Bar Estrela

Depois de um tempo afastando aqui do meu quintalzinho virtual devido ao excesso de afazeres profissionais, eis que estou de volta para continuar relatando minhas concepções da vida, alguns pensamentos e muitas boas lembranças vividas. Esta história que relembrei e agora compartilho ocorreu-me na última viagem que fiz para Santa Catarina. Eis a história:

Sabadão, levanto-me cedinho, um bom amargo para adoçar o dia (rs), meu avô me ajuda a sorver o mate, algumas risadas, algumas prosas sobre a vida, mulheres e afins. Depois, vou fazer a barba, a gilete desliza suavemente sobre o meu rosto. Um bom banho, um perfuminho, uma roupa bacana e sigo em direção à rodoviária. En passant, um dia belíssimo (como hoje também está), céu azul celeste embelezando o verde da capital das araucárias.

Chego na rodoviária, compro a passagem, pego o ônibus e rumo em direção à Santa Catarina. Um trânsito caótico na saída de Curitiba devido as obras de duplicação da rodovia. O trajeto que era pra ser feito em duas horas, demorou quase três horas. No sábado, na cidade dos meus pais, o ônibus passa somente de hora em hora, logo, mais uma vez decidi ir a pé pra casa dos meus pais.

Antes de chegar à casa dos meus pais é possível escolher dois caminhos, desta vez escolhi o caminho que fazia tempo que eu não fazia. E justamente por escolher este caminho que recordei-me de uma lembrança da minha infância.

Estavas eu caminhando e apreciando a paisagem interiorana quando meus olhos enxergam uma construção antiga. Um casarão degastado pelo tempo, contendo uma porta ampla, o letreiro acima da porta faltando uma letra, formando a palavra BAR STRELA. Não contive a curiosidade, parei em frente ao bar, vislumbrei alguns velhinhos num canto conversando e tomando cerveja,  atrás do balcão o mesmo casal que sempre me atendia à quase 25 anos atrás. Ambos com marcas impiedosas que o tempo deixou em seus rostos.

Adentrei o bar e fiquei um tempinho observando o ambiente. Algumas coisas mudaram, outras coisas continuavam no mesmíssimo lugar. Aquele ar de nostalgia e interior era o mesmo. Para a minha surpresa o velho baleiro em formato hexagonal daqueles que possuem quatro bocas e giram estava ainda resistindo ao tempo e a modernidade. Comprei algumas balas de morango para levar aos meus sobrinhos. Me veio à tona lembranças da minha infância.

Lembrei-me da época em que o meu pai sempre me pedia para registrar seus jogos do bicho que ele fazia naquele bar. Meu pai sempre jogava no duque ou terno de dezenas e frequentemente ganhava alguns cruzados (ou cruzeiros não me lembro). Ele marcava sua aposta num pequeno papel, me entregava juntamente com o dinheiro da aposta e me pedia para eu ir até o bar registrar sua fézinha.

Toda vez que eu chegava no bar, ganhava algumas balas daquele mesmo baleiro que estava em minha frente. Apenas uma coisa era diferente desta vez, os velhinhos eram outros e não os mesmos de quase 25 anos atrás, culpa do tempo. Por muito tempo, semanalmente ia até este bar registrar os jogos do meu pai. Os donos sequer me reconheceram, paguei uma cerveja aos velhinhos e bora pra casa.

 

 

 

Holiday insights

Sexta-feira: chego em cima da hora, poltrona 38. Fila quilométrica na saida de Curitiba em direção à Joinville. Conversa sobre televisão, manipulação de massa, fjords noruegueses (rs) com meu vizinho de poltrona. A caricatura desenhada no vidro da janela do ônibus. 11h30 em Joinville, 01h30 em Indaial. Um abraço na mana e desmaio.

Sábado: meu sobrinho me acorda com um grande e apertado abraço, tio faz chocolate quente. A partida de futebol no videogame (e a Argentina ganhou do Brasil rs), minha sobrinha aprendendo a andar. Shrek Para Sempre, brincando com os cavalinhos, a sala repleta de brinquedos, histórias da infância.

Domingo: churrasco bom ao som dos Monarcas. O passeio a tarde pela calma cidade. Tarde quente, mulherada desfilando shortinhos (meu Deus). Disputas ferrenhas de GT4 com meu cunhado.

Segunda-feira: assitindo a Dora Aventureira (rs), um chips para o meu sobrinho, um abraço forte, poltrona 2, 20h15 em Curitiba 22h00 na casa da tia, enfim, durmo.

Terça-feira: Rua XV deserta, vendo vitrines, um Très Marchand e um Bis limão na Americanas, putz, passagem foi à R$2.50. Algumas mensagens em homenagem ao Dia da Mulher, volto a vida normal.

