O que você faz?

Vivemos em sociedade. Diariamente encontramos diversas novas pessoas em nosso caminho. A grande maioria nem chegamos a trocar uma palavra devido ao nosso escasso tempo. As poucas pessoas com as quais iniciamos uma conversa são levadas para o velho clichê que sugere o fortalecimento do ‘ter’ na sociedade moderna. A clássica pergunta: o que você faz?

Pré-julgamos as pessoas, por diversos fatores e características, desde a sua roupa até a sua profissão. Então muito cuidado ao dizer que você é apenas uma atendente de lanchonete ou apenas um servente de pedreiro. É comum sermos julgados pelo que possuímos. Vejo diariamente muitas pessoas que apenas conseguem ver aqueles que possuem ‘valor’ perante a sociedade, são incapazes de dizer um bom dia ao porteiro, a faxineira. Na concepção destas pessoas estes simples trabalhadores não podem agregar nada de valor a sua carreira. Agora quando alguém está de terno, viram baba-ovos (ideia para outro texto).

Claro que quando conversamos desejamos conhecer as pessoas, o que fazem, o que pensam, etc. Mas devemos ter humildade para tratar qualquer pessoa, independente de posição e status social, da maneira com a qual gostaríamos de ser tratados. Ainda bem que meus pais me ensinaram este preceito de vida. Rabisquei um texto sobre o ter e o ser aqui.

Aquela velha brincadeira que eu gostava de pronunciar: sou um garoto de programas, quando me perguntam o que eu faço já está se desgastando. Daqui por diante quando me perguntarem o que eu faço, responderei:

Sou um colecionador de experiências de vida.

Mulher exigente

Feriadão, lendo na revista VIP a excelente matéria do colunista Paulo Nogueira sobre a mulher exigente, eis aqui a minha opinião:

Século XXI, muita coisa mudou drasticamente em 100 anos. Liberdade de expressão, independência da mulher (em algumas culturas a mulher ainda é subjulgada), formação de “novas tribos sociais”, etc. Devido a descoberta de novas tecnologias que mudaram o modo que o homem vê o mundo, ao capitalismo, ao consumismo, a ditadura do espelho, a sociedade passa por mudanças drásticas e velozes.

Há 40 anos atrás o perfil da grande maioria das mulheres era o de “dona-de-casa”, as Amélias como são conhecidas, basta ver nossas mães e avós. Não que este perfil seja errado, mas os tempos são outros como gostam de citar.

Os meios de comunicação (televisão, revista, rádio, propaganda) contribuíram fortemente para ajudar a nascer um novo tipo de mulher na sociedade moderna, que “põe medo” em muitos machões à moda antiga: a mulher exigente.

Não estou defendendo o feminismo, muito menos o machismo, apenas estou citando fatos que todos podem observar diariamente.

Particularmente, adoro mulheres com personalidade. A mulher exigente afasta muitos “homens” porque ela também se preocupa consigo mesma, com o seu prazer e não em apenas satisfazer o parceiro.

A mulher exigente não ficar a vida toda atrás de um fogão e de uma máquina de lavar roupas (nada contra estas, conheço algumas fantásticas), ela vai à luta. Ela faz faculdade, ela concorre em iguais condições com homens no mercado de trabalho, ela planeja sua vida, ela tem metas, ela realiza suas fantasias sexuais sem pudor e vergonha, ela demonstra força sem deixar de lado sua leveza e sensualidade.

A mulher exigente quer mais do que apenas um corpo masculino ao seu lado, ela quer um companheiro, um batalhador que possa construir uma sinergia em busca de ideais comuns.

Ela deseja ser surpreendida, sejo pelo jantar que o seu homem preparou, seja pela flor roubada que ganhou inesperadamente, seja pelos beijos tórridos que ganhou dentro do elevador antes de chegar ao trabalho.

Os homens tradicionais podem ter medo deste tipo de mulher porque elas têm voz própria, ideias que podem ser contrárias as deles. Para a mulher exigente não “cola” apenas um rostinho bonito, ela quer conteúdo, respeito e cumplicidade.

Conheço pegadores (bom é isto que contam aos amigos) que se borram de medo ao depararem-se com uma mulher exigente pois apenas conhecem o “papai-mamãe” da vida e elas desejam o “kamasutra” da vida.

