Como o grande pensador Epiteto certa vez discursou: devemos nos alegrar com o que possuímos. Sonhos, aspirações, vontades, todos nós temos; não é nada anormal sonhar em passar as férias em Bali, naquela mansão que você viu nalguma revista; agora colocar todo o nosso “estar bem” em coisas materiais que não possuímos, creio que abre porta para ganância, quebra de valores éticos, doenças devido a eterna compulsão pelo luxo e supérfluos.

Enfim, o “estar bem” pode ser bem simples, como comprar uma bela camisa xadrez (da promoção é claro, linda, em tons de vermelho, espero usá-la brevemente).

Viver é fácil a gente complica

Na correria do dia a dia… ônibus superlotados… pressa, muita pressa… trânsito caótico… stress, mau humor… metas… dor de cabeça… chega!!!

O ser humano dito evoluído, não satisfaz-se com nada neste mundo. Penso que o ser humano, de tanto evoluir, será um “ser” opaco, sem sentimentos, transformar-se-á numa máquina programada para desempenhar uma determinada função, nada além disto, e quantas “máquinas” já conhecemos neste mundo?

É natural para todo o ser humano querer evoluir em todos os aspectos que regem a vida. Mas, até que ponto “viver” somente em função de metas e números é saudável? É realmente viver? Sincera e honestamente, se muitas pessoas não dependessem de mim já teria parado com esta correria “louca”: estudo e mais estudo, trabalho, metas, mas:

Um grande homem é aquele capaz de “sacrificar-se” em prol de quem ele ama.

Mas, jamais devemos deixar que estes sacrifícios nos impeçam de viver. É uma questão de conciliar tempo. Sempre fui um homem que sacrificou-se pelos amigos sem nunca desejar nada em troca. Noto que o ajudar de hoje é quase sempre visando algo em contrapartida.

Agora que estou num momento de marcar meu nome pra sempre na vida de uma pessoal muitíssimo especial (L.M.). Mas, voltando ao tema, diversas vezes, como disse um certo filósofo:

Algumas pessoas gastam o dinheiro que não têm para adquirir bens que não precisam.

Por vezes tentamos sem sucesso comprar a felicidade e esquecemos que a felicidade é um bem que não possui preço. Recordo-me de um livro intitulado “A arte de viver” do filósofo Epicteto. No livro constam-se diversas maneiras simples de aproveitar a vida, de ter uma vida tranquila e feliz. Óbvio que dinheiro é fundamental para o nosso conforto e bem estar. Que o diga eu que muitíssimas vezes tive que percorrer 5,6,7 quilometros a pé porque não tinha dinheiro para pagar a passagem (ainda continua parecido rs). Bom analisando pela ótica boa, bom para o meu preparo físico. É claro que tranquilidade em excesso também atrapalha: mente vazia, oficina do…

Esquecemos dos valores fundamentais do ser humano, aqueles que consagradas agências de propaganda desenvolvem em 30 segundos e as emissoras de televisão poem no ar em horário nobre. Deve ser para massagear o ego do sofrido trabalhador após mais um duro dia de trabalho  e vender é claro. Por exemplo, rir e brincar.

Como tenho uma sobrinha e dois sobrinhos pequenos (hoje já são quatro), logo não tenho problemas em rir e brincar. Como estes contatos me trazem paz e tranquilidade, esqueço de tudo. Ajudar as pessoas que eu amo (em especial L.M.) tambem me deixa muito feliz. Além da questão financeira, com atos motivadores (aqui sou quase PhD). Engracado notar, sou expert em motivar, mas, não consigo motivar-me a altura, será que Freud explica?

Jamais devemos deixar perecer a criança que existe em nós. Já perceberam que qualquer coisa simples é motivo de alegria e felicidade para as crianças. Assistir os filmes do Shrek seis vezes em quatro dias, só minha sobrinha mesmo. Recordo-me de uma história que minha mãe me conta sobre minha infância. É ainda consigo me lembrar. Diz ela que eu passava o dia todo vendo as formigas quietinho no meu canto. São estas coisas simples que não devemos deixar morrer.

Reserve um tempo para brincar com uma criança, verá que seu humor vai melhorar muito. Reserve um tempo para você, invente, se preciso for, um universo paralelo onde não existam metas a cumprir, números, stress. Por falar em universos paralelos, aqui um excelente documentário da BBC. Procure o Neverland, eu tenho o meu: ajudar quem eu amo, brincar com crianças. Procure o seu também.

O dinheiro pode comprar tudo?