Coisas para lembrar

Final de semana, sabadão vim para o centro de Curitiba comprar uma toalha do Shrek para levar para o meu sobrinho. Para não ocasionar ciúmes comprei duas toalhas, uma grande e uma pequena. Duas horas procurando até encontrar uma toalha pequena, a sorte que a da minha sobrinha já tinha comprado na sexta.

Fui até a rodoviária, comprei a passagem e bora ver meus pais. Cheguei, pedi a benção aos meus pais, dei os presentes, brincamos e fomos dormir. Domingão, assisti o Globo Rural com meu pai, depois chegou o moleque do vizinho e fomos num campo de areia jogar bola com minha sobrinha. Como sou um tio bem liberal deixei minha sobrinha fazer de tudo adivinha o que aconteceu: ela foi brincar nas poças de água, ficou até o cabelo cheio de lama. Voltamos, minha tia com a qual eu resido aqui em Curitiba estava lá. Minha avó vou rever seus bisnetos. Almoçamos, novamente saímos. O moleque com sua bike e com minha sobrinha na canguta, haja força. Ora ela andava, ora ia de bike com o moleque, ora vinha no meu colo e assim fomos.

Chegamos na construção da casa do meu irmão, descansamos um pouco, brincamos de esconde-esconde, depois fomos andar por um “carrero”. Uma estradinha escorregadia pra caramba. Andamos muito, chegamos num alto, e minha sobrinha queria continuar andando, nossas roupas estavam enlameadas e por cima ainda fui atacado por formigas. Meu pé ficou ardendo um bom tempo.

Descemos, o moleque quase pisa em cima de uma cobra, quase me estatelei no chão com minha sobrinha, chegamos na construção pegamos nossas coisas e voltamos para casa. Trouxe minha sobrinha na canguta numa subida do caramba e além do mais tive que trazer a bolsa do moleque, dois salgadinhos e mais 8 geladinhos que eles compraram numa barraquinha.

Cheguei em casa, tomei banho e aproveitei a carona para Curitiba. Mas ainda não acabou. Meu pai à tempos queria dar de presente um galo índio para o meu avô. Dito e feito, “empacotaram” o bicho e trouxemos ele no carro até Curitiba. Hoje 5 da matina acordo com o cantar do bicho, agora não preciso de despertador. No meio da semana minha tia vai levá-lo para a chácara do meu avô.

Para terminar assistimos ao final da dança dos famosos, e lá se foi mais um final de semana divertido.

Coisas de final de semana

Final de semana, trabalhei o sábado todo, cheguei em casa apenas tomei um belo banho e desmaiei na cama. Domingão cedo acordo, relógio biológico me acordando sempre as 6 da matina, tudo bem já me acostumei. 7h, ouço passos na cozinha, meu tio me indaga: vai trabalhar hoje? Não. Quer ir comigo visitar o vô. Vamos lá. Levantei-me feito “the flash”, pus minha famosa calça verde da prefeitura e rumamos para a chácara que meu avô cuida, cerca de 45 minutos de Curitiba. Trânsito sossegado, a não ser por um acidente perto do posto rodoviário. 7 quilometros de estrada de chão, péssimas condições por sinal. Chegamos, o “véio” já estava de pé fazendo o café. Fritamos uma linguiça e comemos com pão. Na parte da manhã fizemos os buracos para colocar os palanques para fazer o galinheiro. No intervalo fiz uma bela caipira para animar o trabalho, meu tio colocou as suas peculiares músicas sertanejas e gauchescas. Terminado esta parte fizemos um bom chimarrão (costume da família), meu tio saiu com o filho do dono da chácara e eu fiquei conversando com meu avô. 78 anos de idade e ainda faz de tudo: capina, corta lenha, roça, planta, cuida de porco e galinha. Gostaria de chegar nesta idade com o pique que ele tem. Conversamos sobre mulheres principalmente (hehehe). Contou-me sobre suas andanças por este “mundão de meu Deus” como ele mesmo define. Fiz o almoço, a tarde colocamos as telas para o galinheiro e fomos ver o terreno. Meu avô sempre entusiasmado dizendo onde seria a plantação de cada coisa. Interessante notar, pelo menos para mim, o ambiente rural me deixa em paz e alegria. Adoro um final de semana “no mato” como o pessoal fala. Tomamos mais um chimarrão e voltamos para Curitiba. Me diverti muito, relembrei os “meus tempos de guri”, que passava as férias na casa da minha avó materna (In Memorian), tempo muito especial na minha vida. Experimente um final de semana em contato com o simples e a natureza, certamente voltará renovado para a vida na metrópole.