Ao lado de uma mulher exigente certamente que não existirá rotina e haverá uma saudável guerra dos sexos, aquele jogo de sedução para apimentar o dia a dia. O homem que convive com uma mulher exigente sempre terá seu leão interior provocado. Ela não considera o homem superior ou inferior, ela o considera um companheiro para ficar ao seu lado.

A mulher exigente sabe “o ponto certo” entre exigir e ser chata-arrogante-prepotente. Vale lembrar que:

Existe um limiar tênue para as exigências: em demasia não há quem suporte.

O poodle cor-de-rosa

Ontem à noite, dirigi-me a famosa Rua XV aqui em Curitiba, momentos divertidos com uma certa pessoa, não resisti e pedi um Big Mac, sabe né, estava com muita fome (rs). Rumei em direção à estação central pegar o vermelhão para casa. Eis que neste ínterim, observador e detalhista que sou, vi uma senhora passeando alegre e feliz com o seu poodle cor-de-rosa. Achei a cena bem interessante, o cachorro muito bem cuidado, a senhora com classe e elegância de madame.

Fiquei com meus botões pensando durante o trajeto para casa, lembrei-me que um grande amigo meu, certa vez, comentou comigo que um senhor dava salmão com torradinha especial ao seu cachorro, eita, e eu no Giraffas à R$5,90 todo o dia, não estou reclamando, longe disto. É foi se o tempo onde os cachorros comiam restos de comida, hoje comida balanceada, vitaminas, etc e tal. Claro, se você tem um animal de estimação, trate-o com carinho. A belle brune tem seu general francês e cuida muito bem dele.

Pra que relatei esta cena que presenciei, pelo simples fato que tentamos fazer as coisas que julgamos ser importantes para a nossa vida, o tal do subjetivismo. Se a senhora sente-se feliz passeando com seu poodle-cor-de-rosa, se a madame quer doar toda a sua fortuna ao seu gato de estimação, quem sou eu para julgar.

É certo que, na minha concepção, que uma vida simples evita muitos questionamentos e problemas psicológicos, quantos menos variáveis teu cérebro tem para resolver, mais ele vai te ajudar. Gosto pessoal cada um escolhe, têm pessoas que gostam de cachorros, outras de alpinismo, outras de Lady Gaga, outras de Pink Floyd, outras de Monarcas (em breve post sobre as músicas que o meu pai ouvia), outras de hentais, outras de masoquismo, outras de opus dei, outras de macumba, outras de Final Fantasy, outras de Mortal Kombat. Tem uma frase que gosto de citar:

O que é fútil para mim pode ser essencial para você.

Alfa ou beta

Esta é uma discussão muito interessante no que diz respeito ao “obscuro” mundo feminino. As mulheres cada vez mais têm se tornado independentes, conquistam altos postos em grandes companhias, se valorizam mais, formam opiniam etc e tal. E com esta revolução no Universo feminino, nós homens, gradualmente temos que mudar, senão, perdemos nossas companheiras.

Existem dois biotipos básicos de homem: o macho alfa e o macho beta. Com base nas leis naturais, o macho alfa é aquele ser dominante do meio onde vive (mais forte, mais saudável, líder). Segundo estas mesmas leis, as fêmeas procuram no macho alfa a proteção e perpetuação da espécie, já que copulando com o macho mais forte seus filhotes tendem a nascer fortes e dominantes. O macho beta é  mais sentimental, ligado a família, com medos e incógnitas em sua vida.

Vou explicar melhor: o macho alfa é aquele que adora mostrar valentia e coragem, na maioria das vezes age com força física, não possui educação no trânsito, adora ser o centro das atenções; se julga o bonitão-gostosão do pedaço, adora mostrar superioridade para os outros homens e mulheres, esnoba quem quiser, trata a mulher como um objeto. O macho beta é aquele que ajuda a sua companheira, seja ajudando a preparar o jantar, cuidando dos filhos, lavando a louça, ou seja, tarefas que os “machões” (alfa) jamais fariam.