A idéia de que o dinheiro pode comprar tudo principalmente numa sociedade capitalista pode ser verdade, mas é uma verdade relativa. A “classe dominante” pode ter e fazer de tudo e para esta classe só existe quem possui muito dinheiro no bolso.
Para esta classe a felicidade consiste em comprar caríssimos perfumes parisienses, comprar o exclusivo terno italiano, comprar um carro importado de última geração, as horas de sexo com modelos ou pessoas famosas no dito “meio social” (quanto será que uma ex-BBB cobra?), o apartamento triplex no bairro mais caro da cidade. Esta “felicidade” é imposta pela sociedade diariamente pelos diversos meios de comunicação e é quase impossível fugir desta “realidade virtual”.
No entanto, a verdadeira felicidade não pode ser comprada nem por todo dinheiro deste mundo (jargão antigo, mas na minha pequena concepção ainda é válido). Por exemplo, o dinheiro pode comprar “amigos”, mas a verdadeira amizade jamais conseguirá comprar. Pode comprar tudo o que tem de melhor, mas não é capaz de comprar apenas um único sorriso verdadeiro.
Quem possui muito dinheiro corre o risco de sua vida perder o sentido (quantas pessoas bem-sucedidas financeiramente cometeram suicídio), ao contrário das pessoas menos providas de capital que vêem nas pequenas coisas que conquistam com muito esforço e suor a verdadeira essência do viver.
É claro que o dinheiro é importantíssimo para todos, mas não devemos deixar que domine nossa mente, pois estas serão pessoas sem ética e caráter algum que passam por cima de tudo e de todos para conseguirem seus objetivos.
A maioria das pessoas, hoje, não se preocupa com sua felicidade, mas com que as outras pessoas vejam em seu “status social” a sua felicidade. O famoso superego que Freud já explicava.
Nada mais natural do que ser infeliz numa Mercedes importada do que ser feliz num FIAT 147. Você pode me perguntar: quem tem uma Mercedes não pode ser uma pessoa triste, mas existem inúmeros casos que provam o contrário, basta ler livros de psicologia e psicanálise. Pessoas que possuem tudo o que o dinheiro pode comprar, menos as duas coisas mais importantes desta vida: a saúde e a verdadeira amizade. A amizade é ainda mais importante para estas pessoas que desejam um amigo que possam compartilhar suas vitórias e fracassos sem que estas tenham em mente algum benefício em troca de sua “amizade”.
Um belo exemplo é de um lavrador norte-americano que foi questionado por um grande magnata sobre o que era felicidade para ele. Sua resposta foi a seguinte: “Felicidade é acordar todo dia cedinho, ouvir o cantar dos pássaros, beijar a mulher e os filhos, cortar a lenha para fazer fogo e esquentar a água para o café, cuidar da lavoura, dizer bom dia aos vizinhos, reunir todo dia a família para jantar e agradecer pelo “feijão com arroz” de todo o dia.
Moldamos a felicidade, quer queiramos ou não, a mídia sorrateiramente impregna isso em nosso subconsciente, pela fortuna material que possuímos. Se for assim, estou perdido. É a famosa e verdadeira constatação: quando mais se tem, mas se quer. Conjugamos o ver TER e não o verbo SER. Muitos passam pela vida apenas almejando cada vez mais e mais dinheiro, tudo bem, dinheiro traz comodidade e conforto, e esqueçem de viver. É só você verificar sua própria família que vai descobrir um caso assim. Sendo necessária a ocorrência de um fato extraordinário (normalmente doença incurável ou acidente sério) para mudar sua concepção de vida. E engraçado notar, o ser humano reage mais rapidamente à impulsos negativos.
Felicidade é fazer de cada dia um dia único em nossas vidas, sempre cultivar o bom humor e otimismo para o dia seguinte.
A verdadeira felicidade está nas pequenas coisas e gestos que fazemos diariamente para demonstrar para as pessoas o quanto elas são especiais para nós. Um abraço amigo, um sorriso verdadeiro, uma frase bonita, um ouvido para escutar os problemas de quem amamos, uma palavra de incentivo.
Portanto, não vamos deixar para amanhã o que podemos expressar para as pessoas que são especiais em nosso viver, pois este amanhã pode ser tarde demais.
“O verdadeiro homem feliz não é aquele que se entristece com as coisas que não tem, mas se alegra com as que têm”. (Epicteto)

Reflexão

Na verdade este texto foi escrito no meu outro blog (in memorian rs) a long time ago, estou apenas postando aqui também.

Estou no laboratório da federal esperando o chefe para discutir o andamento do mestrado, na rádio on-line (977 80’s channel) está tocando Spandau Ballet – True. Filosofando um pouco sobre a vida. Calor danado. Acabei de voltar do almoço no restaurante universitário (tinha berinjela à milanesa e banana de sobremesa). Mais dois bolsistas na sala. Siilêncio impera, apenas algumas vozes ao fundo de pessoas passando pela calçada. Segue uma frase que me veio à mente neste exato momento:

Se formos parar e analisar todos os porquês e para quês que regem nossa vida: não vivemos

A vida é simples, precisamos de pouquíssima coisa para sermos felizes: ter um sonho, ter amigos, ter uma família, ter paixões, ter alguém para amar, ter um Deus para acreditar, ter saúde, ter um teto sob nossas cabeças, ter vestimentas para nosso corpo, ter alimento para nossa fome, ter capacidade para ajudar quem precisa.

Pena que muitas vezes, seja pela dita vida moderna, seja pelo “nosso egocentrismo” momentâneo, seja para agradar à alguém, seja para conquistar algo, seja para nossa autoestima; esquecemos desta simplicidade em viver e mergulhamos em um mundo que não é nosso, que está além de nossa personalidade. Mas para isto existem os amigos e família, para puxar nossa orelha quando estamos percorrendo um caminho errado. Agora está tocando Eurythmics – When Tomorrow Comes. Hoje penso em ir para casa mais cedo, sexta-feira, ônibus lotados, etc. Bueno, vamos trabalhar um pouco!!!