Li, reli, li novamente vários artigos e opiniões de diversos antropólogos, psicanalistas e psicólogos de que a mulher hoje em dia está começando a valorizar e ter relações com os machos beta (não sei não), porque? Segundo os estudiosos, com a revolução feminina que tirou a mulher de simples dona de casa para ser ativa e opinante na sociedade, estas desejam uma companhia que ajude-as nas tarefas e obrigações do cotidiano.

Ok, a natureza fala mais alto em relação aos nossos instintos primitivos, digo aqui relações sexuais. Aqui, o objeto de desejo das mulheres são os machos alfa, porque elas procuram o ser dominante da espécie para segurança, etc e tal. Vide aqui inúmeros casos de mulheres que caem nas armadilhas de cafajestes, mas são relacionamentos conturbados que ao final apenas deixam grandes mágoas e traumas na mente da mulher (se formos enumerar perdemos a conta).

É ridículo notar que hoje em dia ainda existam mulheres escravas de tais tipos de homem (e como tem). Óbvio notar, pela questão genética-social, que as mulheres procuram segurança em um homem, em vários aspectos: econômica, sentimental, social. Mas além deste aspecto, no mundo em que vivemos, as mulheres cada vez mais procuram companheiros na verdadeira acepção da palavra. Elas podem até ter relacionamentos artificiais com os antigos machões, mas para relacionamento sério elas vão procurar um verdadeiro homem.

O que seria então este verdadeiro homem? Um mix, entre o alfa e o beta, cada um no momento certo. No convívio diário com sua namorada, esposa, ficante seja o macho beta (abra a porta do carro, se ofereça para pagar a conta, elogie seu cabelo, vá as compras com ela, cuide dos filhos, e estas outras coisas simples do Universo feminino). Nas horas certas, seja o alfa pelo amor de Deus. Como? Tome rédea das contas mensais, nunca, jamais, em hipótese alguma, se menospreze frente a sua mulher, sempre fale de novos desafios, roube um beijo dela, segure-a firme junto ao seu peito, deixe ela sentir sua respiração e perfume (não de suor, apesar de que o suor masculino exerce um tipo de libido nas mulheres), tenha pegada na cama (seja homem com H), mostre força quando precisar, mostre responsabilidade com o trabalho, seja o alicerce da sua casa.

Enfim, se você for apenas o beta será sempre o “amiguinho” da mulher (várias experiências deste que vos escreve), se você for o alfa, poderá até transar com a mulher algumas vezes mas com o tempo isso só trará problemas para você e para a mulher. Seja o mix, e por favor, seja autêntico. Com isto certamente terá respeito, admiração, carinho e sexo da mulher que você ama. Romantismo em exagero é a pior coisa que você pode fazer para uma mulher.

10 por cento!

Dia destes, me distraindo um pouco zapeando pelos canais de televisão, nada de interessante, de repente… em três canais vejo igrejas pedindo dízimos e ofertas das maneiras mais inteligentes possíveis. É notável perceber a grande eloquência nos discursos. Não tenho absolutamente nada contra nenhuma religião, creio em Deus, mas não preciso de intermediários (padre, pastor, rabino, etc), falo pessoalmente com Ele através das minhas orações.

Ok, as igrejas necessitam de apoio para honrar com suas dívidas (água, luz, aluguel, telefone), mas ao vislumbrar a sede que uma famosa igreja apresentou, uma obra faraônica que será paga com o suado dinheiro dos fiéis, fiquei pensando e filosofando: tem gente que deixa de comprar leite para o filho para sustentar pastor andando de carro importado por Curitiba, sem falar nas viagens de avião e jantares requintados; e ela vindo à igreja de “busão” lotado.

Sou absolutamente contra a exploração mercantil que as igrejas propõem, fazem uma lavagem cerebral nas pessoas, utilizam milagres, promessas de crescimento financeiro. Não se iludam, quem faz o milagre é a tua fé, quem faz você crescer na vida é o teu esforço.

Como dizem: dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E qual a diferença entre César e Deus? Um é humano e precisa de dinheiro o outro precisa apenas de sua alma. Mas então não devo dar meu dízimo para Deus já que Ele não precisa de dinheiro? Não, pelo contrário, mas dê a Deus!!! Como? Vou te explicar.

Ao invês de você financiar bon vivants religiosos, doe diretamente a quem precisa. Vou dar um exemplo: digamos que você ganhe R$1000,00 líquido, seu dízimo é de R$100,00, pegue este valor, escolha pessoas menos favorecidas financeiramente e compre o que estas pessoas necessitam naquele momento e certamente vai estar ajudando a Deus. Você pode escolher mais de uma pessoa (família) e repartir o valor, te garanto, por experiência própria, tua consciência para com Deus sempre vai estar limpa e teu coração sempre estará alegre e sereno.

Agora, existem aquelas pessoas, algumas fanáticas, que preferem financiar religiosos, ok, cada um faz o que julga ser correto para a sua vida, mas jamais esqueçam: religiosos são seres humanos e cometem erros (nem vou entrar no mérito), Deus não.

Faça à Deus pois Ele vai te recompensar no tempo certo.

Só muda a casca?

Vários e vários estudos comprovam que a semiótica e o visual são fundamentais para “vender” nossa imagem, mas até que ponto este “pré julgamento” das pessoas pode acarretar nosso afastamento de pessoas fantásticas? Vou apenas citar uma curiosa história que aconteceu com este que vos escreve.

Na época estava desempregado, trabalhava por dia com meu tio, exercia a função de servente de pedreiro. Cabe um parênteses aqui: ninguém acredita que eu trabalhei como servente de pedreiro tendo diploma superior, é a mais pura e cristalina verdade. Como sempre avalio as situações por uma ótica boa, este período serviu para testar o quão forte eu era perante as dificuldades em conseguir emprego. Na verdade eu gostava de trabalhar de servente de pedreiro, é um serviço braçal, portanto, avaliei pela ótica do físico, fiquei com os braços bem fortes, isto sem pagar por acadêmia.

Trabalhava num sobrado pertinho da casa da minha tia, sempre utilizava o mesmo traje: o tênis velho, o boné, a camiseta e a famosa calça verde da prefeitura (ainda uso ela quando estou em casa, muito confortável). O dono do sobrado tinha uma filha adolescente, uma morena muito bonita. Eu chegava as 7h15min e ficava na frente de sua casa esperando ela abrir o portão para eu entrar e adiantar o trabalho, meu tio chegava depois. A moça era cordial para comigo, me dizia bom dia e ia estudar. Certo dia, recebo uma ligação de entrevista de emprego para a tarde. Trabalhei até as onze horas, fui à casa da minha tia, tomei banho, fiz a barba, pus uma roupa social que adoro usar (uma calça branca e uma camisa rosa clara) e rumei em direção ao ponto de ônibus. Qual foi minha surpresa, a moça também estava no mesmo ponto de ônibus e foi neste momento que aconteceu uma cena que até hoje me recordo: ela me olhou de um jeito totalmente diferente, sabe aquele olhar, não pode ser ele, deve ser outra pessoa. Atento as reações logo percebi a diferença com que ela me olhava. Nos cumprimentamos, puxei conversa perguntando onde ela estava indo. Resumo: fomos conversando até nosso destino final.

O que eu tiro desta pequena história: como apenas um visual mais elegante pode mudar a maneira com a qual as pessoas nos avaliam. Óbvio que devemos possuir autoestima, se vestir adequadamente, etc e tal. Mas fico aqui pensando: eu era a mesma pessoa independente da roupa que estava utilizando. Não culpo ninguém, a própria mídia faz uma “lavagem cerebral” para que a beleza seja considerada acima de tudo.  Se você vai à uma festa dificilmente uma mulher aproximar-se-á de você senão estiver trajando roupas de grife e que seja bonitão (vide as festas onde  eu ficava sozinho no cantinho, elas não sabem o que perderam). Nossa casca pode mudar, mas nosso eu interior é o mesmo. Considero mentes pequenas aqueles que apenas julgam uma pessoa pelo seu biotipo físico e pelas suas vestes. Um exemplo que gosto muito de citar: o diretor geral da universidade onde me formei. É uma pessoa muito simples e humilde, quem não o conhece jamais diria que ele é PhD em Engenharia na França. Muitas pessoas preocupam-se demasiadamente com sua casca e esquecem que com o tempo ela se deteriora e se elas não tiverem nada além desta “casca bonita” o que vai sobrar? Psicologicamente somos adaptados à valorizar a beleza, mas também devemos avaliar as pessoas por outros aspectos, pois podemos estar desperdiçando ótimas oportunidades de conhecer pessoas fantásticas. Cuide do corpo, considere-se bonita(o) mas além disto tenha outros diferenciais que possam torná-la(o) especial para as pessoas. Todos nós temos qualidades fantásticas, não devemos deixá-las morrer apenas porque não possuímos o padrão de “beleza global“. E outra coisa: as pessoas que realmente gostam de você vão te aceitar do jeito que você é, seja você um “Casanova” ou um “Quasímodo”. Deve ser por isso que tenho amigas lindíssimas (ou é por pena vai saber né).

Vários e vários estudos comprovam que a semiótica e o visual são fundamentais para “vender” nossa imagem, mas até que ponto este “pré julgamento” das pessoas pode acarretar nosso afastamento de pessoas fantásticas? Vou apenas citar uma curiosa história que aconteceu com este que vos escreve.

Na época estava desempregado, trabalhava por dia com meu tio, exercia a função de servente de pedreiro. Cabe um parênteses aqui: ninguém acredita que eu trabalhei como servente de pedreiro tendo diploma superior, é a mais pura e cristalina verdade. Como sempre avalio as situações por uma ótica boa, este período serviu para testar o quão forte eu era perante as dificuldades em conseguir emprego. Na verdade eu gostava de trabalhar de servente de pedreiro, é um serviço braçal, portanto, avaliei pela ótica do físico, fiquei com os braços bem fortes, isto sem pagar por acadêmia.

Trabalhava num sobrado pertinho da casa da minha tia, sempre utilizava o mesmo traje: o tênis velho, o boné, a camiseta e a famosa calça verde da prefeitura (ainda uso ela quando estou em casa, muito confortável). O dono do sobrado tinha uma filha adolescente, uma morena muito bonita. Eu chegava as 7h15min e ficava na frente de sua casa esperando ela abrir o portão para eu entrar e adiantar o trabalho, meu tio chegava depois. A moça era cordial para comigo, me dizia bom dia e ia estudar. Certo dia, recebo uma ligação de entrevista de emprego para a tarde. Trabalhei até as onze horas, fui à casa da minha tia, tomei banho, fiz a barba, pus uma roupa social que adoro usar (uma calça branca e uma camisa rosa clara) e rumei em direção ao ponto de ônibus. Qual foi minha surpresa, a moça também estava no mesmo ponto de ônibus e foi neste momento que aconteceu uma cena que até hoje me recordo: ela me olhou de um jeito totalmente diferente, sabe aquele olhar, não pode ser ele, deve ser outra pessoa. Atento as reações logo percebi a diferença com que ela me olhava. Nos cumprimentamos, puxei conversa perguntando onde ela estava indo. Resumo: fomos conversando até nosso destino final.

O que eu tiro desta pequena história: como apenas um visual mais elegante pode mudar a maneira com a qual as pessoas nos avaliam. Óbvio que devemos possuir autoestima, se vestir adequadamente, etc e tal. Mas fico aqui pensando: eu era a mesma pessoa independente da roupa que estava utilizando. Não culpo ninguém, a própria mídia faz uma “lavagem cerebral” para que a beleza seja considerada acima de tudo.  Se você vai à uma festa dificilmente uma mulher aproximar-se-á de você senão estiver trajando roupas de grife e que seja bonitão (vide as festas onde  eu ficava sozinho no cantinho, elas não sabem o que perderam). Nossa casca pode mudar, mas nosso eu interior é o mesmo. Considero mentes pequenas aqueles que apenas julgam uma pessoa pelo seu biotipo físico e pelas suas vestes. Um exemplo que gosto muito de citar: o diretor geral da universidade onde me formei. É uma pessoa muito simples e humilde, quem não o conhece jamais diria que ele é PhD em Engenharia na França. Muitas pessoas preocupam-se demasiadamente com sua casca e esquecem que com o tempo ela se deteriora e se elas não tiverem nada além desta “casca bonita” o que vai sobrar? Psicologicamente somos adaptados à valorizar a beleza, mas também devemos avaliar as pessoas por outros aspectos, pois podemos estar desperdiçando ótimas oportunidades de conhecer pessoas fantásticas. Cuide do corpo, considere-se bonita(o) mas além disto tenha outros diferenciais que possam torná-la(o) especial para as pessoas. Todos nós temos qualidades fantásticas, não devemos deixá-las morrer apenas porque não possuímos o padrão de “beleza global”. E outra coisa: as pessoas que realmente gostam de você vão te aceitar do jeito que você é, seja você um “Casanova” ou um “Quasímodo”. Deve ser por isso que tenho amigas lindíssimas (ou é por pena vai saber né).

Os seres invisíveis

Observador do cotidiano, mais uma vez perambulando pela famosérrima Rua XV. Quanta mulher gostosa, meu Deus. Pena eu ser lazarento de feio, morador de vila (mas sou trabalhador, vide minha famosa calça verde da Prefeitura de Curitiba, estava com ela no referido dia) e pobre.

Como estava com o dinheiro do busão contadinho nem pensar em pegar minha lista negra hehehe. Tinha uma papelada pra tirar xerox. É, foi se o tempo onde a palavra de um homem valia alguma coisa. Mas, deixando estas nuances de lado começei a analisar um fator interessante da nossa “puritana sociedade” (o post pra isto ainda está sendo pensado): os seres invisíveis.

Período natalino, Boca Maldita, coral cantando em trajes natalinos, gente, muita gente. Manifestação grevista, todos com vozes, todos sendo vistos… e os seres invísiveis? Em meio à multidão, não têm voz (ou será que nossos ouvidos não desejam escutá-los?), não têm história (ou será que não desejamos saber sobre suas vidas?) e permanecem invisíveis (ou será que nossos olhos não desejam vê-los?). Várias histórias muito interessantes que este mero observador relatará resumidamente.

Cadeira de rodas enferrujada. Nela, um senhor com o rosto cheio de rugas devido ao tempo e ao sofrimento. Imóvel, mudo, cabisbaixo. Várias pessoas desviam-se dele. Homem sentado no chão, dois cachorros por companhia.. Roupas sujas, um vasilhame à sua frente com algumas poucas moedas. A barba branca cobrindo-lhe o rosto. Faltava-lhe quase todos os dentes. Jovem deitado sobre o sol escaldante. Roupas pretas. As pessoas desviando dele vide a madame com seu puddle (ainda escrevo um conto sobre isto). Algumas com repúdio, outras com pena. Aparência jovem; o que o levou a chegar nesta condição? Quem sou eu para julgar.

Chapéu de palha, instrumento típico, parecia um bandolim, uma cantoria desafinada, quase incompreensível. Saias coloridas, detalhes dourados pelas mãos e pescoço. Vamos ver o futuro moço forte? Sim, me diga quais serão os números sorteados na Mega Sena da virada?

Sentado no banco da praça. Ouço uma voz. Coca-cola 2 litros edição natalina em suas mãos, gorro da Nike, entoando em seu inglês arcaico U2 – I still haven’t found what i looking for… Sim, ele tem cultura, sim ele é feliz (ou tenta). Em coro aumentei minha voz e cantei o refrão junto com ele. Os dois executivos vendo a cena pensando: cada maluco. Mas, são estas “loucuras” que nos deixam felizes. Ele permaneceu invisível e eu fui pegar o vermelhão.

Pela janela pude observar papelões protejendo seus corpos, alguns cobertôs velhos. Alguns em sono profundo tentando acordar do pesadelo; outros; olhos tristes e pensativos. Um pouco à frente, a garrafa de pinga compartilhada com a companheira, uma carícia no rosto dela, uma carícia no rosto dele… Sim, eles também amam.

Chego em casa, descanso sobre minha cama de solteiro embaixo da escada satisfeito com o pouco que tenho.

E você, ainda vai reclamar de barriga cheia!!! Agradeça pelo que você tem.

O dinheiro pode comprar tudo?

A idéia de que o dinheiro pode comprar tudo principalmente numa sociedade capitalista pode ser verdade, mas é uma verdade relativa. A “classe dominante” pode ter e fazer de tudo e para esta classe só existe quem possui muito dinheiro no bolso.
Para esta classe a felicidade consiste em comprar caríssimos perfumes parisienses, comprar o exclusivo terno italiano, comprar um carro importado de última geração, as horas de sexo com modelos ou pessoas famosas no dito “meio social” (quanto será que uma ex-BBB cobra?), o apartamento triplex no bairro mais caro da cidade. Esta “felicidade” é imposta pela sociedade diariamente pelos diversos meios de comunicação e é quase impossível fugir desta “realidade virtual”.
No entanto, a verdadeira felicidade não pode ser comprada nem por todo dinheiro deste mundo (jargão antigo, mas na minha pequena concepção ainda é válido). Por exemplo, o dinheiro pode comprar “amigos”, mas a verdadeira amizade jamais conseguirá comprar. Pode comprar tudo o que tem de melhor, mas não é capaz de comprar apenas um único sorriso verdadeiro.
Quem possui muito dinheiro corre o risco de sua vida perder o sentido (quantas pessoas bem-sucedidas financeiramente cometeram suicídio), ao contrário das pessoas menos providas de capital que vêem nas pequenas coisas que conquistam com muito esforço e suor a verdadeira essência do viver.
É claro que o dinheiro é importantíssimo para todos, mas não devemos deixar que domine nossa mente, pois estas serão pessoas sem ética e caráter algum que passam por cima de tudo e de todos para conseguirem seus objetivos.
A maioria das pessoas, hoje, não se preocupa com sua felicidade, mas com que as outras pessoas vejam em seu “status social” a sua felicidade. O famoso superego que Freud já explicava.
Nada mais natural do que ser infeliz numa Mercedes importada do que ser feliz num FIAT 147. Você pode me perguntar: quem tem uma Mercedes não pode ser uma pessoa triste, mas existem inúmeros casos que provam o contrário, basta ler livros de psicologia e psicanálise. Pessoas que possuem tudo o que o dinheiro pode comprar, menos as duas coisas mais importantes desta vida: a saúde e a verdadeira amizade. A amizade é ainda mais importante para estas pessoas que desejam um amigo que possam compartilhar suas vitórias e fracassos sem que estas tenham em mente algum benefício em troca de sua “amizade”.
Um belo exemplo é de um lavrador norte-americano que foi questionado por um grande magnata sobre o que era felicidade para ele. Sua resposta foi a seguinte: “Felicidade é acordar todo dia cedinho, ouvir o cantar dos pássaros, beijar a mulher e os filhos, cortar a lenha para fazer fogo e esquentar a água para o café, cuidar da lavoura, dizer bom dia aos vizinhos, reunir todo dia a família para jantar e agradecer pelo “feijão com arroz” de todo o dia.
Moldamos a felicidade, quer queiramos ou não, a mídia sorrateiramente impregna isso em nosso subconsciente, pela fortuna material que possuímos. Se for assim, estou perdido. É a famosa e verdadeira constatação: quando mais se tem, mas se quer. Conjugamos o ver TER e não o verbo SER. Muitos passam pela vida apenas almejando cada vez mais e mais dinheiro, tudo bem, dinheiro traz comodidade e conforto, e esqueçem de viver. É só você verificar sua própria família que vai descobrir um caso assim. Sendo necessária a ocorrência de um fato extraordinário (normalmente doença incurável ou acidente sério) para mudar sua concepção de vida. E engraçado notar, o ser humano reage mais rapidamente à impulsos negativos.
Felicidade é fazer de cada dia um dia único em nossas vidas, sempre cultivar o bom humor e otimismo para o dia seguinte.
A verdadeira felicidade está nas pequenas coisas e gestos que fazemos diariamente para demonstrar para as pessoas o quanto elas são especiais para nós. Um abraço amigo, um sorriso verdadeiro, uma frase bonita, um ouvido para escutar os problemas de quem amamos, uma palavra de incentivo.
Portanto, não vamos deixar para amanhã o que podemos expressar para as pessoas que são especiais em nosso viver, pois este amanhã pode ser tarde demais.
“O verdadeiro homem feliz não é aquele que se entristece com as coisas que não tem, mas se alegra com as que têm”. (Epicteto)